Brasileiro está cauteloso e com olhos no futuro

Em: 8 de setembro de 2015
Em ano de crise, o brasileiro está mais consciente e cauteloso em relação a sua vida financeira do que no ano passado
Em ano de crise, o brasileiro está mais consciente e cauteloso em relação a sua vida financeira do que no ano passado

Em ano de crise, o brasileiro está mais consciente e cauteloso em relação a sua vida financeira do que no ano passado. Pesquisa da Fecomércio-RJ de abrangência nacional mostra que a intenção de consumo de bens duráveis para os próximos três meses registrou leve queda, de 17% para 15%, na comparação entre janeiro de 2008 e o de 2009.
Na contramão, o produto que registrou o maior avanço em pontos percentuais na pretensão de consumo foi o carro, que subiu 4 pontos (de 10% para 14%), ajudado por cortes na alíquota do IPI para alguns modelos. Fogão, televisão e geladeira aparecem a seguir com 10%, 9% e 9%, respectivamente, das intenções.
Ao mesmo tempo, a parcela de pessoas com prestação atrasada também diminuiu, de 14% para 13%, na comparação interanual. Entre os que estão em débito com os financiamentos, a maioria (68%) está com o carnê em atraso. Em seguida aparece o cartão de crédito (26%).
A pesquisa apontou que a organização financeira do brasileiro vai ao encontro do seu movimento orçamentário. Em janeiro de 2009, caiu de 55% para 52% o percentual dos que informaram que o orçamento seria a conta certa para pagar as despesas do mês, em relação ao mesmo período de 2008. Em compensação mais pessoas (25%) afirmaram que faltaria dinheiro na comparação com o ano passado (24%). O volume de brasileiros com sobra no orçamento avançou de 21% para 23%. Dentre os que registraram excedente financeiro, a opção poupar em caso de necessidade futura saltou 10 pontos percentuais (de 21% para 31%). Em segundo lugar aparece gastar com alimentação, que também cresceu de 21% para 27%. Poupar para gastar no futuro, apesar de aparecer na terceira posição, perdeu espaço entre as opções dos entrevistados (27% para 20%).

Precaução e experiência

Para o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, os números mostram que o brasileiro aos poucos põe em prática lições aprendidas com a estabilidade monetária e a maior formalização do mercado de trabalho. “O acesso a linhas de financiamento avançou concomitante ao crescimento do mercado consumidor interno, puxado pela classe C. Por outro lado, as famílias de menor poder aquisitivo, ao longo de 2008, sofreram proporcionalmente mais os efeitos da inflação, ao passo que as consequências da crise na economia real evidenciaram-se. Desse modo, menos consumidores em janeiro de 2009 pretendem adquirir algum bem durável nos próximos três meses, em comparação ao mesmo mês de 2008. Para impedir o agravamento desse cenário defendemos a redução do spread nos financiamentos e a aprovação do cadastro positivo, no Congresso. Desonerações como no caso do IPI para automóveis também são importantes.”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar