Covid: por que os casos na China estão aumentando?

Em: 14 de março de 2022
Um profissional de saúde realiza um teste finalizado em um local de testes de coronavírus fora dos Serviços Comunitários de Saúde Internacionais no Distrito Internacional de Chinatown durante o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Seattle, Washington, EUA, em 26 de março de 2020. REUTERS / Lindsey Wasson

País registrou quase 4 mil casos em um só dia, um recorde para a região que adota a política de “covid zero” desde o início da pandemia

Nesta última semana, a China vem registrando um aumento significativo no número de infectados pelo coronavírus. Somente no domingo, 13, um total de 3.939 casos foram confirmados — um recorde para o país, que nunca teve um registro tão alto em todos os dois anos de pandemia.

Agora, algumas cidades do país entram em lockdown como medida para conter o surto. A maior delas até o momento é Shenzhen, com 17,5 milhões de habitantes, enquanto Xangai vem fechando bairro por bairro e realizando testagens em massa. O governo chinês também disponibilizou autotestes para a população.

A China adota a política de “covid zero” desde o início da pandemia: isolamento social e testagens em massa em regiões com surtos da doença já viraram rotina para o povo chinês, mas vem gerando dúvidas sobre sua eficácia no longo prazo. Isso porque a população de países que não seguiram medidas tão rigorosas hoje aparentam estar mais imunizadas, tanto pelas vacinas quanto pela proteção natural após ter tido contato com o vírus.

Como a política de covid zero impediu que a população chinesa tivesse contato com a covid, a proteção natural pode ser menor. Porém, vale ressaltar que a China teve poucas mortes por conta da doença: foram 4,5 mil mortes para 116 mil casos registrados desde o início da pandemia. Para comparação, o Brasil tem quase 30 milhões de casos e mais de 600 mil mortes.

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Um profissional de saúde realiza um teste finalizado em um local de testes de coronavírus fora dos Serviços Comunitários de Saúde Internacionais no Distrito Internacional de Chinatown durante o surto de doença por coronavírus (COVID-19) em Seattle, Washington, EUA, em 26 de março de 2020. REUTERS / Lindsey Wasson

Além disso, com diversos países aceitando que “teremos de aprender a conviver com a covid” e passando a tratar a doença como uma endemia, a ideia da “covid zero” acaba soando menos realista com o passar do tempo.

Zhang Yan, uma autoridade de saúde da província de Jilin, que também entrou em lockdown, recentemente criticou as decisões do país: “Os mecanismos de resposta de emergência em algumas áreas não são robustos o suficiente, não há compreensão suficiente das características da variante ômicron e houve decisões equivocadas”.

Em entrevista à AFP, um morador de Shenzhen disse: “É a pior quarentena desde 2020. Uma amiga acordou de manhã e descobriu que seu prédio havia sido isolado durante a noite sem aviso prévio. Seu chefe teve de enviar um laptop para ela.”

Qual a variante por trás?

Tudo indica que a variante ômicron é a responsável pelo aumento no número de casos, especificamente a BA-2, sua subvariante. A cepa que causou uma nova onda de coronavírus pelo mundo no início de 2022 é mais transmissível e mais resistente à primeira leva de vacinas, mas novas versões voltadas para a ômicron serão distribuídas em breve por farmacêuticas como a Pfizer.

A agência de notícias Reuters afirma que mais de 30% dos casos de 2022 foram encontrados na província de Jilin, e que a região está lutando para conter a rápida disseminação da subvariante da ômicron. Um especialista em doenças infecciosas afiliado à Universidade de Xangai, Zhang Wenhong, também afirma que grande parte do surto é devido à linhagem BA.2. 

Por enquanto, o governo chinês indicou que continuará mantendo sua estratégia de covid zero. Wenhong alerta que os números estão nos estágios iniciais e indicam um possível “aumento exponencial” nas próximas semanas.

“Se nosso país se abrir rapidamente agora, causará um grande número de infecções nas pessoas em um curto período de tempo”, disse o especialista. “Não importa quão baixa seja a taxa de mortalidade, ainda causará um choque de curto prazo na vida social, causando danos irreparáveis ​​às famílias e à sociedade”.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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