Blockchain no agronegócio precisa ser explorado

Em: 17 de junho de 2022

Agregar soluções digitais à agricultura pelo uso da tecnologia blockchain é uma grande alternativa para o aumento da produtividade. O setor primário é considerado um campo fertil para a implementação desse processo inovador, no entanto, para que esse potencial avance no Amazonas, existem os desafios, o desenvolvimento de boas soluções em blockchain que demandam investimentos significativos é um deles. 

Segundo Daniel Goettenauer, especialista em Inovação do Manaus Tech Hub, o mercado tem avançado na implementação e no mapeamento de cadeias produtivas como por exemplo a do açaí favorecendo o uso da blockchain.Segundo ele, o projeto será lançado e deve começar em alguns meses. “É a primeira dentro da proposta com impacto na bioeconomia local”.

Conforme ele, o Manaus Tech Hub, espaço de Inovação Aberta do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, vem trabalhando em conjunto com uma startup para ter um produto explorando a tecnologia.  “Como toda nova tecnologia adotada, ela ainda é de custo elevado e se tem dificuldade em encontrar profissionais que atendam toda demanda gerada”. 

Para ele, os setores irão adotar a tecnologia de maneira gradativamente e será um diferencial de mercado, o setor primário no Amazonas pode usar esse recurso para atração através da garantia de origem e produção responsável.

Em seu artigo sobre o tema Daniel enfatiza que é possível  pensar a tecnologia blockchain como algo que permite aos usuários transferir valor, dados ou recursos, entre si, sem a necessidade de um intermediário tradicional (bancos, cartórios, etc). A troca é registrada em um “livro razão digital”, que é compartilhado por todos os usuários da blockchain. Este livro razão compartilhado fornece uma visão transparente dos detalhes dos ativos, incluindo quem possui o recurso, bem como informações descritivas, como, qualidade ou localização.

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Além do registro das informações, existe o conceito, chamado de “contratos inteligentes” ou “smart contracts”, que permite aos usuários codificar partes significativas de um processo, acordo ou tarefa de fluxo de trabalho. Desta maneira, quando ocorre uma transação, o software executa automaticamente uma ação ou conjunto de ações, de acordo com as especificações do “contrato inteligente”, que nada mais é do que um programa codificado para ser executado na blockchain.

No agronegócio, a tecnologia blockchain tem sido cada vez mais explorada para beneficiar o agronegócio em diversas áreas, como por exemplo na rastreabilidade, onde já é possível rastrear toda a cadeia de suprimentos. É possível saber também a quantidade de defensivos utilizados em uma determinada produção ou monitorá-la para certificar-se de que aquele pedaço de carne ou pacote de café tenha garantido um determinado processo desde a produção até o destino. Assim, cresce também a segurança do processo, pois, com mais rastreabilidade, diminui-se o custo e aumenta a eficiência em assegurar a produção e a logística, entre outras questões.

“Ainda estamos caminhando para o uso dessa tecnologia em larga escala no campo, mas é importante destacar que ela fortalece a confiança e a transparência das relações de toda a cadeia, antes, dentro e depois da porteira. Por fim, podemos dizer então, que o blockchain se torna uma prova concreta de respeito a todos os consumidores, tanto intermediários quanto finais”, descreveu. 

Desafios

Para o engenheiro agrônomo, produtor rural e presidente da Comissão do Jovem Rural da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Macaulay Souza,  expert em novas tecnologias para o setor rural, as inovações com base em blockchain possuem diversas aplicações que são transversais no mercado.

“No setor primário não é diferente, podemos ter soluções em blockchain para seguro rural, tokenização de ativos agrícolas, mecanismos de financiamento, rastreabilidade e etc”.  O desenvolvimento de boas soluções em blockchain ainda demanda investimentos significativos. Como qualquer outra tecnologia, não é ela por si só que fará a diferença, mas sim o modelo de negócio e o valor que as soluções irão gerar para o setor.

“A comunidade em torno de tecnologias em blockchain estão cada vez mais pensando em como criar soluções significativas para o mercado”. Ele explica que quando se trata dessas aplicações para região amazônica, pode-se dizer que conseguiríamos trazer mudanças significativas para algumas cadeias produtivas, principalmente se tratando de rastreabilidade dos processos envolvidos.

Entretanto as problemáticas relacionadas a conectividade e acesso ainda são desafios que impedem que essas tecnologias ganhem escala aqui na região.

Segundo ele, existem algumas iniciativas de projetos em blockchain que estão buscando desenvolver sistemas de rastreabilidade adaptados a nossa região, o grande desafio está no custo de implementação e acompanhamento dessas tecnologias no campo junto aos produtores.  “Mas uma vez que essas empresas se estabeleçam veremos avanços na organização de cadeias produtivas importantes para a Amazônia. Tivemos o boom dos NFTs e tokenização de ativos que muita gente não enxergou valor nos modelos criados”. 

De acordo com Souza, há uma oportunidade significativa para criar-se modelos de negócios baseado nas aplicações de blockchain que possam gerar valor para produtos da agro sociobiodiversidade da Amazônia. “Desde os processos de rastreabilidade dos produtos trazendo transparência para o mercado, modelos para financiamento da produção até criação de aplicações híbridas que convergem o mundo digital com o físico.Essas tecnologias não estão fora da realidade, se não forem desenvolvidas localmente, certamente estaremos implementando soluções já testadas em outras regiões”, explicou. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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