O saldo de contratações intermediadas pelo Sistema Nacional de Empregos no Amazonas fechou, em janeiro, o saldo de 416 trabalhadores para a indústria. O número representa uma redução de 11% no comparativo ao mesmo período do ano passado, quando as indústrias locais contrataram 466 operários para suas linhas.
O titular da Setrab (Secretária de Estado do Trabalho), Adilson de Carvalho Cavalcante, explicou o baixo índice de contratações como resultado das negociações de reajustes salariais entre patrões e empregados de vários setores industriais, que se voltam para medidas destinadas a driblar a crise financeira. Férias coletivas, redução da jornada de trabalho e a suspensão temporária de contrato foram elencados pelo secretário executivo como mecanismos legais razoáveis que tem evitado as demissões em massa e prejuízos para ambos os lados.
Cavalcante afirmou ainda que as empresas da categoria metal-mecânica estão entre as mais preocupadas com a situação, já que apostaram, no ano passado, em férias coletivas e esperaram uma resposta do mercado que não chegou a contento no início de 2009. O dirigente avaliou que, neste período, a redução da jornada de trabalho e achatamento na faixa salarial previstos na Lei federal 4923/65 foi uma das opções mais utilizadas pelas indústrias locais, o que explica a queda de 11% no volume de contratações no Estado em janeiro. “Algumas empresas, como a Salcomp, Proview e Phillips firmaram acordos com os sindicatos de trabalhadores para poder se valer da qualificação com os recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), antes de emitir novas cartas de demissão”, revelou Cavalcante.
A primeira etapa de qualificação de mão-de-obra profissional prevista no orçamento do Estado para este ano poderá envolver mais de 2.500 trabalhadores. A estimativa da Setrab que a ação supere o orçamento de R$ 1,37 milhão proveniente dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do próprio governo.
Na opinião do analista de mercado, mestre pela Fundação Getúlio Vargas e professor das Faculdades Integradas Rio Branco, Carlos Stempniewski, existe em Manaus uma falsa percepção de que o empresário demite como parte de um oportunismo predador. O especialista lembrou, entretanto, que, ao dispensar um operário, a empresa perde os investimentos em treinamento e recua na meta de criar uma cultura organizacional e espírito de equipe, que custa muito tempo e dinheiro. “Ex-funcionários levam conhecimento de processos de produção, detalhes de negociação, estratégias de mercado, política de preços, rede de relacionamento com clientes. Há, ainda, os custos trabalhistas. Ou seja, a ninguém interessa desfazer-se de seu quadro funcional”, resumiu o especialista.
Mas para a vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Dulce Sena, apesar de significarem boas alternativas para o momento, é preciso que o governo fique atento para o cumprimento dos requisitos contidos na Lei, para não ter problemas futuros com as indústrias locais. “Os empresários devem estar cientes de que, se precisarem demitir empregados durante a suspensão do contrato, ou nos três meses subsequentes, estarão sujeitos ao pagamento das parcelas indenizatórias e multa de, no mínimo, 100% sobre o valor da última remuneração anterior à suspensão. Ficaremos de olho neles”, avisou.
Janeiro tem queda de 11% nas contratações
Em: 8 de setembro de 2015
O saldo de contratações intermediadas pelo Sistema Nacional de Empregos no Amazonas fechou, em janeiro, o saldo de 416 trabalhadores para a indústria
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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