Bicho da Seda diversifica para manter negócio

Em: 8 de setembro de 2015
A estratégia de reforçar outros nichos de mercado em detrimento da indústria possibilitou à Bicho da Seda retomar o ­crescimento em fevereiro
A estratégia de reforçar outros nichos de mercado em detrimento da indústria possibilitou à Bicho da Seda retomar o ­crescimento em fevereiro

A estratégia de reforçar outros nichos de mercado em detrimento da indústria possibilitou à Bicho da Seda retomar o ­crescimento em fevereiro. Desde novembro de 2008, a fabricante de EPI (equipamentos de proteção individual) e de roupas escolares, profissionais e militares vinha sofrendo forte desaceleração por conta dos reflexos da crise na manufatura brasileira, foco de sua clientela.
A despeito das turbu­lências, a firma fechou 2008 com saldo positivo: ­incremento superior a 40%, número ­acima da meta para o período (35%). Em ­janeiro, contudo, registrou seu primeiro ­resultado negativo em dez anos: uma retração de 3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Entre 1998 e 2008 a fábrica havia crescido a taxas de 30%, em média.
Até então, o foco da BDS era a indústria, responsável por 60% das vendas. De novembro para cá, a clientela localizada no PIM (Pólo Industrial de Manaus) –nos segmentos eletroeletrônico e de duas rodas– e em outros Estados –indústria automobilística e de siderurgia– sofreu forte queda na representação do mix de faturamento da firma, reduzindo a fatia a 30%. Em contrapartida, escolas e construção civil aumentaram a participação no bolo, passando de 40% para 70% do total.
A mudança na fonte de receitas também foi geográfica. Segundo o diretor de tecnologia da Bicho da Seda, Augusto César Rocha, a maior parte dos negócios da companhia está vindo de fora do Amazonas. O executivo destaca que a expectativa inicial para 2009 era repetir o exercício anterior, mas os números do mês passado fizeram a companhia voltar ao otimismo.
“Estávamos muito pessimistas. Sentimos alguma melhora em fevereiro, embora ainda abaixo de nossas metas, mas os três meses anteriores foram terríveis. Tivemos de revisar nossos nichos de mercado, pois os antigos clientes não estão mais comprando e, com isso, o grau de alocação de nossos negócios no Amazonas está inferior ao de outros Estados”, analisou.

Redução de custo

O dirigente salientou que, embora tenha reduzido o volume de negócios com os tradicionais clientes da indústria, a crise também ajudou a empresa a conseguir novos compradores entre os prestadores de serviços do PIM. Isso ocorre porque, ao visar à redução de custo, a indústria está contratando novas empresas quando não consegue renegociar contratos com fornecedores antigos.
“Passamos a produzir para outras empresas com as quais não negociávamos. É claro que esses novos clientes tendem a preferir uniformes mais baratos para atender a demanda de redução de custo. Se antes compravam roupas com um bolso, por exemplo, agora passam a preferir sem bolso”, ponderou.
Por outro lado, a crise retardou os investimentos na ampliação da capacidade produtiva da fábrica. Embora garanta que os planos de duplicar a área da planta estão mantidos, que hoje trabalha com dois turnos, Augusto César Rocha avisa que as obras só serão concluídas quando o cenário econômico se mostrar mais positivo. “Trabalharemos em módulos. Nossa expectativa é ampliar a fábrica em 15% no primeiro semestre”, ressaltou.

Aposta deste ano é ­apresentar novidades

A crise não impediu a BDS de programar novidades para 2009. Em parceria com a ­Santista, a empresa desenvolveu recentemente um produto novo voltado para a indústria ­siderurgia, em especial na atividade de fundição, com o intuito de substituir a importação de tecidos e assim reduzir custos. O produto hoje encontra-se na fase de protótipo, mas deve ser lançado neste mês. A expectativa é colocar a novidade para três grandes clientes no próximo trimestre.
De olho no segmento militar, a fábrica está desenvolvendo, em parceria com um fornecedor australiano, um uniforme com tecido invisível a equipamentos de visão noturna e térmica, a ser lançado ainda neste ano. Por motivos estratégicos, a empresa prefere não entrar em detalhes em relação ao projeto, mas ­garante que já há interessados no produto.
Outra novidade para 2009, voltada para a indústria, é uma roupa especial antiestática para os trabalhadores do segmento eletroeletrônico, desenvolvida em parceria com um fornecedor asiático. O diferencial é o conforto, uma vez que o novo produto contém, além do tradicional nylon e fibra de carbono, 55% de algodão em seu tecido.
“Os modelos antigos eram muito calorosos. Desenvolvemos o produto no final do ano passado e tivemos bons resultados na experiência com um parceiro no pólo. Pretendemos colocar o produto no mercado ainda neste mês, embora o pólo eletroeletrônico não seja um grande comprador atualmente”, lamentou.

Lavanderia sustenta alta apesar da crise

Outro fator positivo que deu impulso à BDS foi o crescimento do segmento de serviços e a sinergia com a Fio de Água –empresa do mesmo grupo e responsável pela lavagem de roupas para indústrias, pessoas físicas e hotéis. Segundo Augusto César Rocha, os dois últimos foram os principais responsáveis pela alta, em especial o pólo hoteleiro.
“É como se não houvesse crise para esse setor. No caso dos hotéis, embora não estejamos em alta temporada, muitas empresas passaram a terceirizar o serviço de lavanderia e outras estão trocando de fornecedor, o que contribuiu para o crescimento nos últimos quatro meses”, explicou.
Para atender à demanda, a empresa espera triplicar sua capacidade com a ­construção de uma nova unidade até o fim de 2009. Pretende ­também desenvolver serviços personalizados para a clientela hoteleira, visando hóspedes ­fidelizados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar