Indústria amazonense decresceu 2,9% na variação mensal

Em: 9 de novembro de 2022

A produção industrial do Amazonas voltou a tombar em setembro, em sintonia com praticamente toda a manufatura nacional. O Estado saiu-se melhor, no entanto, nas demais comparações. Atingiu crescimento na escala de dois dígitos em relação ao mesmo período do ano passado, sendo alavancado por segmentos fortes e tradicionais no PIM, a exemplo de duas rodas e concentrados para refrigerantes. Mas, a divisão de condicionadores de ar e de fabricantes de partes e peças, entre outras, não conseguiu acompanhar o ritmo e confirmou a trajetória de queda livre dos meses anteriores. 

A indústria amazonense decresceu 2,9% na variação mensal, comprometendo parte dos ganhos de agosto (+6,9%) e reforçando as perdas de junho (-1,4%) e julho (-2,7%). O confronto com o mesmo mês de 2021 pontuou acréscimo de 13,7%, em resultado similar ao anterior (+13,4%). O Estado conseguiu se manter ascendente no acumulado de janeiro a setembro (+4,8%) e já entrou em campo positivo no aglutinado dos últimos 12 meses (+1,2%). Os respectivos números brasileiros (-0,7%, +0,4%, -1,1% e -2,3%) foram quase todos mais fracos. É o que revelam os dados da pesquisa mensal do IBGE para a atividade, divulgada nesta terça (8).

A regressão mensal de 2,9% no ritmo de atividade industrial fez o Amazonas despencar da liderança para o décimo lugar do ranking das 14 unidades federativas investigadas mensalmente pelo IBGE, para uma média nacional negativa em 0,7%. Apenas duas unidades federativas conseguiram crescer: Ceará (+3,7%) e Pernambuco (+2,2%). Os piores resultados, por outro lado, vieram de Santa Catarina (-5,1%), Paraná (-4,3%) e Pará (-3,7%) 

Considerando o avanço na comparação de setembro de 2022 com o mesmo mês do ano passado (+13,7%), o Estado se manteve na segunda posição, ficando atrás apenas do Mato Grosso (+37,5%). Em contraste, as maiores quedas vieram do Espírito Santo (-14,7%), Pará (-13,4%) e Paraná (-8%). Com o acréscimo detectado no acumulado dos nove meses iniciais de 2022 (+4,8%), o Amazonas subiu da quarta para a terceira colocação, sendo precedido por Mato Grosso (+25,7%) e Bahia (+5,6%), em uma lista encerrada pelo Pará (-8,8%).

Motocicletas e bebidas 

Na comparação com setembro de 2021, a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo) tropeçou 1,3% e a indústria de transformação escalou 14,3% –reforçando a alta anterior (+14%). Mas, apenas quatro segmentos conseguiram crescer, incluindo “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +28,3%); bebidas (+26,8%); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com +15,1%), e derivados de petróleo e combustíveis (gás natural, com +5,3%).

Em sentido inverso, a lista dos subsetores em baixa inclui impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com -92,3%); máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com -20,3%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -15,9%); produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, -15,7%); e produtos de borracha e material plástico (-2%) –depois de perder força ao longo dos últimos meses. 

O acumulado do ano não mostra um quadro mais favorável para a indústria do Amazonas: apenas a indústria de transformação (+5,1%), e suas divisões de bebidas (+20,4%); de “outros equipamentos de transporte” (+6,9%); de borracha e material plástico (+6,4%); de derivados de petróleo e combustíveis (+4,4%) avançaram. Na outra ponta estão os subsetores de impressão e reprodução de gravações (-85,5%); de máquinas e equipamentos (-43,6%); de produtos de metal (-10,8%); de máquinas aparelhos e materiais elétricos (-6,2%); e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-0,8%); além da a indústria extrativa (-2,2%). 

Indústria amazonense decresceu 2,9% na variação mensal - tabela industria

Sem otimismo

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que, embora a produção industrial amazonense de setembro tenha declinado de forma significa, apenas Ceará e Pernambuco conseguiram avançar em um panorama de declínio generalizado para o setor. Em texto divulgado no site da Agência de Notícias IBGE, o órgão federal de pesquisa aponta influências da inflação nas cadeias produtivas, e do aumento da informalidade no mercado de trabalho, assim como incertezas macroeconômicas generalizadas, entre outros fatores que comprometeram a capacidade de consumo das famílias.

“Na comparação com setembro do ano passado, o aumento foi bem consistente, elevando consideravelmente o acumulado do ano. A atividade de bebidas foi a que teve maior aumento, graças à fabricação de xaropes para fins industriais e refrigerantes. A fabricação de eletrônicos e informática também teve bom crescimento, impulsionada por TVs e monitores, sendo possivelmente potencializada pela demanda da Copa. A média móvel trimestral está positiva em 0,4%, mas a performance da maioria das atividades industriais não permite otimismo para as próximas divulgações”, ponderou.

“Dentro da normalidade”

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, ressaltou que os indicadores revelados pelo IBGE estão dentro da expectativa que as lideranças tinham para o setor. “Tratam-se de variações dentro da normalidade e, de qualquer forma, o acumulado do ano permanece positivo. É importante ressaltar que a indústria de transformação permanece apresentando bons dados mesmo durante esse período. Destaco os subsetores de duas rodas, bebidas, eletroeletrônicos e bens de informática. Deveremos ter um resultado positivo no último trimestre do ano”, frisou. 

Na mesma linha, o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, assinala que setembro trouxe alguns subsetores com “variações bem pequenas para cima ou para baixo”, ao mesmo tempo em que outros continuam com “escalada forte”.  No entendimento do dirigente, houve uma acomodação de alguns setores econômicos, que agora devem formalizar suas compras de final de ano. A expectativa, portanto, é de “equilíbrio, com pendência para o lado positivo”.

“A economia continua apresentando sinais de recuperação, de uma forma geral. Com a reta final para o Natal, é agora que veremos o impacto dos esforços finais em atender esse momento. Ainda entendo que outubro e novembro terão resultados positivos no geral e na média, apesar dos impactos da seca na navegação, que atrapalha muito um setor ainda conturbado na logística. A indústria continua buscando alternativas para manter suas linhas de produção em plena atividade e evitar paradas, que podem ainda ocorrer. O esforço de todos é muito importante”, arrematou.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Instagram: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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