O vereador Luís Mitoso (PTB) pretende retomar a efervescência que viveu o futebol amazonense décadas atrás, quando jogos arrebatavam grandes torcidas, tendo como adversários Nacional e Fast Clube, o clássico Pai e Filho, clubes que fizeram histórias e chegaram a figurar em campeonatos nacionais.
Egresso de uma família que traz no sangue a paixão pelo futebol, Luís Mitoso se lança candidato à presidência da FAF (Federação Amazonense de Futebol). O pai e o tio (grandes personagens do futebol local) fundaram a entidade e ainda tramitaram pela Aclea, a associação de cronistas que reuniu nomes como o do jornalista Flaviano Limongi. Com muito saudosismo, torcedores amazonenses lembram até hoje do entusiasmo do lendário desportista ao comentar as disputas regionais.
Mitoso preside, hoje, o Manaus Futebol Clube, time que promete resgatar a mesma alegria proporcionada pelos campeonatos anos atrás. Ascendeu à Série C, enfrentou grandes adversários de outros Estados, incentivando outros clubes amazonenses a investirem cada vez mais nas categorias de base, com essa pretensão no cenário futebolístico.
Agora, a grande estratégia de Mitoso é reorganizar os campeonatos, capacitando profissionais e investindo em novos talentos, tanto na capital quanto nas ligas do interior. “Colocamos o futebol amazonense na vitrine. Precisamos investir na profissionalização, estreitando a relação com os clubes do interior, com uma gestão atuante e séria”, diz ele. “Temos que abrir as portas para muitos jovens talentosos, anônimos, capazes de proporcionar muitas alegrias aos torcedores, com possibilidades ainda de chegarem a ter projeções nacionais”, acrescenta ele.
O vereador também comenta a retomada dos trabalhos legislativos na CMM (Câmara Municipal de Manaus) que aconteceu recentemente. Fala sobre a exigência do passaporte vacinal, decretada pela Prefeitura de Manaus, que passa a ser exigido para acesso às escolas municipais a partir do dia 14.
Advogado, Mitoso diverge sobre essa medida por considerar uma violação da liberdade individual. “Entre o que diz a ciência e a legislação, prefiro ficar com o direito. Todos devem abraçar a legislação”, avalia. “Tomei as três doses da vacina. Ela é importante. Mas se deve dar às pessoas o direito de escolher se tomam ou não os imunizantes”, acrescenta.
O vereador anunciou também que não sairá candidato nas próximas eleições. Não critica os colegas que vão disputar o pleito, desde que cumpram suas obrigações legislativas. “Estamos na Câmara para exercer a função de representantes do povo. Ninguém deve atrapalhar essa atuação”, observa.
Luís Mitoso participou da live ‘JC às 15”, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio – A prefeitura estabeleceu a exigência do passaporte vacinal, um assunto que vem gerando muitas controvérsias. As escolas da rede municipal também exigirão isso dos alunos. Como avalia essa questão?
Luís Mitoso – Como advogado, não só como vereador, tenho a compreensão do direito. O princípio basilar do cidadão é o direito de ir e vir, não tem decreto nenhum que revogue a Constituição, que é o topo maior de nossas leis.
A lei soberana tem que ser abraçada por todos. Vejo que há um excesso de rigor em decretos com relação à vacinação das crianças. A primeira coisa do ser humano é a liberdade. O cidadão escolhe o que quer e o que não quer. Temos que fazer uma leitura dos doutores da ciência.
É preciso deixar essa questão com a orientação dos pais e do médico. E não tornar obrigatório. Os pais têm a tutela dos seus filhos. E decidem pelo sim e pelo não.
Vindo uma imposição de cima pra baixo não é adequado. Sou a favor da vacina, tem que vacinar, mas vejo também o lado do direito. Acredito na ciência, não na forçação de barra, na imposição.
JC – Estamos em ano de eleições. Podemos ter uma mudança importante, uma ruptura. A questão da vacina é um turbilhão, mais um elemento entre tantos, dividindo a sociedade. É uma pressão muito grande sobre os posicionamentos. Como vê esse momento político eleitoral?
LM – Somos seres políticos, vivemos numa sociedade. Temos que estar antenados, preocupados e participativos. É um erro crasso dizer que não vai votar em ninguém.
E quem não escolhe não pode reclamar amanhã. Vejo que há uma politização em muitos assuntos, que não deveria. Algumas questões estão sendo agravadas, potencializadas, e isso não é bom.
Temos ter três poderes no Brasil. Tudo está judicializando. Hoje tudo se leva até o Supremo, que é a corte maior, que é o último caso, depois de todos os recursos que devem avaliar.
A suprema corte deve tratar da Constituição. Hoje se está levando pra lá até uma briga de vizinho. Estão diminuindo o grau de importância dessa suprema corte. Isso desvaloriza até um pouco o legislativo e o executivo. É um divisor de águas. O povo brasileiro tem que participar ativamente desse movimento que vem com as eleições.
JC – Como avalia o início dos trabalhos na Câmara? Alguns vereadores devem disputar as eleições deste ano. Isso pode atrapalhar as atividades parlamentares?
LM – Em anos eleitorais, alguns vereadores se lançam candidatos no meio do mandato. Vejo que eles podem participar, mas é compreensível, desde que componham um trabalho legislativo junto com a campanha eleitoral.
Eu não sou candidato a nenhum cargo eleitoral. Mas tem que haver responsabilidade. Aquele que vai sair candidato nas próximas eleições, tem que primeiro saber que é vereador. Tem que cumprir a legislatura no seu completo exercício. Não sair com um recesso branco. Aí eu condeno. Vamos estar vigilantes.
