Embalados pela liberação da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados no Rio de Janeiro, o segmento de alimentação fora do lar quer fazer dessa premissa uma realidade em todo o país. Nesta semana, o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, informou que prepara um movimento para pedir a flexibilização total das medidas de distanciamento –inclusive a exigência do passaporte vacinal para ingresso em estabelecimentos –nos mais de 400 municípios onde a entidade tem associados.
Procurada pela reportagem do Jornal do Commercio, a Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – seccional Amazonas) informa que já está encaminhando ofícios com o pleito à Prefeitura de Manaus e ao governo do Estado. O recente anúncio do prefeito de Manaus, David Almeida, que o uso de máscaras em locais abertos não será mais obrigatório a partir da próxima quarta (16), “dependendo do número de casos registrados da Covid-19”, também animou os empresários da capital amazonense.
A Abrasel nacional estaria esperando apenas a poeira do Carnaval atípico de 2022 assentar, para verificar se não há novo pico da pandemia, para lançar sua ofensiva. Nesta quinta (11), o boletim diário da FVS-RCP (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto) contabilizou 552 novos casos de Covid-19. Foram confirmadas três mortes, por meio de critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial. Manaus tinha 42 pacientes internados, 27 em leitos clínicos e 15 em UTI –sendo que 11 deles não estão vacinados e apenas oito têm esquema vacinal completo. Há outros 14 pacientes internados na rede pública do interior.
“Primeiro passo”
Diante disso, o novo presidente da Abrasel-AM, Rodrigo Zamperlini assinala que a entidade vê com preocupação a manutenção da obrigatoriedade do uso de máscaras e a exigência do passaporte vacinal, em um cenário com “transmissão em queda” e “sistemas de saúde já sem sobrecarga”. O dirigente avalia que as restrições são mantidas sem embasamento científico, em uma realidade em que a “esmagadora maioria da população” já se encontra vacinada com ao menos duas doses. Segundo a Prefeitura de Manaus, até o começo do dia 8 de março, mais de 85% da população vacinável (pessoas com 12 anos de idade ou mais) já havia completado o ciclo vacinal.
“As restrições impostas a cidadãos e empresas, em função da pandemia, vêm sendo retiradas em diversas partes do mundo. Elas foram impostas em virtude do aumento nas contaminações, de modo a evitar a sobrecarga nos sistemas de saúde, seguindo as recomendações de especialistas e pesquisadores. Agora, com as taxas de contaminação em queda acentuada, e sem estudos que digam o contrário, essas restrições são retiradas em países como Espanha e Dinamarca. E mesmo em cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro”, frisou.
Rodrigo Zamperlini considera que a decisão do prefeito de abolir a obrigatoriedade das máscaras é um primeiro passo positivo e favorece o pleito do segmento de alimentação fora do lar, sendo “de maneira alguma isolada e descolada da realidade”. “Pedimos que essas restrições sejam revistas em Manaus e no Amazonas, de forma que possamos superar de forma ainda mais rápida a situação difícil imposta a todos nós, nos últimos dois anos, permitindo a retomada do comércio e a volta dos frequentadores aos bares e restaurantes”, reforçou.
Pesquisa da Abrasel nacional, realizada na última semana de fevereiro, com mais de 1.200 empresas de Norte a Sul do país, dá uma amostra das dificuldades que rondam os livros caixa do segmento. Em um ambiente de inflação e juros altos, 19% dos bares e restaurantes brasileiros já estão com as parcelas dos empréstimos do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) em atraso. Em paralelo, a fatia de empresários que registraram prejuízo aumentou entre dezembro de 2021 (31%) e janeiro de 2022 (43%).
“Escolhas individuais”
Questionado se não considera que a queda de estatísticas se deve não apenas à vacinação, como também ao emprego das medidas de isolamento social que a entidade quer abolir, o empresário disse que “não pode afirmar com certeza” o que leva ou não às ondas de infecção. Ele ressalta, contudo, que, pelo segundo ano seguido, o Estado teve um mês de janeiro com escalada no número de casos –guardadas as devidas proporções entre a “tragédia” da segunda onda e a “situação muito mais amena” da terceira.
“O que posso assegurar é que não há distanciamento social dentro do transporte coletivo, nos terminais e em diversas situações que levam as pessoas a formarem filas para buscarem atendimento em serviços diversos, sejam eles públicos ou não. E a falta de máscaras é cena comum nas ruas de Manaus. Também é nítido que, mesmo após mais de uma semana do término do Carnaval, e das viagens que costumam ser feitas a lazer antes e durante esse período, os indicadores da Covid-19 continuam a baixar. Ou seja, há sinais claros de que temos condições de retirar as restrições”, enfatizou.
Indagado se acredita que a liberação pleiteada traria mais clientes aos bares e restaurantes da cidade, ou se poderia causar efeito oposto entre os consumidores mais receosos de frequentar um estabelecimento já sem essas regras, o presidente da Abrasel-AM assinala que é difícil mensurar qual seria, de fato, o impacto no segmento da alimentação fora do lar. O dirigente conjectura que talvez a situação se configure até como uma de soma zero, sem nenhum efeito prático nesse sentido. De qualquer forma, ele destaca que não é esse o ponto mais relevante para a entidade.
“O que mais importa é que, nas condições que estamos vivendo de melhora constante nos indicadores da Covid-19, podemos deixar a critério de cada pessoa a decisão de usar ou não a máscara, de não ser obrigada a apresentar comprovante vacinal. E de escolher se quer frequentar o seu lugar favorito, seja ele um parque, um shopping, um restaurante, flutuante, bar, cafeteria, entre tantos outros. Ou mesmo permanecer no ambiente do seu lar. São escolhas e decisões individuais e que merecem ser respeitadas e resgatadas no momento atual”, finalizou.







