Cerca de 50 empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estariam com dificuldades para retirar suas mercadorias do Super Terminais, por excesso de lotação. A denúncia foi feita pelo presidente da Força Sindical no Amazonas Vicente Filizola, apontando que quando os importadores ‘caem na linha vermelha’ a situação piora porque é preciso tirar toda a carga do contêiner para ser inspecionada.
Segundo o sindicalista, a falta de espaço físico leva um tempo superior ao necessário e isso estaria causando problemas às indústrias que ficam sem componentes e consequentemente suas linhas de produção param. “Essa situação tem sido constante e, aliada à crise financeira, gera um problema seríssimo para a indústria local, que está lutando para segurar os empregos dos trabalhadores”, disse.
De acordo com Filizola, o Super Terminais atende também a uma gama de empresas que atuam com atracação. Aliado a isso, é baixo o número de servidores dos órgãos públicos que atuam na área de fiscalização –Receita Federal, Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), Ministério da Agricultura e Anvisa. Filizola avaliou que o Super Terminais foi criado para agilizar a liberação das mercadorias, porém isso não vem acontecendo. “O que se vê a cada dia são mais exigências e mais burocracia, dessa forma, a ZFM (Zona Franca de Manaus) perde a atração e deixa de receber novos investimentos”, denunciou.
Processo normal
O gerente operacional do Super Terminais, Joabe de França Barros, contesta a denúncia do sindicalista justificando que a movimentação de cargas deste terminal privativo destinadas ao Polo Industrial de Manaus tem sido feita regularmente durante todo o ano, salvo as destinadas aos armazéns (movimentação em torno de 9%) no último trimestre do ano passado. “Houve um acréscimo nas inspeções físicas (canal vermelho), entre outras, mas com muita determinação e comprometimento está normalizada esta operação”, justificou. Barros pediu que fossem enumeradas quais as exigências e burocracias mencionadas por Vicente Filizola a fim de tomar as medidas cabíveis. “Gostaríamos de convidar o senhor Filizola para conhecer nosso terminal privativo que figura como destaque entre os demais portos brasileiros”, defendeu o gerente.
Processo produtivo
Outra denúncia feita pelo presidente da Força sindical, foi com relação ao PPB (Processo Produtivo Básico) dos condicionadores de ar. No entendimento de Filizola, os fabricantes de TV e condicionadores de ar, em especial, querem flexibilizar o PPB com a finalidade de trazer prontos de outras praças cabos e metálica da TV, como forma de ajudar o setor eletrônico nesse momento de crise global.
Apesar da defesa, pesquisa encomendada pelo Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) aponta que, na visão dos empresários, a questão portuária é um dos maiores gargalos logísticos enfrentados pelas indústrias.
PPB deve ser adequado
O sindicalista disse que a entidade é favorável ao PPB, só que alguns itens têm que ser amarrados para garantir o emprego e a permanência das empresas de componentes no PIM. “Desde que as empresas de bens finais do segmento eletroeletrônico comprem cabo, ferro e estamparia, todas das fabricantes de bens finais locais, do contrário será um desastre para o seguimento de metalúrgica e estamparia de peças, que deixaram de atender o PIM e fechariam as portas”, disse, ressaltando que até as empresas que vendem ferro e aço como a Amazon Aço, que vende para as metalurgias, serão atingidas.
Filizola avaliou que os fabricantes de bens finais deste setor estão agindo de má fé e se utilizando da crise, para pressionar a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), o governo do Estado e federal, para conseguir benefícios diferenciados, que vão prejudicar outros setores.
Na próxima quinta-feira, a Suframa se reúne com dirigentes do setor plástico e eletroeletrônicos, além de sindicatos para tratar sobre o novo PPB para o segmento de ar-condicionado.
Vicente Filizola disse ainda que da forma como está sendo costurado o novo PPB não haveria necessidade do PIM existir. “Bastaria trazer tudo pronto, montar e colocar o selo Zona Franca de Manaus que se transformaria em polo atacadista”, disse.







