O faturamento do PIM desacelerou em setembro, após ter atingido o pico do ano, no mês anterior. As vendas em dólares decresceram 5,36% em relação a agosto – que teve dois dias úteis a mais –, ao passar de US$ 3.17 bilhões para US$ 3 bilhões. Mesmo assim, o resultado foi 6,01% melhor do que o de 12 meses atrás (US$ 2.83 bilhões). Em reais (R$ 16,21 bilhões), o decréscimo mensal não passou de 1,28%, e o incremento anual chegou a 5,40%. Em nove meses, a alta em moeda americana (US$ 25.45 bilhões) foi de 13,84%, sendo acompanhada por uma elevação de 8,69% na divisa nacional (R$ 129.28 bilhões).
Assim como ocorrido nos últimos meses, os subsetores mais fortes do PIM seguem em direções diferentes, no acumulado do ano. Os fabricantes de bens de informática e de duas rodas consolidaram expansão, mas os de eletroeletrônicos permanecem no campo negativo, mesmo após três meses de alta – seguidos de nova baixa. Os números são dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, e foram divulgados pela Suframa, nesta sexta (9). A mesma base de dados informa que a média de empregos no Distrito atingiu novo pico anual, ao romper a barreira das 112 mil vagas.
Na análise em dólares, 21 dos 26 subsetores listados pela Suframa fecharam o acumulado de janeiro a setembro no azul, a mesma quantidade contabilizada no levantamento anterior. A maior alta proporcional se deu em minerais não metálicos, que decolou 161,88%, ao somar US$ 40.34 milhões. Foi seguido de longe pelos segmentos de vestuário e calçados (+63,82% e US$ 5.30 milhões) e de brinquedos (+43% e US$ 42.25 milhões). O tombo mais significativo veio novamente do subsetor de couros e similares (-43,98% e US$ 5.34 milhões).
Segmentos e produtos
Majoritárias e responsáveis por praticamente metade do faturamento total do PIM, os polos de bens de informática e eletroeletrônicos voltaram a ficar em extremos opostos. O primeiro emendou o oitavo mês de liderança em termos de participação nos resultados do Polo, respondendo por uma fatia de 30,30%, com alta de 28,58% no faturamento do acumulado (US$ 7.71 bilhões). O segundo teve 18,03% de share e viu suas vendas ainda encolherem 3,06% (US$ 4.59 bilhões). O subsetor de duas rodas, por outro lado, respondeu por 15% (US$ 3.82 bilhões) e avançou 36,48%. Na sequência estão as divisões de “outros produtos” (11,37%), termoplásticos (8,94%), químico (8,35%) e metalúrgico (8,01%) – todos com crescimento de vendas.
Entre os principais produtos do PIM, os telefones celulares voltaram a ganhar destaque, com 11.753.667 unidades fabricadas e incremento de 12,31%, no comparativo dos nove meses iniciais de 2022. A lista inclui também motocicletas, motonetas e ciclomotores (+17,37% e 1.072.720), monitores com tela de LCD para uso em informática (+131,86% e 2.592.397), unidades condensadoras para split system (+81,49% e 55.584) e lâminas e cartuchos (+57,05% e 141.086.589).
Tradicionais carros-chefes do Polo, entretanto, foram na direção oposta na mesma comparação, a exemplo das TVs com tela LCD (-3,88% e 7.835.304), mesmo em ano de Copa. Bicicletas (-17,82% e 492.518), relógios (-7,78% e 5.138.931) e condicionadores de ar split system (-31,98% e 2.821.937) também pontuaram queda, assim como microcomputadores portáteis (-41,30% e 447.181), artigos e equipamentos de fitness (-43,90% e 31.789) e tablets (-1,14% e 1.421.238).
Mais empregos
A geração de empregos no PIM acelerou novamente, em setembro, e redobrou o recorde do ano. A média obtida no mês foi de 112.510 vagas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Ficou 1,34% acima da marca de agosto (111.020) – em dado novamente revisado. A comparação com o mesmo mês do ano passado (107.437), período em que a atividade sofria mais impactos da pandemia e menos da economia, mostrou acréscimo de 4,72%.
A média mensal de mão obra do Polo Industrial de Manaus foi de 108.646 postos de trabalho ao longo dos nove meses iniciais deste ano, o que equivale a uma elevação de 2,64% ante o “ano cheio” de 2021 (105.846). O resultado aparece como o melhor número da série histórica da Suframa, desde 2015 (105.015) – que foi ano de PIB negativo. Os maiores índices de crescimento de empregos no levantamento parcial do ano vieram dos segmentos relojoeiro (+29,42%), “diversos (27,08%) termoplástico (+25,24%), e editorial e gráfico (+20,74%). Somente os polos ótico (-13,12%), mecânico (-4,96%) e de couros e similares (-4,44%) recuaram.
Levando em conta só a mão de obra efetiva, o saldo no aglutinado até setembro se manteve no azul pelo terceiro mês seguido, após cinco meses de demissões em alta, compreendidos entre fevereiro e junho. Foram criadas 2.821 vagas, dado o predomínio das contratações (25.776) sobre os desligamentos (22.955). Ainda assim, continua bem abaixo de 2021 (+7.440) e com o quantitativo mais baixo desde 2017 (+354). Em divulgações anteriores, a autarquia informou que as ocupações diretas costumam representar mais de 80% da mão de obra da indústria amazonense, em média.
“Novo recorde”
No texto de sua assessoria de imprensa, a Suframa lembra que o superintendente Algacir Polsin já havia adiantado alguns dos indicadores de setembro, durante a 307ª reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa), ocorrida na última quarta (7). Na oportunidade, o general afirmou que a autarquia está “bastante satisfeita” com os resultados – especialmente com a progressão na geração de empregos – e confiante de que o PIM deve alcançar novo recorde de faturamento ao final de 2022. “Devemos fechar com algo em torno de R$ 175 bilhões, o que seria mais um resultado histórico para a Zona Franca de Manaus”, afiançou.
Em coletiva de imprensa, quando anunciou que as associadas haviam revisado a produção para cima pela segunda vez neste ano, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, asseverou que as unidades fabris do PIM mantêm a “curva de produção ascendente”, e que “o mercado pede por mais motocicleta”. Mas, lembrou que o subsetor ainda está bem distante do recorde de 2,1 milhões de motocicletas produzidas em 2011, e que os fabricantes estão atentos às variáveis que podem comprometer a meta, como a inflação e as taxas de juros, que comprometem o poder aquisitivo do consumidor em potencial.
Em texto distribuído por sua assessoria, o presidente executivo da Eletros, José Jorge do Nascimento Júnior, salientou que a Copa ajudou a reforçar o poder de atração da Black Friday e aumentar as vendas de televisores e alguns eletroportáteis, embora o mesmo não possa ser dito dos condicionadores de ar e demais itens da linha branca. “Após um período excepcional nas vendas, ao longo de 2021, as vendas do segmento foram prejudicadas pelo fenômeno La Niña, que produziu temperaturas mais amenas em todo país”, encerrou, acrescentando que as vendas em geral ainda se ressentem pela perda de poder de compra das famílias, com a inflação e os juros.
Marco Dassori
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