Indústria de motocicletas aposta em crescimento neste ano

Em: 28 de janeiro de 2022

A produção de motocicletas do PIM desacelerou em dezembro e fechou o ano 2% aquém da meta da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). Ainda assim, a alta foi de dois dígitos. A entidade projeta alta de 7,9% para 2022, elevando os números do Polo Industrial de Manaus, de 1.195.149 (2021) para 1.290.000 (2022) motocicletas. A avaliação é que o mercado segue demandante, embora o cenário ainda ofereça obstáculos no agravamento das crises sanitária, econômica e logística, além da aproximação das eleições. 

As apostas dos fabricantes também seguem positivas para as vendas internas e, em menor grau, para as exportações. No varejo, a expectativa é que sejam emplacadas 1.230.000 motocicletas, o que corresponderia a uma alta de 6,4% em relação a 2021 (1.156.074). As vendas externas devem totalizar 54.000 unidades, conforme o cálculo da Abraciclo, 1% a mais do que o volume registrado no ano passado (53.476). Os dados foram apresentados pela associação empresarial, nesta quinta (20), durante coletiva virtual de imprensa.

Para o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, as estimativas confirmam um cenário de recuperação gradativa da indústria de motocicletas, que vem retornando ao nível pré-pandemia, pouco a pouco. Entre os fatores citados para explicar a maior demanda estão o avanço dos serviços de entrega e o maior uso da motocicleta nos deslocamentos urbanos – em razão da alta dos combustíveis e da disponibilidade de crédito. “Esperamos um cenário mais estável neste ano, para conseguirmos atingir novamente os patamares de 2015, quando a produção ficou na casa do 1,2 milhão de unidades”, completou.

O dirigente destaca que a indústria está atenta a obstáculos sanitários, econômicos e logísticos, que podem dificultar a concretização da meta. Fermanian cita o aumento dos casos da variante ômicron e da gripe H3N2, que podem afastar os colaboradores das linhas de produção. Outro entrave vem das “instabilidades do cenário macroeconômico”, que influenciam o abastecimento e reorganização das cadeias produtivas, assim como nos juros e no custo do frete. “Também acompanhamos outros movimentos do cenário político e econômico, que podem afetar o poder de compra do consumidor e impactar negativamente a demanda por motocicletas”, frisou.

Distanciamento e limitações

O polo de motocicletas fechou 2021 com 1.195.149 unidades, ficando 2% aquém da meta da Abraciclo (1.220.000). Ainda assim, o resultado representou uma expansão de 24,2% na comparação com 2020 (961.986). O desempenho de dezembro (76.359) ficou 32,9% abaixo do registrado em novembro (113.776), embora tenha subido 3,9% em relação à marca de 12 meses atrás (73.471). A entidade explica que o recuo mensal era esperado, em virtude das férias coletivas e pelo fato de que as fábricas costumam aproveitar o período para serviços de manutenção e instalação de equipamentos.

No entendimento do presidente da Abraciclo, a meta só não foi atingida em função dos efeitos da segunda onda em Manaus – que gerou um corte de produção de 100 mil motocicletas – e pelas restrições implantadas nas linhas de produção para evitar o contágio da covid-19. O maior distanciamento entre os postos de trabalho é apontado como fator que aumenta o tempo de fabricação, embora Marcos Fermanian ressalte que todas as medidas estão mantidas, “pois a prioridade é a saúde e segurança do colaborador”. 

“As limitações nas linhas de montagem fizeram com que, em 2021, tivéssemos dificuldade em atender à demanda crescente. Hoje a fila de espera é de cerca de 30 dias para modelos de baixa cilindrada e scooters. Mas, a tendência para os próximos meses é de normalização. Todas as associadas estão se esforçando para atender ao consumidor que espera, quer e precisa de uma motocicleta nova”, amenizou.

Cadeia produtiva

Em entrevista à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus) e vice presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) avalia que o ano ainda será de recuperação para a indústria de motocicletas do PIM e para seus fornecedores de partes e peças. 

“É claro que teremos ainda obstáculos na alta da inflação e dos juros, mas esperamos que 2022 seja melhor do que 2021. Não apenas em produção, mas também em empregos, com aumento de 6% a 7% sobre a média de 102 mil postos de trabalho registrados no ano passado. Esperamos também que, com essas dificuldades, voltemos a fortalecer nossa cadeia produtiva, que já foi mais robusta, para não ficarmos nessa total dependência da Ásia”, assinalou. 

Varejo e exportações

A base de dados da Abraciclo confirma que o mercado nacional de motocicletas seguiu com demanda acima da oferta. Os emplacamentos totalizaram 1.156.074 unidades em 2021, alta de 26,3% na comparação com 2020 (915.157) e, diferente da produção, aceleraram na reta final do ano. Com 112.363 motocicletas licenciadas, dezembro atingiu o segundo melhor resultado do ano e ficou atrás apenas de julho (112.538). O resultado foi 6,3% superior ao de novembro de 2021 (105.740) e 13,8% maior na comparação com dezembro de 2020 (98.775).

Os modelos de baixa cilindrada (até 160), que são as mais utilizadas nos serviços de entrega, responderam por 80,7% do mercado (932.797). As motos de média cilindrada (de 161 a 449) tiveram participação de 15,5% (179.481), e as de alta cilindrada (acima de 450) representaram 3,8% do mercado (43.796). A Scooter (107.285 unidades) foi a categoria com o maior crescimento anual (+40,9%). 

O desempenho foi relativamente mais modesto nas vendas externas. As exportações subiram 1,1%, entre novembro (3.246) e dezembro (3.283), mas desabaram 26,7% sobre o dado do mesmo mês de 2020 (4.477). De acordo com o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, o principal destino foi a Colômbia (1.496 unidades e 32,2% do total exportado), seguida de perto pela Argentina (1.424 e 30,6%) e pelo Uruguai (492 e 10,6%).

De janeiro a dezembro, foram exportadas 53.476 motocicletas, alta de 58,4% na comparação com o mesmo período de 2020 (33.750). A Argentina foi o principal mercado, com 16.119 unidades exportadas, o equivalente a 28,7% das vendas para o estrangeiro. Colômbia (12.541 e 22,4%) e Estados Unidos (11.642 e 20,8%) vieram em seguida.

Segundo o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, o crescimento das vendas externas das motocicletas “made in ZFM” seguiu dentro do esperado. “A maior parte dos mercados para onde vai essa produção é de países da América do Sul, que adquiriam motocicletas mais baratas da China, mas passaram a comprar conosco, em função da melhor qualidade e oferta de assistência técnica. Havia alguma dificuldade logística, que foi superada. Por esse motivo, e pelo próprio crescimento vegetativo do mercado, a tendência é que a alta se mantenha em 2022”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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