FNO beneficia segmento comercial, industrial e hoteleiro

Em: 8 de setembro de 2015
O comércio e a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus), além do segmento hoteleiro, foram os principais beneficiados com a dotação de recursos do FNO (Fundo Constitucional do Norte) no ano passado
O comércio e a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus), além do segmento hoteleiro, foram os principais beneficiados com a dotação de recursos do FNO (Fundo Constitucional do Norte) no ano passado

O comércio e a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus), além do segmento hoteleiro, foram os principais beneficiados com a dotação de recursos do FNO (Fundo Constitucional do Norte) no ano passado. Dos R$ 338 milhões aplicados no Estado, por intermédio do Banco da Amazônia, o comércio foi contemplado com R$ 237 milhões, seguido da indústria que recebeu R$ 81milhões, enquanto ao setor de prestação de serviços coube R$ 20 milhões. Para a área rural, foi disponibilizado R$ 42 milhões, que foram injetados na agricultura, pecuária e na agricultura familiar.
Inicialmente, o Amazonas tinha uma dotação de recursos do FNO para o exercício de 2008 no valor de R$ 299 milhões e foi aplicado R$ 338, por conta da demanda de projetos. Se consideradas as aplicações de Roraima, esse valor atinge R$ 411 milhões. O superintendente regional do banco no Amazonas e Roraima, Antonio Carlos Benetti, informou que a totalidade de recursos aplicados no Estado, considerando o FNO mais a parte comercial do banco, somou R$ 502 milhões. Em 2007, esse somatório atingiu R$ 350 milhões, sendo R$ 227,5 milhões do FNO.
Diante desse incremento de aplicações, Antonio Carlos Benetti definiu o ano passado como promissor, cujas aplicações foram bem divididas entre o comércio, a indústria, o turismo e o segmento rural. Este último teve uma retração da demanda de projetos por conta das exigências da legislação ambiental. O dirigente informou que os proprietários rurais não estavam com seus imóveis ambientalmente legalizados. Ou seja, não tinham o CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural), documento emitido pelo Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) que constitui prova do cadastro do imóvel rural junto ao Sistema Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e a licença ambiental que é emitida pelo Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas).
A agricultura familiar também sofreu alguns revés no ano passado porque os produtores foram outros que tiveram dificuldades com a legislação ambiental por falta de documento das áreas ocupadas. Benetti informou que tais problemas levaram os produtores a receber os recursos somente a partir de outubro – perdendo o período de demanda, compreendido entre agosto a setembro.
Por outro lado, o turismo foi um setor bem contemplado em 2008. Segundo Benetti, foram financiados R$ 40 milhões em projetos, principalmente na construção de hotéis urbanos e rural. “O Resort Hotel, por exemplo, tem parte financiada pelo FNO”, informou, lembrando que o turismo tanto aparece no setor industrial, na construção de hotéis como no ramo de serviços, beneficiando bares e restaurantes.
As aplicações de recursos do FNO na indústria foram puxadas por empresas incentivadas pela ZFM (Zona Franca de Manaus), como os fornecedores de partes e peças para o setor de duas rodas, principalmente para a Moto Honda e a Yamaha. As pequenas indústrias do segmento eletroeletrônico, como as empresas de injeção plástica e de componentes, também receberam recursos do fundo. São projetos de médio e grande porte, disse o dirigente do banco, ressaltando que as microempresas receberam o aporte de recursos de R$ 26,6 milhões, em sua maioria do comércio e de serviços.
Os recursos do FNO são voltados para micro, pequenas, médias e grandes empresas que desenvolvam atividades nos setores mineral, industrial, agroindustrial, turístico, de infraestrutura, comercial e de serviços.

