O diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima, disse na quarta-feira que o Brasil tem dificuldades para manter a autossuficiência de petróleo. Segundo Lima, em alguns meses a produção de petróleo tem caído, ficando abaixo do consumo.
“De vez em quando se vê na imprensa que o Brasil não tem mais autossuficiência, é verdade. Nós não estamos com uma margem de produção sobre o consumo (muito grande) e não estamos conseguindo que isso seja uma vitória definitiva, consumada, segura’’, afirmou, em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
Produção do pré-sal
Lima frisou, porém, que essa situação mudará totalmente com a produção do pré-sal. Ele lembrou que a expectativa é de que as reservas abaixo da camada de sal tenham cerca de 50 bilhões de barris. “Com a previsão do pré-sal, o objetivo da autossuficiência deixa de ser significativo.O objetivo agora é “vamos exportar o quê?’’, completou.
Lima ressaltou ainda que o risco exploratório no pré-sal é considerado pequeno e que isso permite ao governo exigir maior participação nos lucros da produção.
Lima já defendeu publicamente o aumento no percentual de participação especial a que o governo tem direito em campos de grande produção, o que poderia ser feito sem modificações legais. Uma comissão interministerial, da qual o diretor faz parte, estuda mudanças no modelo de produção de petróleo no pré-sal, mas ainda não concluiu os trabalhos.
Opep reduz previsão de demanda
A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu na quarta-feira a previsão de demanda de petróleo para 2009 em 1,8%, em mais uma consequência da recessão mundial.
“Persistem riscos consideráveis no mercado petroleiro, que continua desequilibrado pela baixa constante na demanda e pela superprodução crescente”, adverte a Opep em um relatório mensal.
Segundo o cartel, a demanda deve registrar uma contração no ano de 1,57 milhão de barris por dia (mbd), a 84,03 milhões, contra 85,59 mbd em 2008.
A Opep havia anunciado em março uma previsão de queda de 1,37 mbd. As novas revisões sobre a queda do PIB (Produto Interno Bruto) global levaram “a um novo rebaixamento dos prognósticos da demanda mundial de petróleo em 0,2 mbd, principalmente por causa das Américas”, apontou a entidade.
Com esse contexto de queda da demanda, a Opep analisou que a recente alta nos preços do petróleo -na terça-feira passou de US$ 60 no mercado norte-americano- deverá ser de curta duração e é sustentada apenas pelo enfraquecimento do dólar ante outras moedas fortes.







