Pouco mais de um ano depois da última mudança na gestão da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), circulam rumores de que a cadeira, hoje ocupada pelo general Algacir Polsin, estaria sendo cogitada para um novo troca-troca. Segundo relatos, o nome da subsecretária de Supervisão e Estratégia do Ministério da Economia, Luiza de Amorim Motta Deusdará, estaria sendo cotada para assumir o cargo, em uma suposta nova nomeação política.
Não se sabe qual seria o motivo para tanto. Embora não haja nenhum ato oficial na Suframa ou de outro órgão federal, nem confirmação das fontes ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio, a novidade já repercutiu mal junto a lideranças do PIM e de outros setores econômicos do Amazonas. Representantes de entidades ligadas à indústria incentivada de Manaus, assim como empresários, se dizem satisfeitos com o perfil e as realizações do atual gestor, e reforçaram o imperativo da estabilidade para atrair e manter os investimentos na Zona Franca.
A postulante ao cargo é formada em Letras pela UnB (Universidade de Brasília), mas contaria também com experiência na área de economia (Aperfeiçoamento de Gestão e Governança, Articulação Institucional, e Gestão da Estratégia), além de ter mais de 11 anos de atuação profissional na administração pública e assessoramento nas áreas de Comércio Exterior e Indústria. A confirmação da nova troca da guarda na Suframa, colocaria a terceira mulher no comando da autarquia, em mais de 54 anos – as anteriores foram Flavia Grosso e Rebecca Garcia.
“Luiza, caso se confirme a nomeação, terá o reconhecimento do brilhante trabalho que já desempenha na autarquia, será uma guardiã nacional e vai defender uma política para o desenvolvimento da Região Norte do país, mantendo o protagonismo que do modelo merece, não apenas se comprometendo em trazer a instalação de novas indústrias para a região, mas fixar a pessoa, fazer a defesa da fronteira e o verdadeiro acompanhamento do sistema”, assinalou nota distribuída pela assessoria de imprensa da subsecretária de Supervisão e Estratégia do Ministério da Economia.
“Auspiciosos objetivos”
Em nota, a Associação PanAmazônia saiu em defesa do atual gestor da Suframa. Sem entrar em detalhes sobre os bastidores do possível troca-troca, o texto da organização não governamental – que reúne pelo menos 78 empresas de grande e médio porte atuantes na região – congratula o general Polsin por seu “excelente trabalho” à frente da autarquia, reforçando a relevância do órgão para promoção do desenvolvimento na Amazônia Ocidental, e lembrando que seu destino está atrelado “ao futuro de toda a sociedade amazônica”.
O texto da Associação PanAmazônia também destaca que o “é de reconhecimento público” de “todos os espectros políticos e empresariais da região” que “as elevadas qualidades humanas e técnicas” do atual superintendente teriam sido fundamentais para a condução da autarquia, frente o “momento econômico muito delicado” trazido pela pandemia da covid-19.
“O notório trabalho de revitalização da Suframa, o enorme avanço do PIM conquistado em plena pandemia, e o grande número de auspiciosos objetivos previstos são a mostra cabal da importância de garantir a continuidade da gestão do general Algacir Polsin no comando da Suframa. Com efeito, deve-se preservar a autarquia e não permitir que nada afete sua boa condução, o que é, inclusive, de absoluta necessidade em um momento em que o Brasil sofre enormes pressões (embora, indevidas) em razão da Amazônia”, asseverou.
“Peculiaridades e particularidades”
O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), e também presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que não tem nenhuma informação, além do que está sendo veiculado pela mídia. Mas, não deixou de ressaltar que seria uma má ideia promover alterações súbitas no comando da Suframa, agora.
“Não sei nada sobre isso. Tive a oportunidade de falar com o superintendente e ele me disse que também não tem conhecimento disso. Essa notícia já está rodando há mais de uma semana, mas as próprias pessoas que a levantaram já estão se desfazendo dela. Acho que não seria bom fazer isso, porque o empresário quer as coisas estáveis. Mudanças sem razão aparente, podem gerar instabilidade e afugentar o investidor”, comentou, acrescentando que, embora o cargo de superintendente da Suframa seja de nomeação política “de confiança”, é desejável e necessário que o perfil de seu postulante seja técnico.
O dirigente também manifestou seu apoio à permanência do atual superintendente, deixando claro que não tem nada contra à possível postulante ao cargo. Azevedo disse conhecer a senhora Luiza de Amorim Motta Deusdará desde os tempos em que a atual subsecretária de Supervisão e Estratégia do Ministério da Economia ainda trabalhava no extinto Mdic (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e que a mesma já demonstrou conhecimento técnico sobre o modelo ZFM. Mas, avalia que o atual ocupante do cargo tem maior conhecimento e proximidade com a região.
“Não tenho nada contra ela, mas é preciso ser sensível a nossas peculiaridades e particularidades, e torço muito para o cargo seja ocupado por pessoas com identificação regional. Não estou dizendo que não é o caso dela, mas sabemos que o general Polsin serviu durante anos no Comando Militar da Amazônia e que tem o conhecimento e familiaridade com a região. Defendo a atual administração da Suframa. As coisas estão andando e com muita transparência, além de estar plenamente articulada com o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus. Mas, se tiverem de mudar mesmo, espero que seja alguém do mesmo perfil”, ponderou.
“Fumaça sem fogo”
Praticamente nenhum dos parlamentares da bancada amazonense no Congresso Nacional quis comentar o assunto. A única exceção veio do senador Plínio Valério (PSDB-AM), que minimizou a questão, sem querer entrar em mais detalhes sobre sua avaliação da atual administração da autarquia, ou sobre o mérito da ideia da mudança em si. “Me perguntaram sobre isso e procurei saber. Chegou a ter fumaça, mas parece que ficou só nisso mesmo”, desconversou.
Em matéria postada no site BNC Amazonas, o primeiro vice-presidente da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), disse que não estava a par de nenhuma mudança do gênero, mas não deixou de salientar que considera que “mexer” na autarquia agora “seria um erro”, em face dos “bons resultados” que a ZFM tem apresentado, dado que não há crise “nem com a política, nem com o empresariado”. “Estamos em boas mãos, visto que Polsin faz um bom trabalho e tem meu apoio”, resumiu, descartando também que não tem ideia de quem seria o suposto articulador da troca de comando na autarquia.
A reportagem do Jornal do Commercio procurou ouvir também o vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), que chegou a ser apontado, em matérias que circulam pela mídia e pela blogosfera, como suposto padrinho da atual troca de comando. Sua assessoria de imprensa informou que o parlamentar ficou surpreso com os rumores e que este só se pronunciaria a respeito quando soubesse de onde partiu tal informação.







