Mesmo que o Banco Central continue a fazer cortes na taxa básica de juros, a Selic, o spread bancário continuará alto. A principal razão é o risco de inadimplência apontado pelos analistas dos bancos, segundo o entendimento dos economistas Maílson da Nóbrega, José Márcio Camargo e Marcos de Barros Lisboa.
Eles participaram de um debate sobre crédito e taxas de juros em audiência pública conjunta da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) com a Comissão de Acompanhamento da crise financeira e da Empregabilidade. Também esteve presente à reunião o economista Luiz Guilherme Schymura de Oliveira.
Um dos principais objetivos dos presidentes da CAE, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e da Comissão da Crise, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), é encontrar uma fórmula para diminuir o spread, a diferença entre as taxas de juros pagas aos aplicadores e aquelas cobradas de quem pega empréstimos, hoje na casa dos 40%.
“Até quando teremos de amargar o maior spread bancário do mundo?”, perguntou Dornelles aos economistas.
Conforme diz acreditar o senador, a queda no spread significaria a queda das taxas de juros cobradas da maioria das empresas e pessoas físicas. Mailson, Camargo e Lisboa concordaram em que o risco de inadimplência é uma combinação de fatores estruturais com as dificuldades introduzidas pela atual crise de crédito internacional.
Os abalos nos mercados mundiais, ocorridos a partir de setembro, levaram à diminuição do crédito; corroeram a confiança geral na economia; e, de maneira concreta, restringiram a produção, o consumo e os empregos.
Essa atmosfera de insegurança levou os bancos a ficarem mais seletivos, optando por emprestar a tomadores de menor risco e a elevar as taxas como forma de se proteger de eventuais atrasos ou falta de pagamentos. “O crédito apertou tanto que grandes empresas brasileiras, sem crédito no exterior, pressionaram o mercado de dinheiro doméstico, diminuindo os recursos disponíveis aqui dentro”, assinalou Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Lisboa, professor da FGV-RJ (Fundação Getulio Vargas), lembrou que o spread vinha caindo em consequência da melhoria do padrão da economia brasileira e de medidas pontuais, como o incentivo do governo ao crédito consignado, que amenizou justamente o risco de inadimplência. Nessa modalidade de empréstimo, os juros são 50 % mais baratos do que o dos empréstimos convencionais.
Inadimplência é maior entrave à queda no spread, dizem economistas
Em: 8 de setembro de 2015
Mesmo que o Banco Central continue a fazer cortes na taxa básica de juros, a Selic, o spread bancário continuará alto
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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