Mais dois meses de marcha acelerada, as vendas de veículos automotores do Amazonas saíram da pista no primeiro mês do ano. No total, foram comercializadas 3.671 unidades, 47,70% a menos do que em dezembro de 2021 (7.019), embora o resultado tenha superado a marca de janeiro de 2021 (2.146) em 71,06%. O Estado acompanhou a média nacional apenas na variação mensal, uma vez que as vendas do país derraparam também em relação ao ano passado. Em ambos os casos, o desempenho seguiu em linha com a crise de abastecimento e o repique da pandemia pela variante ômicron.
Os dados regionais referentes ao Amazonas foram disponibilizados pelo portal da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), nesta quinta (3). As informações foram amparadas pelos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), base de dados que leva em conta todos os tipos de veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas.
A regressão do segmento de revendas de veículos no Estado seguiu na mesma trajetória de desaceleração da média brasileira, mas foi melhor na variação anual. O setor como um todo recuou 31,64% em todo o país, entre dezembro de 2021 (337.604) e janeiro de 2022 (230.783). Em relação ao mesmo mês do ano passado (363.081), o tombo foi de 15,79%. As maiores baixas, em ambos casos, vieram das categorias de automóveis (-40,94% e -29,49%, respectivamente) e de comerciais leves (-34,80% e 23,19%).
Automóveis e motocicletas
Apenas uma das sete categorias listadas pela Fenabrave subiu na variação mensal, em resultado oposto ao de dezembro. O melhor desempenho proporcional veio novamente do segmento minoritário dos implementos rodoviários, que cresceram 19,05% (25) –contra os +61,54% do placar anterior. Na ordem inversa, as maiores quedas vieram das motocicletas (-50,99% e 1.712) e automóveis (-46,99% e 1.278), os majoritários da lista. Foram seguidos por caminhões (-41,98% e 76), comerciais leves (-41,52% e 517), ônibus (-20,51% e 31) e “outros veículos”, que incluem tratores e máquinas agrícolas (-20% e 32).
O oposto se dá, quando se leva em consideração a comparação com o desempenho de janeiro do ano passado. As motocicletas (+152,51%) aparecem com índice de crescimento de dois dígitos neste cenário. Na sequência estão “outros veículos” (+88,24%), comerciais leves (+41,26%), automóveis (+34,24%), e caminhões (+33,33%) também conseguiram aumentar vendas neste cenário. Em contraste, apenas os ônibus (-26,19%) e implementos rodoviários (-26,47%) começaram o ano ainda sustentando dados negativos.
Pelo sexto mês seguido, os carros convencionais cederam lugar para os veículos de duas rodas, no ranking das categorias mais vendidas no Amazonas. Apesar da desaceleração mensal, as motos continuaram na primeira posição, avançando na comparação dos dados de janeiro de 2022 (46,64%) com igual intervalo de 2021 (31,59%). Em paralelo, os automóveis voltaram a reduzir sua participação no bolo de vendas do Estado, no confronto do primeiro mês deste ano (34,81%) com igual intervalo do exercício anterior (44,36%).
Vale notar que os números também refletem, em parte, a dinâmica do mês anterior, em virtude dos entraves logísticos do Estado. Em matérias anteriores em reportagem do Jornal do Commercio, o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas) reforçou que os números locais devem ser levados sempre sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato de tempo que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado do veículo entre a fábrica e o Estado.
Juros e IOF
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio-diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, disse que o estrangulamento na oferta é mais acentuado nos “carros populares”, em detrimento de automóveis de luxo e SUVs. O empresário avaliou que a escalada dos juros e os maiores rigores na concessão de financiamentos contribuíram para a tendência e para a redução das vendas globais. “Acho que o cenário deve continuar assim, pelo menos até o meio de 2022”, sintetizou, ressalvando que a empresa atua em cenário “um pouco diferente” da “situação crítica” das concessionárias, ao trabalhar com multimarcas e mais abastecida.
A situação não é muito diferente no caso dos seminovos. Sócio e diretor administrativo da Daniel Veículos, Yuri Barbosa, conta que o movimento de janeiro levantou “grandes expectativas”. “A volta da alíquota antiga de IOF vai impulsionar bastante o crédito automotivo, com toda certeza. E a contínua falta de veículos novos também deve continuar impulsionando os preços e oferta dos carros novos, assim como a dos seminovos, que é o segmento em que atuamos. Projetamos um primeiro semestre de bastante crescimento, mas ainda fica meio incerto dizer algo para o segundo”, ponderou.
“Resultado conjuntural”
Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, assinalou que o resultado de janeiro é “conjuntural” e decorre principalmente dos baixos estoques das concessionárias, da “persistente falta de produtos” em decorrência da escassez de insumos, e também da sazonalidade negativa. O dirigente acrescenta que “as fortes chuvas” que vêm ocorrendo em vários pontos do país, assim como o aumento das estatísticas de contágio pela variante ômicron, têm provocado queda “na passagem de loja”. As incertezas que ainda pesam sobre a economia também seriam decisivas.
“Além desses fatores, a alta nas taxas de juros restringiu a aprovação de crédito para financiamentos. Também tivemos queda na renda do consumidor, pelo aumento da inflação, em que pese tenhamos tido melhora dos níveis de emprego no país. Avaliando a sazonalidade, lembro que a renda familiar fica mais comprometida em janeiro, em função dos impostos e gastos com matrículas e materiais escolares, por exemplo, o que acaba afetando a decisão de compra do consumidor”, finalizou.