Aporte deve ser maior para 2009

O volume de recursos do FNO disponíveis para o exercício de 2009 só será anunciado no dia 17 de março por ocasião do seminário sobre Perspectivas de Negócios Sustentáveis para o Amazonas. Benetti disse que o anúncio será feito pelo presidente do Banco da Amazônia, que na ocasião vai assinar com o governo do Estado um protocolo de intenções onde o banco vai apoiar todos os programas de governo ligados ao desenvolvimento sustentável, em parceria com a iniciativa privada.
O dirigente explicou que o banco financia desde uma agroindústria de beneficiamento de açaí no alto Solimões, por exemplo, como outros projetos menores desde que tenha um empreendedor à frente do negócio, pois o banco não pode financiar o próprio governo. “O mesmo acontece com iniciativas junto ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), cujo banco financia as PPPs (Parceria-Público-Privadas) que entram nesses empreendimentos”,disse.
Antonio Carlos Benetti se absteve em fazer projeção de valores para este exercício, mas deixou escapar que deverá ser maior do que foi aplicado em 2008. Ele adiantou que existem diversas propostas em carteira sob análise no valor de R$ 127 milhões com recursos do FNO para este ano e mais R$ 60 milhões em financiamento de infraestrutura com recursos do FDA (Fundo de Desenvolvimento da Amazônia) para saneamento básico. “Pode ser para água e esgoto, para a iniciativa privada”, comentou.

Reflexos da crise

A crise financeira global não é motivo para reduzir recursos. Muito pelo contrário, Benetti aponta que serão incrementados os financiamentos para os empreendedores que fazem das dificuldades oportunidades. “O banco tem algo em torno de R$ 800 milhões de negócios prospectados, porém no momento estes investimentos estão em standby, aguardando o resultado do primeiro trimestre”, contou, lembrando que possivelmente em abril serão definidos os níveis de investimentos do banco.
A situação mais difícil segundo o dirigente, é das empresas exportadoras, porque sofrem as influências do que acontece fora do Brasil. Antes da crise utilizavam recursos externos para financiar as exportações, agora dependem da demanda por recursos internos. “O Banco Central está disponibilizando recursos das reservas para atender aos exportadores”, informou. No Amazonas ele disse que ainda não existe um programa voltado para estas empresas, mas não descartou que isso possa acontecer.

Ajustes internos

Segundo o superintendente do banco, muitas empresas estão aproveitando a crise para fazer ajustes internos, se reestruturando. Algumas estavam inchadas e estão se adequando face a esse momento econômico. “Por um lado, isso significa perda de mão-de-obra, o que não poderia acontecer porque afeta o consumo. Por outro lado, havendo injeção de recursos, a demanda de produção das empresas irá se recuperar”, disse.
Segundo o dirigente, até agosto e setembro de 2008 havia uma perspectiva de investimentos em torno de 30%, que talvez reduza em torno de 10% e 15% neste ano. “Temos informações de que alguns segmentos considerados críticos já apresentam melhora entre janeiro e fevereiro, se comparado a outubro e novembro do ano passado, o que indica que o cenário de produção para 2009 não será dos piores”, disse, ressaltando que mesmo o polo de duas rodas, que se fala muito de dificuldades irá obter recuperação nos próximos meses. “Talvez não na expansão anteriormente projetada, mas irão expandir com certeza”, completou.
Para 2009, o Banco da Amazônia está trazendo novo modelo de negócios, visando à segmentação dos clientes. A meta do banco é focar suas atenções para um atendimento voltado para pessoa física (varejo), jurídica (empresas) e aos clientes de grande porte. A intenção segundo Benetti, é ficar mais perto dos clientes e a partir daí oferecer produtos que possam atender às suas necessidades. Em 2008, o banco criou uma gerência voltada para a agricultura familiar, na agência da Sete de Setembro, onde são realizados os pequenos negócios agropecuários.
Em 2009 vai abrir uma agência com foco nos grandes clientes, que está sendo construída na rua Parintins esquina com a Castelo Branco. “Será voltada para os grandes negócios, principalmente com os clientes que estão no Distrito Industrial”, disse. Além disso vai ser construída uma agência em Tefé. Atualmente o banco possui duas agências em Manaus e sete no interior.

Programa Microcrédito

Uma das novidades do banco para este ano é o lançamento do programa Amazônia Florescer, voltado para os trabalhadores informais, com pequenos valores. O superintendente disse que está vindo uma equipe do Banco da Amazônia para lançamento do microcrédito na cidade. “Já existia um projeto-piloto em Belém (PA) e agora o banco estuda a viabilidade da implantação em Manaus”, informou.
Benetti disse que normalmente o banco passa os recursos para uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que faz a operacionalização dos recursos dentro de uma metodologia definida pelo banco. “É uma novidade para este ano”, disse, ressaltando que valores só serão divulgados após o levantamento de demanda.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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