A crise não mudou as metas da Copag da Amazônia S/A para 2009. Mas, para enfrentar a turbulência do mercado e crescer 9% até dezembro com a manutenção de seu quadro de funcionários no PIM (Pólo Industrial de Manaus), a fabricante de cartas de jogar está cortando gastos e vai esperar a reação do consumidor antes de se decidir por um novo investimento.
Em 2008, quando a companhia comemorou cem anos, renovou as embalagens de baralhos e reforçou a linha infantil com personagens licenciados, aumentando a produção em 14%. O desempenho só foi conseguido, no entanto, graças ao corte de margens, uma vez que o faturamento teve elevação de apenas 2% em relação a 2007.
Um dos componentes da crise, a rápida sobrevalorização do dólar, a partir de setembro, pode dar algum alento às exportações da firma. As vendas externas cresceram entre 2006 e 2007, com a fatia da produção destinada ao estrangeiro subindo de 8,85% para 11,49%. Apesar das sobrevalorização do real, a empresa – que tem seus produtos nos principais cassinos do mundo – continuou apostando nesse mercado em 2008, com a aquisição de uma fábrica no México e abertura de um escritório no Chile.
Dados fornecidos pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam para queda de 23,75% nas exportações de cartas para jogar no ano passado, última estatística disponibilizada pelo órgão federal. A quantidade embarcada caiu de 116.488 (2007) para 94.134 dúzias (2008) em relação ao mesmo período de 2007.
A mudança de sinal do câmbio também prejudica o caixa da companhia, que ainda está pagando financiamento de valor expressivo – e não revelado – para aquisição de máquinas na fábrica. Por outro lado, assim como a maior parte das empresas do PIM, a Copag também trabalha com insumos importados e de custo crescente em seus produtos.
Esforço
Apesar das turbulências, a fábrica aumentou em 11% o seu efetivo durante o decorrer dos últimos 12 meses, período em que trabalhou no desenvolvimento de novos produtos. Nas palavras do presidente do Grupo Copag, Ricardo Albino Gonçalves Filho, a companhia só conseguiu alcançar resultados satisfatórios em 2008 graças ao esforço e dedicação dos colaboradores. Para 2009, pondera o executivo, tudo dependerá da demanda de mercado, algo difícil de avaliar neste começo de ano.
“Trabalhamos fortemente para reduzir custos sem sacrificar recursos humanos, mas admitimos que o momento é de muita cautela. Trata-se de uma forte crise mundial. Todavia, a Copag está confiante de que o governo brasileiro, em parceria com os setores da economia responsáveis pela geração de riquezas para o país, encontrará alternativas capazes de conduzir a economia sem fortes abalos, até que tudo se resolva”, amenizou.
Na avaliação do executivo, uma empresa não deve trabalhar pensando em enfrentar crises, mas em melhorar a eficiência da capacidade produtiva para trazer crescimento e alavancar a economia. Isso, ressalta ele, passa por investimentos capazes de promover melhorias nos meios de produção e na capacitação de recursos humanos. “Quando isso acontece, a empresa está preparada para enfrentar as adversidades inesperadas. Todavia, quando uma crise na economia se alonga por mais tempo, há necessidade de medidas drásticas. Mas, continuamos confiantes de que tal não venha acontecer”, tranquilizou.







