O FED (Federal Reserve, o BC americano) decidiu na quarta-feira, na primeira reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) sob o mandato do novo presidente americano, Barack Obama, manter sua taxa de juros entre zero e 0,25% -foram oito votos a favor e um contra. A decisão de reduzir a taxa para o menor patamar da história do banco ocorreu na reunião anterior.
A decisão tomada no fim de 2008 e mantida ontem esgotou as possibilidades do FED agir contra a crise em termos de política monetária.
A redução dos juros torna o dinheiro mais barato para os bancos, o que, em tese, faz com que os juros de empréstimos para empresas e pessoas físicas também fiquem mais baixos. Com a taxa quase a zero, o FED não tem mais como tornar a captação de recursos mais atraente para os bancos. No mês passado, Obama, então presidente eleito dos EUA, destacou o esgotamento dos instrumentos de que o FED normalmente poderia se valer para combater crises. “Estamos ficando sem a munição que é usada normalmente em períodos de recessão”, disse.
Sem a arma dos juros, o FED precisa encontrar soluções “não convencionais” -como a própria instituição classificou- suscetíveis de combater a crise econômica que assola o país. Como, apesar da queda dos juros, os sinais de deterioração da economia dos EUA continuam surgindo, o FED deve prosseguir com as injeções de recursos no sistema bancário para evitar que a falta de crédito leve os bancos ao mesmo fim que teve o Lehman Brothers no ano passado, ou seja, a falência.
No último dia 13, o presidente do FED, Ben Bernanke, disse que o banco ainda dispõe de “instrumentos poderosos” para combater a crise, como influenciar na taxa de juros de longo prazo, indicando a direção que a política monetária poderia seguir no futuro.
Câmara vota pacote de US$ 825 bilhões
Ben Bernanke destacou ainda que “as respostas políticas governamentais em todo o mundo serão determinantes essenciais da velocidade e vigor da recuperação”.
Resposta política é o que está em gestação no Congresso americano. Ontem, também, foi o dia em que a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) iria votar o pacote de US$ 825 bilhões proposto por Obama para reativar a economia do país, em recessão desde dezembro de 2007. Bernanke disse que o pacote pode dar um “impulso significativo’ para a economia.
Segundo o instituto Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), um pico na economia dos EUA ocorreu em dezembro de 2007; esse pico marcou o fim do ciclo de expansão começado em novembro de 2001 e o início da recessão.
A economia americana registrou uma contração de 0,5% no terceiro trimestre do ano passado. A taxa de desemprego no país em dezembro atingiu 7,2%, a maior desde 1993. Vendas no varejo, produção industrial e confiança do consumidor, todos atingiram patamares baixos, em alguns casos, uma baixa recorde.
No “Livro Bege” (documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do BC americano), o FED constata essa deterioração e não aponta perspectivas de melhora para este início de ano. “A atividade econômica continuou a enfraquecer em quase todos os distritos do FED”, diz o documento.
Timothy Geithner, ex-presidente do Federal Reserve de Nova York e nomeado secretário do Tesouro na segunda-feira, prometeu agir com “força” e “rapidez” para tirar a economia americana da recessão. Ele disso que o governo Obama tem uma estratégia mais abrangente, focada e transparente.
“Se não demonstrarmos por meio de nossas ações um compromisso claro e consistente em fazer o que é necessário para resolver o problema, então colocamos em um risco maior nossos padrões de vida, o potencial produtivo da economia e o tecido de nosso sistema financeiro”, disse.
Geithner disse que o Departamento do Tesouro adotará novas regras para tornar mais transparente a concessão de fundos do plano de resgate financeiro e limitar a influência de grupos de pressão sobre as decisões de investimento do Estado.
Em outubro de 2008 o Congresso aprovou um pacote de US$ 700 bilhões, proposto pelo então secretário do Tesouro, Henry Paulson, para salvar bancos com problemas devido à posse de papéis lastreados em hipotecas “subprime” (de maior risco). Em novembro, no entanto, Paulson anunciou uma mudança no foco do pacote, abrindo espaço para aplicar os recursos, por exemplo, em companhias de cartões de crédito e de financiamento automobilístico e estudantil.







