Pelo terceiro mês consecutivo, a Amase (Associação Amazonense de Supermercados), registrou recuo nas vendas. O setor apresentou queda de 2,5%, considerando os meses de setembro e outubro. A retração é o reflexo da alta da inflação que minou o consumo das famílias. De acordo com a Associação, de janeiro a setembro de 2021, houve aumento médio de 30% nos preços de alguns produtos como grãos, óleo e carne.
O vice-presidente da Amase, Ralph Assayag, também atribui a queda ao número de aberturas de lojas de supermercados nos referidos meses. “Além da queda no poder aquisitivo do consumidor, a abertura de novas lojas divide o espaço e o mercado também, ou seja, há uma queda em relação à unidade”.
Em agosto, o amazonense também gastou menos em supermercados, a Amase registrou queda de 1,5%, resultado abaixo da média nacional 2,33%, mas que passou a deixar em alerta o segmento. Já que a baixa no consumo retrata a mudança no comportamento das famílias, que já vem seguindo um momento em que se opta pela substituição de produtos. “O consumidor tem mudado a marca predileta de produtos e diminuindo a compra de itens que caibam no seu orçamento por causa da inflação e ainda assim registramos menor consumo”, atenta, Ralph Assayag.
Na opinião dele, é um cenário desafiador porque ao mesmo tempo que fala-se em geração de empregos, novas oportunidades, a inflação só aumenta o que freia o poder aquisitivo em relação ao salário das famílias. “A situação vai gerando um problema cada vez maior para as famílias. Elas perdem a força porque não conseguem gastar como antes”.
Aposta no Natal
Tradicionalmente o último mês do ano é positivo para o setor, ou seja, dezembro não é comprado a nenhum outro mês do ano. Para Ralph, a tendência é que os resultados melhorem. “No mês de dezembro nós temos crescimento de 50%, mas se compararmos sobre o mesmo Natal do ano passado, período em que as lojas estavam fechadas e a crise da Covid estava muito forte. Se comparar a 2019 teremos um incremento de 9 a 10%”.
Recuo nacional
O Amazonas segue a tendência nacional, em relação ao recuo no consumo dos lares brasileiros. Números mais recentes da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), indicam queda de 0,49% em setembro na comparação com agosto. Na relação com setembro de 2020, também houve recuo de 1,13%.
Cesta
Em setembro, a Cesta Abrasmercado registrou alta de 1,37% em relação a agosto. No comparativo com setembro do ano passado, o crescimento foi de 18,84%. O conjunto de itens atingiu o valor de R$ 684,99. A cesta é composta por 35 produtos de largo consumo nos supermercados e inclui alimentos (inclusive cerveja e refrigerante), higiene & beleza e limpeza doméstica.
Café torrado e moído, açúcar e o biscoito cream cracker registram as maiores altas no acumulado do ano com aumento de 33,85%, 30,33% e 24,54%, respectivamente. Margarina cremosa (23,45%), ovo (22,53%) e frango congelado (21,26%) também figuram na lista dos produtos que mais subiram no ano. As maiores quedas foram registradas nos preços da batata (-28,87%), cebola (-19,67%) e arroz (-14,52%).
Na divisão por regiões, o Sudeste do país reportou o maior avanço na Cesta Abrasmercado na variação entre agosto e setembro deste ano com alta de 2,0 a 9%. Em seguida, vieram as regiões do Centro-Oeste (2,05%), o Norte (1,76%) e o Sul (0,96%). O Nordeste apresentou queda na cesta, com recuo de 0,07%.







