Manaus é a capital com maior número de obesos

Em: 7 de fevereiro de 2022

Aos obesos, que procuram por uma solução para seu problema, a oportunidade é assistir ao ‘Obesus: 2º Seminário de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Obesidade’, que acontecerá em formato virtual na sexta-feira, 04, e no sábado, 05, pelo canal do YouTube, e plataforma Sisgeenco. O objetivo do seminário é fortalecer a discussão dos programas e ações de prevenção e manejo da obesidade na atenção à saúde na Região Norte. O evento tem o apoio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), via Parev (Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos), é promovido pelo Núcleo de Atividades Integradas do Instituto de Ciências Biológicas e da Faculdade de Medicina da Ufam e conta com a colaboração do Ministério da Saúde e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por meio do Projeto Obesus: enfrentamento e controle da obesidade no âmbito do SUS no Amazonas.

Dados da última pesquisa realizada pelo Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) do Ministério da Saúde, em 2019, apontam que, no Amazonas, 6,1% das crianças menores de cinco anos são obesas. Entre os adolescentes, essa prevalência é de 6,4%. Manaus tem 23,4% da população adulta bem acima do peso, segundo pesquisa da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas), sendo a capital com a maior porcentagem no Brasil. De 2006 a 2019, houve um incremento de 4,5% ao ano.

O Jornal do Commercio entrevistou a coordenadora do seminário, a doutora em Saúde Pública, Regismeire Viana Lima, para que ela explicasse melhor como está a situação da obesidade no país.

Jornal do Commercio: A partir de quantos quilos a criança e o adulto já podem ser considerados obesos?

Regismeire Viana Lima: Para verificar a obesidade devemos fazer uma relação entre o peso e a altura do indivíduo, então o IMC (Índice de Massa Corporal), peso ÷ (altura x altura) é utilizado como indicador da obesidade. Valores de IMC igual e acima de 30 em adultos é utilizado como ponte de corte para caracterizar a obesidade. Em crianças pode-se usar o IMC para a idade e utilizar os gráficos da caderneta de saúde da criança, do Ministério da Saúde, para descobrir a obesidade.

JC: Tudo parte da má alimentação e do sedentarismo?

RV: Estudos já realizados no Brasil indicam associações entre o consumo de alimentos ultraprocessados com a síndrome metabólica em adolescentes, com dislipidemias em crianças e com a obesidade em todas as idades. A prevalência de excesso de peso está inversamente correlacionada com a quantidade de parques e instalações esportivas, nas cidades, quanto mais excesso de peso menos parques e instalações esportivas.

JC: Quanto aos adolescentes existe mais um vilão, o celular, que os faz ficar o dia inteiro deitados no sofá, na cama, na rede, sem nada fazer.

RV: Existe uma pandemia de obesidade apesar do aumento do conhecimento, conscientização e educação sobre obesidade, nutrição e exercícios. A força para a crescente prevalência da obesidade em populações é o ambiente cada vez mais obesogênico (responsável por contribuir no ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando). Entender a relação entre o ambiente local e o excesso de peso é essencial para projetar intervenções e políticas mais eficazes para reduzir a obesidade em todas as idades.

JC: Que doenças a obesidade traz consigo?

RV: Condições crônicas como doença renal crônica, osteoartrose, câncer, diabetes mellitus, apneia do sono, doença hepática gordurosa não alcoólica, hipertensão arterial e doença cardiovascular estão francamente associadas à obesidade.

JC: Qual o tratamento mais eficaz, dieta, exercícios, mudança de hábitos alimentares e comportamentais?

RV: Mudar o ambiente é importante como estratégia de intervenção para prevenção e controle da obesidade. Se o ambiente é obesogênico, a obesidade se tornará mais prevalente e programas destinados a influenciar o comportamento do indivíduo podem vir a ter apenas um efeito limitado. Como as pessoas vão utilizar os recursos financeiros para comprar alimentos mais saudáveis está diretamente influenciado pelos ambientes alimentares que fornecem a elas opções de locais com vendas de alimentos naturais ou minimamente processados.

JC: Mas é um problema sério, que deve levar muito tempo para ser solucionado, e talvez nunca seja solucionado.

RV: As estratégias atuais não conseguem deter a pandemia da obesidade. Uma mudança na abordagem se faz necessária, diferente da visão tradicional que considera a obesidade algo pessoal que requer tratamento. A obesidade é uma resposta normal a um ambiente anormal em que vivemos. Entender, medir e alterar esse ambiente é importante para o sucesso no controle da pandemia.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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