MARCELO PERES
Face: marcelo.peres Twitter: @JCommercio
O presidente Jair Bolsonaro (PL) pode até não ser reeleito no próximo dia 30, mas o bolsonarismo ainda sobreviverá por anos no Brasil, segundo cientistas políticos. Em 2023, o PL, partido ao qual é filiado o atual chefe do Executivo nacional, terá maioria no Congresso, tanto na Câmara como no Senado, demonstrando que a legenda tem força política, arregimentando grandes seguidores.
Recentemente, Bolsonaro esteve no Amazonas para tentar inverter as intenções de voto favoráveis ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o primeiro turno no Estado na corrida pela Presidência da República.
“Os municípios do interior do Estado ainda guardam muita fidelidade a Lula, algo que se observou na primeira fase da disputa”, analisa o cientista político Breno Rodrigo, articulista do Jornal do Commercio.
A primeira-dama Michelle Bolsonaro também dissemina a bandeira do bolsonarismo aos quatro ventos. Em Manaus, ela reuniu pelo menos 5 mil mulheres no evento nacional que leva a vários Estados pedindo votos para o marido.
Evangélica fervorosa, ela diz aos seguidores de Bolsonaro que é preciso reforçar “a guerra espiritual contra o PT”. Nessa peregrinação, está acompanhada da agora senadora eleita Damares Alves (PL), ex-ministra do atual governo, que engrossa a mobilização para tentar reeleger o presidente.
“Bolsonaro representa a grande esperança para o Brasil. A ameaça comunista nunca mais voltará para este país. Precisamos estar unidos para combater a quadrilha que dilapidou os cofres públicos brasileiros”, pede Damares em discursos inflamados durante esses encontros.
Entre parte dos evangélicos, Bolsonaro adquire ares de ‘divindade’, principalmente entre os mais incautos. Consultadas, muitas pessoas dizem que ele é o “escolhido” para promover as mudanças e o bem-estar de que o Brasil precisa.
“Sou evangélica, mas não vejo em Bolsonaro a melhor escolha. Mas muitas irmãs dizem que ele é o escolhido. Nunca passei tantas dificuldades como hoje”, diz a cabeleireira Zulene Silva, amante de gatos. “Votei nele em 2018, mas agora não vejo outra opção senão votar em Lula”, acrescenta ela.
O pedreiro Everton Costa não compartilha, porém, da mesma opinião. “Bolsonaro veio para moralizar a política brasileira e impedir que a quadrilha de Lula volte a roubar o Brasil. Ninguém mais pode permitir que ele (Lula) seja eleito novamente”, defende ele.
Na esteira da imagem
Uma coisa é fato. Bolsonaro já arrebata muitos seguidores no Brasil. E grande parte dos candidatos se elegeram na esteira de sua imagem. O Capitão Alberto Neto (UB), segundo mais votado nas eleições deste ano no Amazonas (teve pelo menos 145 mil votos), sai em peregrinação pelo Estado pedindo que a população vote em Jair Bolsonaro.
Ontem, o parlamentar esteve em fábricas do Distrito Industrial, onde foi recebido por seguidores do presidente. Poucos dias atrás, ele disse que seria capaz até de desistir do mandato para reeleger Bolsonaro, tamanha a fidelidade que dedica ao chefe do Planalto, seu ídolo político por excelência.
“Estou aqui no Distrito Industrial em campanha para o presidente Bolsonaro, comprovando a realidade para os nossos colaboradores, que nunca esse polo arrecadou tanto, gerou tanto emprego como no governo dele”, ressaltou durante visita a três fábricas. “A nossa inflação hoje é menor do que a dos EUA e isso nunca aconteceu antes. O Brasil está crescendo mais do que a China. Para se ter uma ideia dessa progressão, o índice de desemprego baixou de 14% de desempregados para 8,9%. Nos tornamos esta semana a 10ª maior economia do mundo e estamos trilhando um caminho para chegar a ser a sexta, acrescentou.
Derrotado nas últimas eleições para o Senado pelo Amazonas, Chico Preto também continua levantando a bandeira do bolsonarismo, emprestando grande apoio ao presidente da República na sua tentativa pela reeleição. O ex-vereador e ex-deputado estadual promete sair em peregrinação com cartazes e faixas nas ruas de Manaus pedindo para o eleitor votar em Bolsonaro.
“Nunca escondi a minha preferência por Bolsonaro e vejo nele a melhor proposta para promover as transformações de que o Brasil precisa”, ressalta o político..
Para o cientista político Carlos Santiago, Bolsonaro e Lula continuam ainda muito indefinidos em relação às intenções de voto, apesar das pesquisas apontando a liderança do líder petista. “Os dois candidatos à Presidência reúnem bastante forças junto ao eleitorado. Então, é muito cedo para projetar o possível vencedor”, avalia.
As forças estão praticamente equilibradas. Porém, o desgaste acumulado com atos falhos dos dois presidenciáveis é bastante visível. Tanto um como outro são impactados pelos vacilos em declarações, algo que poderá fazer muita diferença na hora da decisão do voto dos eleitores.







