Depressão, nunca mais!

Em: 11 de maio de 2009
Em artigos anteriores falamos em depressão no contexto do trabalho e o quadro sintomático geral, que deve manter em alerta os que passam pelo problema e os seus familiares, de forma a evitar a cronificação da doença
Em artigos anteriores falamos em depressão no contexto do trabalho e o quadro sintomático geral, que deve manter em alerta os que passam pelo problema e os seus familiares, de forma a evitar a cronificação da doença

Em artigos anteriores falamos em depressão no contexto do trabalho e o quadro sintomático geral, que deve manter em alerta os que passam pelo problema e os seus familiares, de forma a evitar a cronificação da doença.
Vários fatores podem desencadear um episódio depressivo, como perdas de entes queridos, mudanças bruscas do modo de vida, catástrofes naturais, perda de emprego, doenças graves, acidentes com comprometimento físico, fracasso profissional, entre outros, observando-se que algumas pessoas parecem ser mais vulneráveis ao transtorno. Doenças neurológicas, perturbações endócrinas, uso de drogas ilícitas e alguns fármacos estão entre as causas da depressão de origem orgânica, sobre a qual não nos deteremos. O contexto familiar e social na qual a pessoa está inserida, as relações afetivas (frágeis ou fortes), a história de vida do indivíduo, são fatores que influenciam de forma positiva ou negativa no desenvolvimento e recuperação do deprimido.
Podemos falar em prevenção de episódios depressivos? Com certeza, em certa medida, podem ser tomadas medidas preventivas em nível secundário para que um quadro depressivo não se instale ou cronifique, mas não para “evitar” a depressão, pois os fatores subjetivos que entram em jogo são suficientes para estabelecer uma margem de incerteza sobre como uma pessoa vai reagir diante de uma situação que pode deprimi-la. O que se pode fazer, preventivamente, é buscar ajuda profissional assim que os primeiros indícios, já mencionados, apareçam. Pode “não ser nada”, mas a gravidade vai ser avaliada pelo médico ou psicoterapeuta, para as medidas necessárias em cada caso.
O tratamento da depressão varia individualmente, e o objetivo maior é a restauração do funcionamento psicossocial do indivíduo, não somente a melhora momentânea. Uma avaliação diagnóstica vai subsidiar a decisão quanto ao uso de antidepressivos, sob prescrição médica, com monitoração das respostas clínicas e revisão da farmacoterapia, se necessário. Os familiares do pacientes devem receber do médico orientações sobre o uso dos medicamentos, para acompanharem a evolução do tratamento com mais tranqüilidade, sabendo, por exemplo, quanto tempo leva o remédio para produzir resultados, os efeitos colaterais ou secundários mais comuns, o que se pode fazer para minimizar esses efeitos, a duração do tratamento etc.
A conduta medicamentosa exclusiva, na maioria dos casos, não é suficiente para o tratamento do transtorno depressivo, devendo ser associada à psicoterapia para garantir que sejam tratados não somente os sintomas, mas também as causas da depressão, prevenindo as recaídas.
Vários estudos clínicos têm comprovado a eficácia de técnicas psicoterápicas, como a terapia cognitiva comportamental, psicoterapia interpessoal e psicoterapia dinâmica breve, entre outras, nos quadros depressivos. A prática clínica permite avaliar que o tratamento de formas mais leves de depressão tem evolução positiva somente com psicoterapia, ou com esta associada a terapêuticas complementares como relaxamento, atividade física programada, massagem e acupuntura, por exemplo.
Um lembrete importante: apesar de causar grande sofrimento, a depressão não é um “mal sem remédio”. Em muitos casos, ao enfrentar o problema a pessoa tem a chance de rever valores, estilo de vida, hábitos e condutas desfavoráveis à sua saúde mental e consegue fazer da crise uma oportunidade de crescimento e vida mais plena.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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