MARCELO PERES
Face: @marcelo.peres Twitter: @JCommercio
A campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) faz nova ofensiva para conquistar votos no Amazonas. Desta vez, porém, foi a vez da primeira-dama Michelle Bolsonaro cair em campo em defesa do marido, ontem, às vésperas do segundo turno das eleições deste ano, reunindo pelo menos 5 mil mulheres durante um ato político em Manaus.
O encontro não teve, porém, a presença de um público avassalador que superasse as estimativas feitas para o evento na cidade, segundo cientistas políticos. O palco político foi em uma casa de festas na Ponta Negra, zona Oeste da capital. Religiosa fervorosa, algo que praticamente tem marcado a sua militância pelo presidente da República, Michelle convocou as mulheres a seguir as fileiras da “batalha espiritual para que o partido das trevas não voltasse ao poder”.
A convocação foi uma clara referência ao PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Bolsonaro na segunda fase da disputa, que terá desfecho no próximo dia 30. A corrida eleitoral pela Presidência está muito acirrada e já foi, inclusive, até motivo de violência, envolvendo seguidores dos dois oponentes.
Segundo parte da mídia nacional, os bastidores do Planalto, mesmo não dando crédito às pesquisas de opinião, manifestam preocupação com a diferença de 5% nas intenções de votos entre Lula e Bolsonaro. O porcentual representa pelo menos 7 milhões de votantes a mais favoráveis ao líder petista.
A primeira-dama do Estado, Taiana Lima, acompanhou Michelle no ato político em Manaus. Estiveram presentes também outras celebridades pró-bolsonarismo, entre elas Damares Alves, ex-ministra da Mulher, Direitos Humanos e Cidadania, e que se elegeu para o Senado do Distrito Federal no pleito deste ano. Mas a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, que viria na comitiva, não compareceu.
Damares foi a mais aclamada pelo público, formada em sua maioria por mulheres. Ela também saiu em defesa do presidente. “Bolsonaro é o presidente que mais fez pelas mulheres. Vocês precisam nos ajudar a desfazer essa mentira que a esquerda inventou. A esquerda que manteve o nosso povo na miséria”, disse. “A esquerda quer introduzir no Brasil o que fizeram com a Venezuela. Nós não vamos aceitar”, acrescentou a senadora eleita.
A comitiva teve também a participação das deputadas Therezinha Ruiz (PL) e Mayara Pinheiro (Republicanos) e a vereadora Thaise Lippy reforçaram os apelos do palco bolsonarista, tendo como protagonista a primeira-dama Michelle. Vieram ainda a senadora Bia Kics (PL-DF) e a vice-governadora eleita Celine Leão (PP); do Amapá, a deputada federal recém-eleita Silvia Waiãpi; e a deputada Ana Lúcia Câmara, do Acre.
Mobilização
Michelle vem percorrendo o país levando o clamor do movimento ‘Mulheres pelo Brasil’. Já esteve no Pará, Macapá, e seguirá ainda por outros Estados até poucos antes das eleições do segundo turno.
“Estamos passando por um momento de guerra espiritual. A nossa tristeza é de ver muitos cristãos ainda caindo no conto de que se ele (Lula) voltar vai dar comida. Enrolou 16 anos para poder entregar a transposição do rio São Francisco. Você acha que um homem desses que não levou água, que é o básico, vai entregar picanha?”, acrescentou a primeira-dama na sua fala ao público em Manaus.
A caravana política tenta virar a desvantagem no voto feminino. O nicho é um dos que mais rejeitam o atual presidente da República. Segundo a última pesquisa DataFolha, a preferência por Bolsonaro entre as mulheres oscilou de 28% para 29% e a rejeição, de 53% para 55%.
No primeiro turno, Lula venceu Bolsonaro no Amazonas com uma boa margem de votos. A maioria dos eleitores dos municípios do interior votou no líder petista. Em Manaus, a votação foi praticamente dividida entre os dois oponentes, mas a preferência dos ribeirinhos fez muita diferença no candidato do PT.
Agora, o bolsonarismo deu uma virada no Amazonas com a declaração do apoio do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), para Bolsonaro na segunda fase da disputa presidencial. “
“Peço ao povo do Amazonas que vote em Wilson Lima para governador e em Bolsonaro para presidente”, disse Almeida, uma decisão que surpreendeu o cenário político regional. Antes, o prefeito chegou a falar em público que jamais apoiaria o presidente, um aliado do atual governador, que também tenta a reeleição.
Mas (parece) que os interesses falaram mais alto. Sua opção por apoiar Omar Aziz (PSD), que se reelegeu senador pelo Amazonas e é um dos políticos do arco de alianças de Lula, também surpreendeu a classe política regional.







