Localizado no cinturão verde da Grande São Paulo, o assentamento Casa Grande, em Biritiba-Mirim, município próximo a Mogi das Cruzes, tem ampliado e diversificado a oferta de alimentos na região. Após fechar o mês de fevereiro com um total de 17 toneladas de produtos entregues ao PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os assentados atingiram no mês de março a média de cinco toneladas por semana.
Adquiridos pela Conab na modalidade Doação Simultânea, os alimentos são doados a cerca de 40 entidades assistenciais. O projeto é executado em parceria com a prefeitura de Mauá, que está destinando os produtos dos assentados também para o lanche das escolas municipais.
Para as 38 famílias do assentamento Casa Grande, o PAA tem sido uma forma de ampliar a comercialização sem a mediação dos atravessadores. “Antes, o que o atravessador não levava, a gente não tinha pra quem vender”, contou o agricultor Odair dos Santos.
Diversificação da produção
Outra consequência do programa foi a diversificação da produção. É o que explicou o assentado Mauro Aparecido Roque. “Antigamente a gente plantava só batata-doce. Mas, para entregar produtos para a Conab, tem que ter diversidade”, afirmou Roque. Ele optou pelo cultivo de verduras, como alface e rúcula. A maior parte da produção vai para uma grande rede de supermercados, mas via atravessador.
Para eliminar o atravessador, a comunidade planeja também criar uma cooperativa. Eles já possuem uma associação, que congrega também pequenos agricultores de fora do assentamento, de acordo com Benedita Santos Teixeira, presidente da entidade. No entanto com a cooperativa, seria possível, além de conquistar novos mercados, agregar valor aos produtos. “Nós podemos ter um rótulo com a marca da cooperativa”, explicou o assentado Dirceu Vitor Brasil Ribeiro.
Agroecologia em pauta
O meio ambiente sempre foi uma preocupação dos assentados. Segundo eles, a área vinha sendo explorada de forma predatória quando decidiram pela ocupação. Dirceu explica que, além de possuir remanescentes de Mata Atlântica, o assentamento está localizado numa área de mananciais que integra a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.
Após participar de cursos de capacitação, Dirceu abraçou a causa da agroecologia. Hoje, ele planta berinjela, pimentão, repolho e milho 100% orgânicos. Os venenos foram substituídos por extratos de plantas, como a samambaia e a primavera, que funcionam como repelentes de insetos. No lugar de adubos químicos, compostos orgânicos à base de esterco e capim.
Para quem duvida da eficácia da agroecologia, ele responde com números: de uma área de 5.000 metros quadrados saem cerca de 1.200 quilos de legumes por semana só para a Conab.






