Material de construção espera recuperação de 1,5%, em maio

Em: 13 de maio de 2009
Passado o primeiro mês desde o decreto de desoneração dos produtos do segmento que fez o varejo crescer 25% em todo o país no mês de abril, os lojistas de materiais de construção em Manaus esperam o aumento de até 10% no volume de vendas dos produtos
Passado o primeiro mês desde o decreto de desoneração dos produtos do segmento que fez o varejo crescer 25% em todo o país no mês de abril, os lojistas de materiais de construção em Manaus esperam o aumento de até 10% no volume de vendas dos produtos

Passado o primeiro mês desde o decreto de desoneração dos produtos do segmento que fez o varejo crescer 25% em todo o país no mês de abril, os lojistas de materiais de construção em Manaus esperam o aumento de até 10% no volume de vendas dos produtos intermediários (tubos de conexões e caixas d’água) e de acabamento (cerâmicas, tintas, louças sanitárias, forros e materiais elétricos) em maio, em comparação ao mês anterior.
Após acumular baixa cíclica de 12% nos últimos três meses do ano na comparação com o mesmo período do ano passado, o segmento espera ainda uma recuperação de 1,5% ainda neste mês em relação ao volume das vendas observadas em abril. Os dados, divulgados pelo presidente da Acomac (Associação do Comércio de Materiais de Construção do Amazonas), Ivan Benzeckry, apontam que esse reaquecimento deverá seguir até meados de outubro, momento em que as redes do varejo poderão obter um crescimento médio de 20% nas vendas.

Comércio regulado

Benzeckry explicou que, enquanto segmento básico da construção civil, o comércio manauense, nos últimos três meses, ficou muito mais regulado à situação das chuvas e à expectativa da última parcela de pagamento do imposto de renda que necessariamente à desoneração de tributos como ocorreu no restante do país. “Acredito que já neste mês as empresas que fizeram o dever de casa em termos de redução de custos e enxugamento de estoques deverão ter um crescimento percentualmente em torno da metade do ­observado em maio do ano passado”, calculou.
O fato de os materiais de construção não sofrerem tributação de IPI e PIS/Cofins na capital amazonense pode fazer a diferença no cômputo geral do segmento em nível de Brasil, mesmo a despeito da suposta freada na indústria da construção civil. Nos cálculos de Benzeckry, em relação a abril, as vendas em maio devem aumentar entre 5% e 10%, sendo que o primeiro pico no consumo é julho.
“Este período combina com o início efetivo do verão, quando as pessoas já se preparam para as reformas de fim de ano, enquanto o segundo pico de vendas começa em setembro. Mesmo assim, talvez venhamos a ter uma demanda menor por produtos básicos (cimento, tijolo, telha, areia, seixo, ferro) neste ano em Manaus”, afirmou.

Grande demanda por materiais de construção força redução dos preços

A tendência apontada por Benzeckry em relação ao varejo da capital amazonense segue no oposto do observado em outras capitais pelo presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz, para quem o represamento ocorrido pela redução nas vendas no início do ano fez crescer as vendas dos produtos incluídos no pacote de desoneração em 25% durante o mês de abril. “A grande procura forçou a redução dos preços que influenciou por sua vez os consumidores que pretendiam reformar, já que a desoneração, inicialmente, vale até junho”, completou.
Para o empreiteiro Reginaldo Lins Pavão, atuante no segmento de louças sanitárias e materiais elétricos, a expectativa é de que a ampliação dos financiamentos para reforma e compra de material de construção, conforme publicado no Diário Oficial da União, também estimule as empresas interessadas em iniciar obras logo após o período das chuvas. Na ponta do consumo, segundo o empresário, apesar das promoções sazonais, o preço final tem sido outro fator que distancia o cliente das compras. “Quem precisa utilizar materiais, como tintas e vernizes, reclama com toda a razão que ainda não percebeu qualquer diferença no orçamento. Acreditamos que o clientes vão sentir a queda de preços somente daqui a 45 dias, com a chegada do verão”, defendeu.
As novas regras às quais se referiu Pavão abrangem as linhas de financiamento que usam recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). O limite de empréstimo para reforma ou compra de material de construção aumentou de R$ 70 mil para R$ 80 mil.
O presidente da Anamaco, Cláudio Conz, que integra o GAC (Grupo de Acompanhamento da Crise), criado pelo governo federal no início do ano para acompanhar os reflexos da crise econômica internacional nos setores da economia brasileira, afirmou que, tem solicitado, durante os encontros do grupo, que as operações de microcrédito contemplem a compra de material de construção. Este processo, explicou o executivo, “é feito pelos bancos utilizando 2% do compulsório sobre os depósitos à vista, e atualmente a legislação não permite o uso deste valor para o setor”.
Os dados da Anamaco demonstram que em nível nacional os primeiros quatro meses do ano ainda não conseguiram recuperar as perdas do primeiro bimestre de 2009. “No acumulado do ano, estamos com um resultado próximo de zero, o que podemos considerar muito bom, pois viemos de um crescimento em 2008 de 9,5%”, diz Conz. “Acreditamos que manteremos de maio a novembro uma média de crescimento de 8%, sempre comparando com o mesmo período de 2008, projetando um crescimento total para 2009 sobre 2008 de 5,5%”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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