Comerciantes de Manaus estão mais otimistas

Em: 8 de novembro de 2022

 

O otimismo dos comerciantes de Manaus cresceu pelo nono mês seguido em setembro, em sintonia com a chegada das datas comemorativas mais fortes para o varejo. A capital superou novamente a média nacional, que mostrou recuperação. Em síntese, a percepção e as expectativas em torno da economia melhoraram e há maior intenção de contratar e investir. A satisfação com os estoques melhorou, mas ainda está distante do ideal. É o que revelam os dados locais do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O indicador registrou 142,5 pontos em Manaus, sendo que valores acima de 100 indicam satisfação. O número superou em 3,4% a marca de setembro (137,8 pontos) e foi 14,7% melhor do que o dado de 12 meses atrás (124,3 pontos). Em paralelo, a média brasileira subiu apenas 0,7%, totalizando 129,7 pontos, interrompendo dois meses de queda. A confiança avançou 8,8% ante outubro de 2021, sob efeito da retomada da circulação dos consumidores, mas também sob o impacto das altas da inflação e dos juros. Além disso, já supera o patamar pré-pandemia de março de 2020 (128,4 pontos). 

A pesquisa mostra que os comerciantes dos Estados do Norte do país ainda são os mais otimistas, com o Icec alcançando 141,4 pontos. Segundo a CNC, essa também foi a região onde a confiança dos empresários do varejo mais cresceu, na comparação com outubro do ano passado (+12%), logo à frente do Nordeste (+9,8%). 

“A atividade econômica, medida pelo Banco Central no IBC-Br, embora tenha mostrado redução de 1,1% em agosto, avançou 0,4% no trimestre e acumula alta de 4,9% até o oitavo mês do ano. A inflação mais contida, combinada com transferências de renda mais robustas, tem favorecido o poder de compra dos consumidores, que inclusive estão mais satisfeitos com o nível de consumo e mais dispostos a consumir, como mostrou a ICF (Intenção de Consumo das Famílias), neste mês de outubro”, assinalou a CNC, no texto da sondagem.

O otimismo dos comerciantes de Manaus ganhou ainda mais impulso, no mês passado. Todos os nove subcomponentes do indicador renovaram melhora, com destaque para a análise das condições atuais da economia brasileira (+7,2% e pontos e 112,2 pontos) e para as expectativas em torno dela (+6,4% e 154,7 pontos). Como era de se esperar em um período de sazonalidade positiva para o setor, as estimativas para contratação de funcionários (+3,2% e 120 pontos) e investimento (+3,7% e 101,2 pontos) nos estabelecimentos também mostraram melhora.

Em menor grau, destaques também para as expectativas em torno do comércio (+3,3% e 158 pontos) e da empresa (+2,3% e 156,8 pontos), assim como as avaliações sobre as condições atuais da situação dos estabelecimentos comerciais (+2,6% e 116,5 pontos) e do próprio setor (+1,5% e 115,2 pontos). A satisfação voltou a marcar a visão dos comerciantes em torno da situação dos estoques (+0,5%), que tem sido um ponto crítico constante nos levantamentos mais recentes. Mas, esse ainda é o único dado da lista que aparece em nível de insatisfação (87,9 pontos).

Contratações e investimentos

Aumentou novamente o percentual de varejistas locais que consideram que a situação atual da economia brasileira “melhorou um pouco” (40,7%) e que “melhorou muito” (21,1%), enquanto a proporção de empresários que consideram que a economia piorou um pouco” (18%) ou “piorou muito” (20,2%) diminuiu. A confiança é mais forte nas empresas com mais de 50 empregados (139,5 pontos) e que vendem bens duráveis (132,6 pontos). As avaliações majoritárias sobre as condições atuais do setor e da empresa também são de melhora relativa (44,8% e 43,1%, respectivamente).

A pontuação média das expectativas ainda supera a da visão do momento atual, situando-se já próximo à casa dos 170 pontos. Pelo terceiro mês, a aposta foi redobrada na projeção de que a economia brasileira vai “melhorar muito” (56,7%), em detrimento dos que cravam que vai “melhorar um pouco” (36,2%). Apenas 3,9% acreditam que vai “piorar um pouco” e só 3,3% dizem que vai “piorar muito”. As avaliações que pesam mais para o setor e empresa também são de progressos mais significativos (60,1% e 63,6%, na ordem). O otimismo é maior em companhias de menor porte e que vendem semiduráveis.

A parte majoritária dos comerciantes locais ainda aponta que as contratações devem “aumentar pouco” (67,1%), seguida de longe pelos 22,3% que avaliam que pode “aumentar muito”. A projeção predominante para investimentos ainda é que estes sejam “um pouco maiores” (52,5%), embora 20,2% digam que o aporte será “muito maior”. Sobre os estoques, 62,9% consideram que está “adequado”, mas 21,2% indicam que está acima dessa marca, e outros 15,1%, que está abaixo do ideal.

Juros e inflação

O assessor econômico da Fecomércio-AM, Enio Ferrarini, reforça que a proximidade com as datas que representam o melhor período para o comércio como a Black Friday e o Natal contribuem para a renovação da melhora do Icec. “Pelo aspecto econômico, ainda temos a Selic elevada por fatores exógenos, como a Europa e os EUA. No Brasil, após a estabilização da taxa Selic em 13,75% ao ano, por três reuniões consecutivas do Copom, o mercado aguarda pelo início da descendência da curva dos juros”, resumiu.

Em texto da assessoria de imprensa da CNC, a economista responsável pela análise da pesquisa, Izis Ferreira, destaca que a avaliação das condições atuais do comércio caiu 0,4% em âmbito nacional, com a performance negativa das vendas, detectada pelo IBGE. “O volume de vendas reduziu 0,1% em agosto, com desempenho heterogêneo dos segmentos. Os dados de arrecadação do ICMS nos Estados, em setembro, também corroboram o menor dinamismo do setor”, analisou, acrescentando que a deflação de julho desafogou os rendimentos dos consumidores, mas não beneficiou o varejo.

Segundo a economista, outros obstáculos são o nível de endividamento elevado e a alta dos juros, que seguem desafiando a gestão dos orçamentos das famílias. A mudança de comportamento dos consumidores, que estão retomando o consumo de serviços no lugar de produtos, também explicaria a moderação do varejo. Izis Ferreira ressalva, contudo, que a proximidade das festas de fim de ano e da Copa já fortalece as expectativas para o varejo.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que a confiança dos varejistas está diretamente conectada ao crescimento de 2,1% detectado no ICF de outubro –o mesmo nível de alta aguardado para as vendas de fim de ano. “A combinação entre a queda da inflação e as transferências de renda tem favorecido o poder de compra dos consumidores, que estão mais satisfeitos com o nível de consumo e mais dispostos a consumir nos próximos meses, o que naturalmente impulsiona a confiança do varejo nacional”, finalizou. 

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Insta: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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