O governo do Amazonas investe na recuperação de vicinais, uma iniciativa essencial para o escoamento da produção agropecuária, principalmente para o mercado consumidor de Manaus, onde vive a maior parte dos habitantes do Estado.
Segundo dados oficiais, em menos de quatro anos, mais de R$ 129,3 milhões foram investidos na recuperação de ramais e estradas. Ao todo, mais de 127 quilômetros foram totalmente reformados em 16 obras de infraestrutura, levando dignidade e facilitando o deslocamento de quem vive em áreas mais afastadas da capital, garante o governo estadual.
O governador Wilson Lima (União Brasil), que tentará a reeleição este ano, ressalta o que considera um dos maiores megaprojetos de sua gestão. “As obras são estratégicas para melhorar o escoamento e incentivar a produção agrícola no Estado. Por isso, 50 ramais em 24 municípios estão incluídos no cronograma de obras da Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana), um investimento superior a R$ 588 milhões”, afirma ele.
Na segunda-feira (28), Lima anunciou mais duas novas obras de grande impacto nas comunidades do interior. Trata-se dos ramais da Cooperativa e do Pau Rosa, que devem beneficiar cerca de mil famílias na zona rural de Manaus.
“Entregamos os ramais que dão acesso às comunidades indígenas, o que é importante do ponto de vista do desenvolvimento econômico, porque é a possibilidade de os pequenos produtores tirarem a sua produção para chegarem até aos centros consumidores”, afirma. “Mas também é desenvolvimento social, a possibilidade de um paciente chegar em segurança”, acrescenta o governador.
Comunidades indígenas avaliam que a zona rural terá mais benefícios. O vice-tuxaua da aldeia São Félix, em Autazes (distante 113 quilômetros de Manaus), Everton Marques, diz que o asfaltamento do ramal naquela região (ao longo da rodovia AM-253) atende a um anseio de mais de 30 anos de índios que vivem na localidade.
“Ficou mais fácil ir à roça e levar os nossos produtos para a aldeia. A farinha, a mandioca, a macaxeira, isso melhorou em 100%”, disse. “Somos muito gratos por essa infraestrutura”, acrescentou.
Em outro ramal do município, o Marechal Rondon, no km 91 da AM-254, a dona de casa Lindaura Guimarães, de 46 anos, afirmou que a vida da comunidade mudou completamente com a reforma.
“Mudou porque nós vivíamos aqui na lama, era um ‘buracal’ com tudo cheio de lama. Agradeço a Deus por estar agora esse ramal maravilhoso. Agora, nós andamos na chuva, não tem problema de lama, a gente sai na hora que quer. Tudo mudou na nossa vida porque antes era a maior dificuldade e estamos muito felizes”, disse.
Wilson Lima também anunciou a pavimentação dos ramais da Cooperativa e do Pau Rosa, localizados na BR-174. Segundo ele, os investimentos nas obras chegam a R$ 98,2 milhões. “Os trabalhos começam em julho após o período chuvoso e com o fim do processo licitatório do projeto”, informou.
Os trabalhos serão realizados pela Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Região Metropolitana). Os serviços consistem em terraplenagem, drenagem superficial e profunda, pavimentação e sinalização. Os ramais, que serão alargados e terão acostamento de cada lado, seguem o padrão do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), segundo o governo do Estado.
A nova concepção de engenharia garante maior durabilidade, menos necessidade de manutenção, além de dar maior segurança para motoristas e demais usuários desses ramais, ressaltou o governador.
Atividades
O ramal do Pau Rosa possui 32 quilômetros de extensão, além de outras 20 subvicinais ao longo da sua extensão. Conta com mais de 550 famílias no entorno, entre produtores rurais e residentes. Na área, destacam-se a produção de hortaliças e frutas, extração de madeira/artesanato, pecuária de pequeno porte e piscicultura. O ramal tem uma escola, uma UBS (Unidade Básica de Saúde), o prédio da Associação dos Moradores e uma feira comunitária.
Já o ramal da Cooperativa possui 33,5 quilômetros, com 22 subvicinais ao longo de sua extensão, que vai até o rio Tarumã, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima.
De acordo com a Seinfra, por não ter sistema de drenagem e asfalto, a via apresenta problemas que dificultam o trânsito de moradores e escoamento da produção. O fluxo de veículos é intenso e pelo ramal circulam carros de passeio, pick-ups, motos, ônibus escolares e caminhões do tipo baú, dentre outros.
A principal atividade econômica do ramal, onde residem mais de 450 famílias, consiste na agricultura e na criação de galinhas poedeiras e de corte, nas granjas situadas ao longo do ramal. O ramal da Cooperativa possui três escolas, dois postos de saúde e um posto policial.
Luciano Oliveira, o Falcão, é comerciante e está na região há dez. Ele conta sua experiência como produtor rural e piscicultor, empregando oito funcionários diretamente. “O asfalto vai desenvolver não só a cadeia produtiva como também a parte social. Isso vai impactar muito positivamente na parte de saúde, as escolas, vai ter uma melhoria muito grande aqui”, avalia.







