Comércio aproveita polarização política no segundo turno

Em: 23 de outubro de 2022

O mercado de consumo também aproveita a polarização das eleições no segundo turno. Bares, supermercados e outros estabelecimentos já vendem produtos com promoções a R$ 13 e a R$ 22, uma referência aos números de Lula e Bolsonaro inscritos na Justiça Eleitoral. Os dois presidenciáveis decidirão a corrida para a Presidência no próximo dia 30, quando haverá também a eleição de alguns governadores de Estados.

Lojistas e grandes redes de supermercados atraem clientes que se dividem entre apoiadores de Bolsonaro e Lula. Segundo especialistas, lançar mão desses artifícios soa como campanhas políticas, ferindo a legislação eleitoral.

É uma situação atípica, jamais vista no Brasil, incentivada para beneficiar um ou outro candidato, de acordo com a ideologia e as cores partidárias. “Não vejo tanta necessidade para situações como essa. Pode ser uma apelação, mas penso que é uma manifestação legítima para cada um expressar a sua escolha”, diz Saymon Siena, comerciante e eleitor de Bolsonaro. “É a melhor opção para fazer um Brasil melhor, livre da corrupção capitaneada pela esquerda”, acrescenta ele.

Os apoiadores dos dois candidatos fazem questão de exibir copos, taças e outros itens personalizados com os números e a foto dos presidenciáveis. “Pode ser um ambiente necessário. Afinal, estamos aqui lutando por um país melhor, mais justo, menos desigual, com comida para todos na mesa, mais geração de empregos e renda. E só Lula pode resgatar tudo isso para grande parte da população”, diz o professor Airton Lemos, que faz parte da rede estadual de ensino no Amazonas. “Com Bolsonaro, tudo piorou. Nunca enfrentamos tanta perda do poder de compra, com uma inflação que corrói o orçamento do brasileiro”, critica.

Na esteira dessa tendência polarizada, as fake news tentam confundir o eleitorado, levando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a exercer um poder de polícia, sem encontrar jurisprudência que respalde essa atuação imediata, segundo estudiosos e juristas do segmento. Uma questão de censura prévia que estaria se desviando dos princípios democráticos. E caberia ao Ministério Público deliberar sobre o assunto.

Paralelamente a essas estratégias tendenciosas, as pesquisas de opinião também influenciam os eleitores –ora os números apontam a liderança de Lula, ora a de Bolsonaro, dados que não têm a mesma credibilidade de antes por suspeita de estudos encomendados. No primeiro turno, os institutos erraram feio. E experimentaram um dos maiores fracassos em termos de previsões dos últimos anos, em tempos de eleições.

Por MARCELO PERES – Face: marcelo.peres  Face: @jcommercio

Marcelo Peres

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