A universalização dos serviços é o principal desafio da Defensoria Pública no Amazonas, na avaliação do presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado (Adepam), Clóvis Barreto. Segundo ele, o déficit orçamentário, bem como o de pessoal, é hoje a principal causa da insuficiência de atendimentos por parte da Defensoria Pública à população. Ele informou que, atualmente, apenas 51 defensores estão na ativa no Amazonas. Eles são responsáveis pela atuação na capital e em apenas sete dos 61 municípios do interior do Estado.
A balança da Justiça está desequilibrada no Amazonas. Para se ter uma ideia, o orçamento do Ministério Público, que é o órgão estatal titular da acusação penal, é seis vezes maior que o orçamento da Defensoria Pública, ou seja, o braço que defende. Com isso, o braço que acusa tem muito mais força do ponto de vista orçamentário que o braço que defende. Isso sem falar no número defasado de defensores para atender a uma população cada vez maior, declarou Barreto, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo dados da Adepam, o Amazonas apresenta umas das menores taxas de cobertura do serviço da Defensoria Pública do país. Para cada 50 mil habitantes, existe apenas um defensor. Em comparação a outros Estados da região Norte, o Amazonas apresenta um quadro de profissionais semelhante ao de Roraima, apesar de ter uma população quase seis vezes maior. O Estado do Pará, por exemplo, possui, aproximadamente, 250 defensores.
Para Barreto, a presença do defensor público nos municípios constitui-se em elemento essencial para a construção da cidadania. Diagnóstico recente apresentado pelo Ministério da Justiça revela que a cada R$ 100 do orçamento estadual destinados a instituições jurídicas, somente R$ 3 vão para as Defensorias Públicas.
A Defensoria Pública valoriza o cidadão porque ele se sente importante e tem a quem recorrer quando porventura tenha um direito violado. Apesar da deficiência clara nos quadros da Defensoria Pública em todo país, a instituição tem papel fundamental para a promoção gratuita dos direitos do cidadão brasileiro, finalizou.
De janeiro a dezembro de 2008, a Defensoria Pública do Amazonas realizou 113.519 atendimentos na área de família (62, 5%); 13.609 (9,89%) na área cível; e 10.358 (7,5%) na área criminal. Na área de serviço social, 12.038 (9,89%) casos foram atendidos.
Segundo dados da Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), há cerca de 5 mil profissionais em todo o país. O ideal, entretanto, era que esse número chegasse a pelo menos 12 mil defensores.
Entidade classista diz que há déficit de defensores públicos no Amazonas
Em: 21 de maio de 2009
A universalização dos serviços é o principal desafio da Defensoria Pública no Amazonas, na avaliação do presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado (Adepam), Clóvis Barreto
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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