Guerra de Tróia chega ao palco do Teatro Amazonas

Em: 22 de maio de 2009
No palco do Teatro Amazonas, já é possível ver a estrutura cenográfica da ópera “Os Troianos”, de Hector Berlioz (1803 – 1869) quase toda montada, sendo composta por andaimes que ocupam as laterais e o fundo de cena, até a altura do teto
No palco do Teatro Amazonas, já é possível ver a estrutura cenográfica da ópera “Os Troianos”, de Hector Berlioz (1803 – 1869) quase toda montada, sendo composta por andaimes que ocupam as laterais e o fundo de cena, até a altura do teto

No palco do Teatro Amazonas, já é possível ver a estrutura cenográfica da ópera “Os Troianos”, de Hector Berlioz (1803 – 1869) quase toda montada, sendo composta por andaimes que ocupam as laterais e o fundo de cena, até a altura do teto. O espetáculo será encenado às 18h, no próximo dia 24.
O cavalo no centro do palco chama a atenção –uma grande estrutura que representa a cabeça do animal, inteiramente feita com tábuas de madeira. A mostra já revela um pouco da grandiosidade e a ousadia da montagem da ópera “Os Troianos”, que ainda enfocará a questão do sincretismo religioso, unindo elementos africanos e de tribos indígenas locais, aspecto que faz do espetáculo um dos maiores destaques da programação do 13º Festival Amazonas de Ópera, iniciativa do governo do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, com patrocínio do Bradesco e apoio da Petrobras.
O diretor cênico e iluminador do espetáculo, Caetano Vilela revelou que passou um ano estudando a respeito da obra, até chegar a uma visão final e muito clara sobre o que queria mostrar. “Esta é uma história que não tem nada de amor, ela é mesmo sobre poder e guerra. Reli os contos clássicos de “Eneida” de Virgílio, em que se baseia a ópera e tive a sensação ainda mais forte de que o objetivo é mesmo tratar sobre esses dois assuntos de forma veemente, por isso pensei em um espetáculo que pudesse celebrar quase que ritualisticamente esses elementos”, contou o diretor.
Segundo Vilela, um dos principais direcionamentos para esta montagem é trabalhar a questão da ancestralidade e a antropologia teatral, especialmente, através do sincretismo religioso em diversos aspectos do espetáculo. “Fiquei com essa ideia de que ficaria muito forte e bem marcante trabalhar representando cada herói da história através de um equivalente orixá. Isso me ocorreu porque parte da trama se passa em Cartago, na África. Mas, resolvi não parar por aí e também abordar um pouco dos rituais indígenas, visto que eles ainda têm grande influência na cultura local e contextualizá-los para os dias de hoje. Então, teremos a união desses dois elementos nesta ópera, especialmente no balé e na figuração, em que serão apresentadas, de maneira muito forte, aspectos dos rituais indígenas e africanos”, revelou.
As cenas de batalhas e lutas que permeiam toda a trama de “Os Troianos” também serão mostradas através de uma concepção totalmente inusitada. De acordo com ­Caetano Vilela, a encenação desses trechos ficará a cargo de lutadores especializados em diversas modalidades como o muay thai, luta grego-romana, jiu-jitsu e capoeira. “Fiquei pensando sobre como fazer as cenas de lutas de uma forma diferente e acabei descobrindo que aqui em Manaus há um verdadeiro polo para este tipo de atividade, o que foi ótimo porque minha intenção é realmente passar a noção de que estamos olhando para aquelas arenas romanas de luta. Nesse sentido, outro elemento que concorre para essa ideia é o fato de que o centro do palco é totalmente livre, pois o objetivo é o de poder montar quase que um desfile de todas estas tradições de lutas combinadas e onde elas apareçam livremente”, explicou o diretor.
Depois da estreia no dia 24, outras récitas do espetáculo ocorrerão nos dias 26 e 28, todas no mesmo local e horário. Os ingressos para a apresentação estão à venda na bilheteria do teatro, pelos valores que variam de R$ 5 a R$ 80.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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