Pressionados pelo fator econômico que envolve um dos principais custos para motoristas, que é o combustível, as empresas que administram os transportes por meio dos aplicativos 99 e Uber anunciaram as novas tarifas. Usuários estão pagando entre 5% a 6,5% a mais pelo preço da corrida.
Representantes da categoria disseram que a medida seria viável para os motoristas se os reajustes nas refinarias anunciados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) não divergissem em relação ao preço do percentual das corridas.
Não temos reajustes desde 2017, na verdade, esses aumentos anunciados pelas empresas são irrisórios comparado aos constantes aumentos no preço dos combustíveis que tiveram alta de 130%. O valor da corrida era R$ 3,25, hoje é R$7,49 não vejo nenhum tipo de saída paralelo aos constantes. É uma iniciativa paliativa, que aumenta os custos para os passageiros e não para os motoristas”, analisou Alexandre Matias, representante da Ameap-Manaus (Associação de Motoristas por Aplicativo de Manaus.
De acordo com o representante, as plataformas de transporte buscam essa forma de tentar compensar os gastos dos motoristas parceiros, mas as empresas cobram de 35% a 55% de tarifas por corridas. Para ele, é só um “brinde”, que na realidade não reflete de forma significativa no bolso do motorista. “Não vejo como favorável”.
Números mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que a taxa dos aplicativos junto ao aumento dos combustíveis apresentaram alta de 44% nos últimos 12 meses.
A Uber, por exemplo, anunciou aumento temporário de 6,5% no preço das corridas a partir desta semana. Segundo a companhia, a ideia é ajudar os motoristas a lidar com os custos operacionais que estão mais caros.
Além disso, a 99 garantiu acréscimo de 5% no valor pago por quilômetro rodado aos motoristas, o que também deverá ter impacto direto nos custos das viagens. De acordo com a plataforma, o reajuste deverá ser implementado já nesta semana nas 1.600 cidades onde a empresa opera. Além disso, a 99 estuda a concessão de uma espécie de subsídio para compensar a volatilidade nos preços dos combustíveis e evitar que os motoristas sofram com o ritmo de altas e baixas do mercado.
Informações da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o combustível, que também é derivado do petróleo, responde por um terço dos custos das linhas aéreas e tem mais de 50% de seus preços no Brasil indexados ao dólar.
Além do aumento das tarifas não acompanhar o dinamismo dos preços no mercado de combustível, os motoristas ainda trabalham com gastos na manutenção do carro. “É algo fora da curva. Este anúncio decreta ainda mais a falência da atividade. Vamos ter mais colegas deixando a plataforma. Não tem condições de manter os serviços ativos e a partir do momento acaba gerando custos maiores as despesas passam a ser também. Estamos desamparados”, desabafou o motorista Josué Saldanha.
Usuários questionam
Os reajustes que passaram a valer desde a segunda-feira (14), não agradaram nem um pouco quem usa o transporte rotineiramente. A funcionária pública Daniella Martins não concordou com o aumento. Percebeu que uma corrida que antes pagava R$13,90 saltou para mais de R$ 22. “Eu fiz três tentativas de solicitação. Todas apresentavam uma média desse valor. Eu estranhei, porque até o dia anterior eu pagava bem mais em conta”.
O universitário Giovani Silva, reclamou que o caminho de casa até a faculdade também ficou mais caro. Pela empresa 99 a corrida foi R$10 mais cara. Surpreso com a discrepância de valor ele ainda questionou o motorista. Foi quando soube que as tarifas haviam sofrido reajustes. “Não sei o que é pior; deixar o carro em casa ou optar pelos aplicativos de transporte”.
O maior tempo de espera causado pelo aumento do combustível, ainda é recorrente. A pedagoga Liane Oliveira, afirmou que o motorista justificou a demora ao aceitar a viagem porque com o aumento no preço da gasolina, corridas curtas não valem a pena. “Quer dizer que além de estarmos pagando mais caro para se deslocar ainda somos desrespeitados. Desde o ano passado que essa prática é comum. Eu sou a favor que o motorista seja punido.Quando o passageiro cancela a viagem tem que pagar uma taxa. Os motoristas devem ser cobrados por esses cancelamentos também”.







