A crise pegou de surpresa a fabricante de relógios Dumont Saab do Brasil S/A, que se preparava para repetir a performance de crescimento de 2007 no ano passado e alcançar alta de 22% até 2010. A variação cambial e a retração no mercado consumidor comprometeram os resultados de sua unidade no PIM (Pólo Industrial de Manaus), que hoje trabalha com estoque elevado de matéria-prima e produtos acabados.
A empresa não divulga seus números, mas informa que os resultados de 2008 foram praticamente iguais aos de 2007. A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), por outro lado, aponta uma diferença significativa no desempenho da manufatura e das vendas de relógios de pulso e bolso do PIM. A produção cresceu 15,87% em relação a 2007, saltando de 5,67 milhões (2007) para 6,57 milhões de unidades (2008). A quantidade de peças comercializadas no mesmo período, no entanto, foi apenas 4,27% maior, com 5,86 milhões (2008), contra 5,62 milhões (2007).
Embalada pela recuperação do segmento e pelo incremento de 31% nas suas vendas em 2007, a Dumont havia se preparado para uma nova rodada de crescimento em 2008, agregando diversas grifes ao seu portifólio para seduzir os públicos feminino e de alta renda – Imporio Armani, Dona Karan, Diesel , Fossil e Burberry.
A idéia era aproveitar a cotação do dólar, que se manteve na faixa de R$ 1,60 até o fim do terceiro trimestre de 2008, para trazer as grifes ao país, por meio do corredor de importação da ZFM (Zona Franca de Manaus). Em um primeiro momento, a estratégia trouxe resultados, tanto que a fábrica – que já produzia os relógios Dumont, Condor e Timex – cresceu em torno de 30% nos oito primeiros meses de 2008.
Consequência
A chegada da crise ao PIM, por meio da derrocada do câmbio e da retração do mercado consumidor viraram o jogo, levando a Dumont a encerrar 2008 com números praticamente idênticos aos do exercício anterior. Como conseqüência, a empresa teve de refazer seu planejamento, demitir parte de seus 285 funcionários e ainda não sabe o que esperar de 2009.
“Não temos grandes projetos. Importamos muito no ano passado, mas a crise mudou completamente nossos planos. Não estávamos preparados para crise. Estávamos preparados para um ano melhor, em função do melhor desempenho 2007 e parte de 2008. Com o agravamento da crise o primeiro passo é enxugar custos”, lamentou o diretor da unidade da Dumont Saab em Manaus, Osmar Back.
Indicadores da Suframa dão uma dimensão do peso do cambio para o segmento. O total gasto pelas fábricas em insumos em 2008 foi de US$ 103.57 milhões contra US$ 76.04 milhões em 2007, uma diferença de 36,20%. Mais de 95% dos componentes vieram do estrangeiro (US$ 98.51 milhões) e ficaram à mercê da variação do dólar. A moeda norte-americana saltou 50% de 1o de agosto de 2008 a 1o de fevereiro de 2009, passando de R$ 1,56 para R$ 2,34, segundo o Banco Central.
O Sindicato das Indústrias de Relojoaria Ourivesaria de Manaus destaca que a produção de relógios de pulso no PIM é tradicionalmente movida pela importação das partes e peças, uma vez que esse tipo de tecnologia é dominado mundialmente por suiços e asiáticos – principalmente Japão. A mesma entidade acrescenta que, entre 1984 e 1989, o governo federal tentou incrementar a produção de componentes no pólo, mas a iniciativa gerou retorno em função da falta de continuidade dos incentivos fiscais.
Empresa vai plantar 500 arvores
O Grupo Dumont Saab está há 38 anos em Manaus, onde já aplicou mais de US$ 13.39 milhões em investimento fixo, segundo a Suframa. Seu sitio na internet informa que, recentemente, a empresa aderiu ao projeto CarbonoNeutro. A iniciativa visa neutralizar a emissão de CO2 (gás carbônico) na atmosfera, por meio do plantio de árvores. Na primeira etapa, que analisou a emissão da fábrica da capital amazonense, devem ser plantadas em torno de 500 árvores. A firma ainda passou a utilizar o selo “Em Dia com o Planeta” em seus anúncios e eventos promocionais.







