Vendas de veículos novos caem no Amazonas

Em: 4 de novembro de 2022

As vendas de veículos novos no Amazonas voltaram a perder velocidade em outubro, e se sustentaram basicamente no segmento de duas rodas. Os emplacamentos somaram 5.915 unidades –sendo que 77,99% desse total veio de Manaus (4.613). Houve um virtual empate (+0,20%) ante setembro de 2022 (5.903). Ainda assim, superou em 34,16% a performance do mesmo mês de 2021 (4.409). Foi o suficiente para segurar o acumulado do ano no azul, com 53.760 (2022) contra 42.774 (2021) unidades e alta de 25,68% –em que pese o enfraquecimento da base de comparação pela segunda onda da pandemia

Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), que levam em conta todos os tipos e veículos, incluindo automóveis convencionais, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.

De acordo com o levantamento da entidade, o desempenho do Amazonas foi melhor do que o da média nacional, em todas as comparações. Outubro teve 316.819 unidades licenciadas, o que representou um retrocesso de 5,51% na comparação com setembro (335.299). Mas, o resultado foi 14,80% superior ao dado de 12 meses atrás (275.964), carreando o acumulado dos dez meses iniciais do ano (2.640.805) para uma elevação de 3,30%. A Fenabrave comemorou o resultado e manteve suas projeções para este ano –que indicam um crescimento de até 4% ante 2021. 

Automóveis x motocicletas

Diferente do ocorrido nos meses anteriores, apenas uma das sete categorias listadas pela Fenabrave registrou melhora, na variação mensal de outubro, no Amazonas. O crescimento se restringiu às motocicletas, que tiveram elevação de 13,74%, com 3.701 unidades comercializadas –e 2.574 apenas na capital. No outro extremo, o pior desempenho proporcional veio dos implementos rodoviários (-67,57% e -12 unidades), seguidos de perto pelos ônibus (-60,61% e -26). A lista de recuos de vendas inclui ainda “outros veículos” (-17,39% e 38) –incluindo tratores e máquinas agrícolas –, automóveis (-16% e 1.659), caminhões (-11,76% e 105) e comerciais leves (-7,88% e 374).

O quadro melhora quando se leva em consideração o confronto com outubro do ano passado, com o número de categorias em alta já mais encorpado. Automóveis (+48,92%), motos (+45,14%), caminhões (+36,36%) e “outros veículos” (+11,76%) aparecem no azul, ao passo que implementos rodoviários (+57,14%), ônibus (-44,68%) e comerciais leves (-33,09%) despontam no extremo oposto. Em dez meses, a expansão ainda é uma realidade apenas para veículos de duas rodas (+63,08%) e carros (+4,46%). 

A confirmação de mais um mês de crescimento nas vendas apenas para as motocicletas garantiu que estas voltassem a suplantar os veículos de quatro rodas no ranking do Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 45,72% para 58,32%, entre outubro de 2021 e o mês passado. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves voltou a reduzir sua fatia na mesma comparação, com 37,11% (2022) contra 48,20% (2021).

Dados fornecidos pela Fenabrave, referentes ao período, informam que as motocicletas Honda CG-160 (47%) e Honda Biz (21%) estão entre as categorias de veículos mais procuradas no Amazonas, assim como o automóvel Renault Kwid (31%). São seguidos de longe pelo carro Chevrolet Onix Plus (16%), e pelas motos Honda Pop 110i (13%) e Yamaha Fazer 250 (7%), entre outros modelos de duas e quatro rodas.  

Mercado parado

Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veículos, Diogo Augusto Maia da Silva, informou que as vendas estacionaram a partir de setembro, após terem subido “um pouco” em agosto. O empresário ressaltou que, mesmo com incentivo tributário sobre o preço do combustível e desconto de IPI no preço dos carros, o movimento deu “uma paradinha”, fazendo com que a empresa se mantivesse “na média”. O empresário atribuiu a estagnação principalmente às incertezas inerentes às corridas eleitorais e, agora, às expectativas em torno da definição de política econômica, com a troca de gestão na Presidência da República.  

“O pessoal fica esperando por essa definição, antes de se endividar com um bem durável. Tem muita gente que não sabe se vai manter o emprego. Além disso, o comércio está muito parado, e aquele ganho da gasolina mais barata já passou. A boa notícia é que a oferta normalizou, embora algumas fábricas ainda enfrentem problemas para conseguir insumos. Mas, os preços continuam subindo e essa redução do IPI não ajuda nada”, lamentou.

O sócio diretor da Kodó Veículos reforçou que a escalada dos juros e as restrições bancárias ainda inibem a demanda, especialmente para “carros populares”, em um período de alta de juros e inadimplência. Dados da Anefac mostram que, além de restritos, os empréstimos estão ainda mais caros. O CDC para aquisição de veículos ficou 0,47% mais caro e sua taxa já está em 2,16% ao mês e 29,23% ao ano.

“Movimento de recuperação”

Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, salienta que o desempenho das vendas de veículos só foi melhor em razão do calendário. “A retração pode ser explicada pelo menor número de dias úteis entre outubro e setembro, de 20 contra 21. Boa parte dos segmentos teve números similares nas vendas diárias, o que indica que o movimento de recuperação se mantém”, justificou. Vale observar que o Amazonas teve um feriado a mais no mês passado –o 5 de setembro.

José Maurício Andreta Júnior salienta que, diferente do ocorrido no Amazonas, automóveis e comerciais leves mostraram desempenho positivo, ajudando a consolidar resultados melhores no acumulado do ano –com 1,5 milhão de unidades emplacadas. “Destaca-se que a queda em relação a 2021 está menor. O índice era de 5,1% e, agora, ficou em 3,5%. Dessa forma, há a possibilidade de que encerrem o ano com resultado positivo”, ponderou.

O presidente da Fenabrave informa que a demanda por motocicletas continua em alta e que, a despeito da seletividade no crédito, ainda pode haver espera para a entrega de veículos em algumas categorias do segmento. “O mercado de modelos de até 250 cilindradas está bastante aquecido. São, em sua maioria, veículos usados para o trabalho e deslocamentos urbanos, e que têm tido boa procura nas concessionárias”, salientou.

O dirigente acrescenta que, embora em volumes minoritários, as categorias de veículos elétricos continuam avançando acima da média do setor. No caso dos carros de passeio e utilitários, o incremento foi de 43,6% (4.460 unidades) no acumulado. Para os veículos de duas rodas, o ganho foi de 430% “Como os emplacamentos de motos eletrificadas vêm de uma base baixa, é natural que exista grande volatilidade percentual”, encerrou.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Instagram: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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