Diante da crise internacional, o novo modelo do setor elétrico que completa cinco anos de implantação, já precisa de ajustes para superar eventuais problemas que estão surgindo na área. A avaliação é do professor Nivalde de Castro, coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétricol) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Castro apontou, entre os problemas eventuais, a questão do meio ambiente, que ainda está travando a construção de novas usinas hidrelétricas, e o mercado livre, com elevada volatilidade de preços, que gera incerteza para as indústrias que participam desse mercado.
Para debater esses e outros entraves ao desenvolvimento do setor, o Gesel promove nos dias 23 e 24 deste mês, no Rio, o seminário Cinco Anos do Novo Modelo: Realidade e Perspectivas para o Setor de Energia Elétrica. O encontro reunirá autoridades como os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Edison Lobão, de Minas e Energia, além de especialistas e empresários.
Para Nivalde de Castro, a crise financeira internacional não vai afetar de forma drástica o modelo em vigor no Brasil, porque ele tem fundamentos muito sólidos, principalmente os leilões que são realizados. Como exemplo, citou o leilão de linhas de transmissão de 2,5 mil quilômetros do Rio Madeira, realizado em novembro passado, que projetou investimentos em torno de US$ 3.3 bilhões.
Houve interesse por parte das empresas de participar desse empreendimento. E isso em um momento de crise grave que o mundo e o Brasil estavam passando. Essa é uma prova de que o modelo está blindado, porque ele se apóia em leilão, se apóia em contratos de longo prazo.
O coordenador do Gesel destacou a necessidade de que seja trazida mais bioeletricidade, como o bagaço da cana, e mais energia eólica (produzida a partir dos ventos), para a matriz energética, por meio da realização de leilões específicos para essas duas fontes renováveis. Isso servirá para evitar o que os especialistas já estão chamando de armadilha das usinas térmicas a óleo. É preciso, disse Castro, promover um ajuste na maneira como as usinas a óleo têm os valores fixados nos leilões.
O novo modelo do setor elétrico conseguiu se consolidar e superar todos os problemas herdados do modelo anterior, baseado quase exclusivamente na privatização dos ativos e do próprio planejamento, disse Nivalde.
A crise do apagão mostrou claramente que o modelo anterior não tinha sustentação e capacidade de resolver os problemas de investimento e de expansão do setor elétrico brasileiro.
O novo modelo foi iniciado entre 2003 e 2004 e hoje é copiado internacionalmente. O coordenador citou o caso do Peru, que está segundo informou, pedindo investimentos brasileiros por meio da Eletrobrás, para expandir a capacidade instalada do setor elétrico, de modo a evitar riscos de desabastecimento.
Novo modelo do setor requer reajustes
Em: 20 de março de 2009
Diante da crise internacional, o novo modelo do setor elétrico que completa cinco anos de implantação, já precisa de ajustes para superar eventuais problemas que estão surgindo na área
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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