O impacto do aumento da gasolina, chegou no transporte fluvial que estima reajustes no valor das passagens de barcos nos próximos dias. Os novos valores são objetos de reuniões entre membros da Anamazon (Associação dos Armadores no Transporte de Cargas e Passageiros do Amazonas) e donos de embarcações.
Fato é que assim como as empresas aéreas que cancelaram alguns voos em razão do aumento nos combustíveis, os armadores temem que o aumento no custo da navegação reflita na redução da demanda de viagens pelos rios.
A representante da associação, Railgila Torres Lacet, afirmou que não há como evitar o reajuste porque a depender da distância entre os municípios a medição dos gastos com o produto é maior. Ela exemplifica que a distância entre Manaus e o município de Tabatinga. Uma viagem costuma durar sete dias e o custo da passagem chega a R$ 425.
De acordo com a presidente da Anamazon, o aumento no preço do diesel tem aumentado sistematicamente. O valor do litro do produto hoje gira em R$ 5,20 no pontão e R$ 5,10 na distribuidora. Vale lembrar que o produto representa de 60% a 70% do custo operacional de uma viagem. Esse aumento deve ainda refletir na oneração do frete, que segundo ela, é necessário para manter certo equilíbrio. “As estivas que incluem a cesta básica daqui para Tefé gira em torno de R$1,00, já para Tabatinga que o percurso é mais longo R$1,80, um consumo bem maior”.
O armador André Luis, reiterou o movimento para que ocorra este aumento nas passagens, e dos fretes devido ao aumento substancial no valor do combustível e com o aumento isso impacta também diretamente em todas as outras despesas, alimentos, transporte de funcionários, peças de reposição, etc.
Ele afirmou que os reajustes dos fretes já foram alterados pois estavam defasados antes mesmo desse último aumento, em média de 30%. Ele demonstra preocupação com os impactos dos reajustes no setor. “Deve ter uma diminuição no fluxo de passageiros, aquele que iria a passeio vai segurar, os intransferíveis e urgentes vão se adequar aos novos custos para poder cumprir com seus compromissos”, considerou.
Ele também não descarta a oferta de barcos. “A redução de quem não conseguiu reservar algum valor para passar por intempéries, deve ser os que por conta do mercado irão ter que parar”.
Conforme a associação, os membros estão buscando diálogo para definirem o percentual dos reajustes Ao menos nas seis principais calhas, já estão ajustando as suas tabelas. Tefé. Alvarães e Uarini terão os mesmos valores reajustados. Alguns com poder aquisitivo menor manterão os preços.
Railgila Torres Lace enfatizou que o principal meio de transporte para a população da região Norte são as embarcações fluviais é essencial para locomoção de passageiros e mercadorias.
E questionou que se houvesse ajuda do governo para subsidiar o óleo diesel usado nos barcos o impacto dos reajustes não afetaria o consumidor. “Seguramos esse aumento durante a pandemia, mas agora é impossível, devido ao reajuste significativo no valor do produto”.
Segundo a presidente da Anamazon, ainda há reflexos no setor deixados pela pandemia. O decreto estadual suspendeu o transporte fluvial de passageiros em todo o Estado. Vale lembrar que representantes do setor entrevistados pelo Jornal do Commercio, na época, descreviam o cenário como desafiador porque não tiveram por parte do governo nenhum tipo de ajuda, seja em redução do ICMS do combustível ou aporte financeiro que pudesse ajudar o setor atravessar o momento.
Na ocasião, a categoria defendia que era necessário encontrar um equilíbrio que justificasse que o barco fosse operado apenas com a carga. E como o diesel representa de 45% a 50% do custo da viagem e desse custo 25% é ICMS, eles sugeriram que o governo suspendesse o tributo dos barcos para que eles pudessem comprar o combustível mais em conta e fazer uma viagem com o valor mais acessível e que nao onerasse o valor da mercadoria.
Por dentro
De acordo com o Sindarma, anualmente, são transportados 12 milhões de toneladas pela Hidrovia do Madeira. Por ela, passam os maiores comboios da navegação interior, chegando a 40 mil toneladas de grãos. Na seca, cada comboio consegue transportar 7 mil toneladas.
O Rio Madeira é um dos principais corredores logísticos do país e integra o Arco Norte – região que compreende os estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e segue até o Maranhão. Pela hidrovia do Madeira, ocorre o escoamento da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia, e insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus, além de alimentos e produtos produzidos na Zona Franca de Manaus.







