CPI quer fim de repasses federais ao MST

Em: 8 de setembro de 2015
A comissão defende o fim dos repasses a entidades ligadas ao MST, como consta em seu relatório final aprovado no final de 2005
A comissão defende o fim dos repasses a entidades ligadas ao MST, como consta em seu relatório final aprovado no final de 2005

Em meio às invasões de terras promovidas por integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em vários Estados do país, a extinta CPI da Terra do Congresso vai reencaminhar seu relatório final para integrantes do governo federal –com denúncias de repasses irregulares de verbas do Executivo para o MST.
A comissão defende o fim dos repasses a entidades ligadas ao MST, como consta em seu relatório final aprovado no final de 2005. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ex-presidente da CPI, disse que o governo e nem o Ministério Público Federal tomaram providências sobre as irregularidades levantadas pela comissão.
“O ministro [do Desenvolvimento Agrário] é novo, na época da conclusão da CPI ele não estava no governo. O relatório pode ser útil para que o governo verifique os convênios irregulares. As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público, mas as providências não foram tomadas”, disse Dias.
A CPI identificou, no final de 2005, o repasse de R$ 18 milhões da União para convênios firmados com cooperativas ligadas ao MST. Dias disse que o Executivo repassou, na época, os valores para a Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e a Concrab (Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária do Brasil) -consideradas pela comissão como o “braço jurídico” do MST.
No relatório final, a CPI pede a devolução dos R$ 18 milhões com o argumento de que a União financiou invasões de terras promovidas pelo MST. O texto também sugeriu ao Ministério Público o indiciamento de dirigentes de associações vinculadas ao MST, assim como a sugestão para que o MP considerasse como única entidade o MST, a Anca e a Concrab.
Na prática, a sugestão permitiria que os prejuízos causados por uma invasão de terras fossem pagos com recursos destinados a convênios com a Anca, que, como a Concrab, é um braço jurídico do MST. “Nem o ressarcimento foi acatado pelo governo. São recursos repassados a entidades que são braços jurídicos do MST”, afirmou Dias.
O relatório da CPI será encaminhado ao ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. “O relatório encontra flagrantes irregularidades em convênios firmados ente o governo e o MST. Enquanto não há regularização do convênio, o governo está proibido de repassar esses recursos”, afirmou o tucano.

Recursos públicos

Na semana passada, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse que o financiamento dos movimentos que promovem invasões com recursos públicos também é crime com sanções previstas na legislação brasileira.
Ao classificar as invasões de terras públicas e privadas de “ilegais”, Mendes disse que o governo não pode disponibilizar seus recursos para qualquer entidade ligada a invasões –sob pena de ser responsabilizado por esses atos.
“Há uma lei que proíbe o governo de subsidiar esse tipo de movimento. Dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude. Aí a responsabilidade é de quem subsidia”, afirmou o ministro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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