JC – Estamos em ano de Copa do Mundo. Teremos eleições na FAF. E você colocou seu nome para disputar essa vaga. O que traz para acrescentar a essa federação, que é uma entidade muito tradicional, vivenciando hoje um soerguimento no futebol amazonense?
LM – Compõe chapa comigo um profissional do direito, exemplar funcionário do Tribunal de Contas do Estado, que é o Pedro Augusto, saindo como vice-presidente.
Estamos com 60 anos, mas com a cabeça jovem. Estou há 21 anos trabalhando no futebol, 12 no Nacional, num clube de renome. Comecei na categoria de base chegando até a presidência de um grande clube.
Em 2013, saí por uma incompreensão. Aproveitei, tive ideia de criar um novo clube em seis anos de uma gestão, conseguimos recolocar o futebol amazonense na vitrine do futebol brasileiro, tendo o Manaus na Série C.
Queremos emprestar todo esse cabedal de informações e de experiência no futebol para a FAF. A base nos interessa. É nessa pegada é que tenho falado muito aos amigos eleitores. Montando uma boa base, os clubes poderão sonhar em vender um atleta desses para fora do País. E sair fortalecido.
Futebol é dinheiro. Para o interior, tenho uma ideia de fortalecer algo que já existe, que é a Copa dos Rios, absorvendo esse legado. Eu vou colocar esse produto nos campeonatos de base, valorizando e fazendo um merchandising.
Com essa valorização, incentivamos as ligas do interior para que elas possam se profissionalizar, ter um futebol profissional. Vamos lutar e trabalhar por isso na federação.
JC – Os clubes do Amazonas vivem uma situação difícil. Não recebem patrocínio, não podem receber recursos do Estado por inadimplência. Como pretende trabalhar essa questão para o soerguimento das equipes?
LM – Nossa estratégia é trabalhar com uma gestão de capacitação. Claro, a FAF não pode fazer tudo, mas vamos colaborar. Promover treinamentos para capacitar profissionais nos clubes e também nas ligas no interior.
Podemos fazer plataformas de ensino a distância, que virou uma realidade com a pandemia. Queremos interligar o nosso interior com presidentes de ligas para fazer treinamento de níveis da CBF. Fazer um curso para os 61 municípios. Tem muita coisa boa, atletas que ficam no meio do caminho.
Temos muitas ideias, mas é preciso que também haja a vontade para recepcionar esses treinamentos lá na outra ponta.
JC – Estamos com o campeonato em curso, mas o decreto do governador limita o público nos eventos. Como está essa situação e em que momento poderemos ter a volta da torcida aos estádios? Não temos como pensar no futebol se não houver torcedores…
LM – isso tem trazido um dano muito grande para o futebol amazonense. O taxímetro começa a contar no mês. Já estamos indo para a terceira rodada sem público.
Há algumas incoerências, precisamos rever muita coisa. Não podemos ter público com mais de 200 pessoas, mas os ônibus continuam aglomerados, cheios de gente. Isso tem levado os clubes a estarem numa situação muito crítica. Muitos estão com dificuldades financeiras.
Temos falado com o governador a respeito desse decreto. Queremos o mais rápido possível que essas medidas sejam revogadas. O torcedor já é bom, é o décimo terceiro jogador em campo.
JC – Como é hoje a relação dos estádios com a FAF, o governo do Estado? Quem é o responsável por essas unidades?
LM – Acho que o decreto poderia ser revisto. Somos um dos poucos Estados que têm essas medidas para o futebol. Acho que foi muito rigoroso.
Mas o governador tem dado todo o apoio ao futebol. Numa reunião foi muito solícito, abriu as praças esportivas sem custos. Os clubes não têm nenhuma despesa com as praças esportivas do governo.
É um fato que deve ser aplaudido, é uma ajuda muito boa para o futebol amazonense.
JC – Antes, o futebol amazonense era respeitado. O jogo Rio-Nal movimentava muita gente. Hoje, sabemos que o Manaus tem alcançado um patamar muito à frente dos clubes tradicionais. Qual é o segundo time que pode realmente balançar um grande clássico?
LM – Hoje, o Manaus é o time que todos querem bater. Mas isso é bom. A rivalidade sadia é importante. O torcedor se envolve, se empolga. Hoje, está se criando uma certa rivalidade entre o Manaus e o Amazonas.
Tem o Nacional e o Fast, clássico Pai e Filho. Com o advento do Manaus, houve uma puxada de corda, vieram o JC (Itacoatiara), o Amazonas, o Cliper voltou, o Tarumã voltando, o Atlético Amazonense. Houve um chacoalhar no futebol amazonense.
O bom disso tudo também é que o Amazonas e o São Raimundo podem subir para a Série C. E quem ganha é o futebol amazonense. Há um campeonato muito igual, muito parelho.
JC – Você vai ter um concorrente para essa eleição da FAF. Qual o grande diferencial para o eleitor votar no Luís Mitoso para presidente da entidade?
LM – O meu histórico é que vai me credenciar para colocar meu nome na disputa. Estou há 21 anos no futebol amazonense, com passagem por um clube de expressão, como o Nacional, onde fiz a minha escola.
E com oito anos no Manaus, nosso grupo mostrou para o que veio. Por si só, o resultado já fala por mim. E nem fazer comparações com adversários, somos adversários, não somos inimigos
Eu aqui desse lado com o Pedro Augusto inseridos no futebol para promover benefícios. Não cheguei ontem.
Meu pai e meu tio são fundadores da Federação Amazonense de Futebol, da Aclea, associação de cronistas. O futebol está no sangue, desde pequeno acompanhando meu pai. Tenho um pai vivo que é o maior estímulo para mim, que quer que o futebol volte aos bons tempos. Meu pai é a minha melhor inspiração.







