Prévia do PIB mostra nova oscilação para economia do Amazonas

Em: 29 de janeiro de 2022

Depois do breve aquecimento de outubro, a prévia do PIB do Amazonas voltou a encolher em novembro. A variação mensal ficou negativa em 0,39%, em números livres de influências sazonais, seguindo na trajetória inversa à da média nacional, e eliminando parte do ganho anterior (+0,92%). A comparação com o mesmo mês de 2020 rendeu um tombo ainda maior, de 2,63%. No acumulado do ano, por outro lado, a economia amazonense se manteve positiva em 5%, sendo fortalecida por uma fraca base de comparação, em razão dos impactos da primeira onda. É o que aponta o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central).

A mesma base de dados apontou registro de 166,59 pontos para o Amazonas, após o resultado mais forte de outubro (167,24 pontos). Foi o sexto pior número do ano, que teve seus extremos em janeiro (157,29) e junho (173,42). Para efeito de comparação, o desempenho ficou próximo ao registrado em março (166,54), mês do início da flexibilização econômica pós-segunda onda. O Estado tombou 1,39% na média móvel trimestral e ficou negatiivo também ante o mesmo trimestre de 2020 (-1,24%). Já o PIB anualizado fechou com 4,86% de elevação. Vale notar que essas são as comparações que costumam ser apontadas por especialistas como melhor forma de captar tendências. 

O Estado voltou a ficar à frente da economia brasileira apenas nas variações acumuladas. Em âmbito nacional, o indicador passou de 137,13 para 138,08 pontos entre outubro e novembro, apontando acréscimo de 0,69%. A alta quebrou uma sequência de três quedas consecutivas, nesse tipo de comparação. No confronto com novembro de 2020, o resultado ficou positivo em 0,43%, enquanto o acumulado do ano avançou 4,59%. Em 12 meses, o IBC-Br brasileiro ficou positivo em 4,30%, mas a média móvel trimestral encolheu 0,79%.

O IBC-Br é um indicador criado para antecipar o resultado do PIB e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa Selic). Visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, o indicador do Banco Central também é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica e ajuda a autoridade monetária a decidir sobre a taxa básica de juros, além de ajudar investidores e empresas a adotarem medidas de curto prazo. A metodologia é diferente da empregada pelo IBGE, que calcula o PIB brasileiro – e cuja próxima divulgação nacional está prevista para 4 de março de 2022.

Setores e arrecadação

O cálculo do IBC-Br leva em conta estimativas para as atividades econômicas no Estado, acrescidas das arrecadações de impostos. Mas, sua divulgação não inclui o desempenho de cada rubrica. Em sintonia com a depreciação do indicador, números do IBGE apontaram novas oscilações na indústria e no comércio durante o período assinalado, contrastando com uma recuperação nos serviços. Os recolhimentos de tributos da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) e da Receita Federal também tiveram comportamentos opostos.

A indústria amazonense voltou a oscilar em novembro e registrou o maior tombo do país (-3,5%), na comparação com outubro. O resultado veio em um mês em que metade das 14 unidades federativas amargaram quedas. O mergulho foi ainda mais fundo na comparação com novembro de 2020 (-13%). Só cinco dos nove subsetores industriais sondados no Amazonas avançaram na variação anual, com destaque plásticos e duas rodas, em que pese o novo recuo de eletroeletrônicos e informática. O Estado só conseguiu permanecer no azul nos acumulados do ano (+6,8%) e dos 12 meses (+7%).

O setor terciário da economia amazonense voltou a apontar desempenhos divergentes. No mês da Black Friday, o varejo amazonense avançou 1,8%, na variação mensal, em medida mais forte do que a de outubro (+0,8%), mas insuficiente para repor as perdas de junho (-3,7%), julho (-2,8%), agosto (-1,6%) e setembro (-0,6%). Em relação a novembro de 2020, o decréscimo se manteve em 4,7%. O acumulado do ano ainda encolheu 1,2%, enquanto o aglutinado de 12 meses (-0,2%) entrou no campo negativo. E a mesma inflação que limitou vendas voltou a mostrar descolamento na receita nominal.

Em contraste, o setor de serviços do Amazonas retomou crescimento, em novembro. Houve expansão de 2,2% ante outubro de 2021, em resultado praticamente simétrico ao anterior (-2,3%). O resultado ficou perto de eliminar a perda de outubro, mas o ritmo ficou abaixo do registrado pela média nacional, tanto na variação mensal, quanto na anual. No confronto com novembro do ano passado, a elevação foi de 8,5%, índice também superior ao do mês passado (+6,5%). Foi suficiente para segurar a atividade no campo positivo, nos aglutinados do ano (+12,8%) e de 12 meses (+12,4%).

Os números da Sefaz indicam que o recolhimento estadual subiu 8,46% nominais, na comparação de novembro (R$ 1,41 bilhão) com outubro (R$ 1,30 bilhão). O confronto com o 11º mês de 2020 (R$ 1,21 bilhão) rendeu elevação de 16,67%, encorpando o acumulado do ano (R$ 13,12 bilhões) em 19,40%. As respectivas reais foram de 5,36% e de 10,32%. Já a arrecadação federal desacelerou 3,45% entre outubro (R$ 1,74 bilhão) e novembro (R$ 1,68 bilhão) e caiu 11,40%, no confronto com a marca de 12 meses atrás (R$ 1,89 bilhão). Em 11 meses, os cofres da União recolheram R$ 17,75 bilhões no Estado, registrando expansão de 17,49%. Descontada a inflação do IPCA, a variação anual foi negativa em 19,99%, enquanto a acumulada aumentou 8,86%.  

“Fraca recuperação”

O conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), professor universitário e consultor empresarial, Francisco de Assis Mourão Junior, avalia que a economia amazonense vem ganhando fôlego extra pelo reforço na arrecadação, conferido pelos efeitos na arrecadação estadual decorrentes da incidência da alta do dólar nos insumos do PIM, além dos próprios resultados da indústria incentivada. Sobre o recolhimento federal, lembra que o mês analisado costuma ser de menor faturamento das empresas e coincide com os fechamentos de seus balanços contábeis, o que acabaria impactando no desempenho do PIB.

Embora saliente que é necessário aguardar o fechamento de dezembro para que se tenha um quadro mais completo da dinâmica do PIB amazonense, o economista ressalta que os números locais do indicador do Banco Central já vêm sob a perspectiva de uma Selic se aproximando dos dois dígitos, de um dólar cada vez mais alto, e de uma economia com sinais de uma “fraca recuperação”. Diante disso, e da terceira onda da pandemia, 

“O PIB brasileiro está sob expectativa de encerrar o ano com alta de 4,2%.  Apesar disso, há a perspectiva de um novo aumento na taxa de juros, em virtude de a inflação continuar subindo e já estar na casa dos dois dígitos. Com isso, há uma maior prudência do consumidor. A economia também vem sentindo os baques da pandemia, principalmente depois do surgimento dessa nova variante e do aumento de casos surgidos na virada do ano. Teríamos de ver como vão ser os números do Estado, em dezembro. Mas, provavelmente vamos ter um começo de ano com desempenho mais fraco”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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