O quarto levantamento efetuado pela Conab neste ano confirmou, nesta semana, que a safra de grãos 2022 do Amazonas rendeu 75,3 mil sacas beneficiadas e praticamente empatou com o ano passado (75,2 mil), ao avançar apenas 0,1%. O levantamento final da Companhia Nacional de Abastecimento para o presente exercício mostra também que a área de cultivo caiu 10,3%, e passou de 4.600 para 4.100 hectares. Em compensação, a produtividade avançou 11,7% e registrou 18,2 quilograma por hectare. Os melhores resultado vêm do café conilon, em detrimento da variedade arábica.
No texto do estudo, a Companhia Nacional de Abastecimento informa que, encerrada a colheita, a produção nacional chegou a 50.920,1 mil sacas de café beneficiado, configurando elevação de 6,7% sobre 2021, embora ainda tenha ficado 19,3% menor do que a safra recorde de 2020 (12.157,8 mil). Segundo a estatal, o resultado deste ano foi prejudicado por adversidades climáticas, como déficit hídrico e geadas, durante o ciclo da cultura. A área (2.242,1 mil hectares) foi 1,8% maior, enquanto a produtividade média é de 27,7 sacas por hectare e avançou 4,8%. O café arábica comparece com a maior área (1.452,6 mil ha), e o conilon, com o melhor dado de produtividade (46,8 scs/ha).
A comparação com o ano passado, confirmou o Amazonas (+0,1%) como o único caso de estabilidade de produção no ranking da Conab, em um cenário de altas para a média nacional (+6,7%) e para a região Norte (+23%). Ficou na oitava posição do ranking nacional, entre as dez unidades federativas sondadas periodicamente pela Conab. “Apesar da redução da área em produção, o aumento da produtividade manteve a produção do Estado praticamente igual à safra passada”, sintetizou a Conab, no texto da pesquisa.
O dado local só foi melhor do que o do Paraná (-43,2%) e de Minas Gerais (-0,8%), que amargaram quedas de produção. Conforme a estatal, o primeiro viu sua safra encolher principalmente em função de geadas, enquanto o segundo sofreu redução de produtividade na cultura. O melhor desempenho veio do Rio de Janeiro, que somou 294,3 mil sacas beneficiadas e cresceu 31,4% ante 2021. Mas, Rondônia (+23,7%), Goiás (+19,9%), Espírito Santo (+18%) e Mato Grosso (+16,6%) também alcançaram altas de dois dígitos.
Longo prazo
Embora o balanço geral seja de empate para o Amazonas, os dados disponíveis mostram melhor desempenho no longo prazo. A cultura cafeeira do Amazonas alcançou crescimento em uma escalada próxima aos dígitos em relação ao resultado de quatro anos atrás. A estatal não informa a série histórica para 2020 e 2019 – quando o Estado ainda aparecia agregado, juntamente a outras unidades federativas, na categoria “outros”. Mas, sabe-se que houve uma disparada de 975,71% no confronto com os dados de 2018 (7.000 sacas beneficiadas).
O mesmo pode ser dito da área de produção. Neste ano, ela foi de 4.100 hectares e ficou 10,3% aquém do dado de 2021 (4.600), além de não acompanhar as médias de crescimento apresentadas pelo Brasil (+1,8%) e pela região Norte (+1,4%). Mas, correspondeu a uma expansão de 722,75% no confronto com os números capturados em 2018 (503,8 hectares). Desse total, 954 hectares são de área de formação – que alcançou incremento de 100% –, enquanto os 4.145 hectares restantes são de área de produção.
A melhor notícia é que, a despeito da estabilidade da safra, a produtividade veio maior neste ano. Segundo a Conab, o Estado registrou 18,2 sacas por hectare, patamar 11,7% superior ao de 2021 (16,3 sc/ha). Na análise de longo prazo, a performance foi ainda melhor, já que o dado veio 31,02% mais encorpado do que o de 2018 (13,89 sc/ha). Pelo calendário da estatal, a colheita amazonense de café começou em abril e se estendeu até julho, com média de 18,8 mil sacas em cada mês.
“Horizonte promissor”
No entendimento do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, embora a cultura ainda tenha uma produção local pequena, e tenha marcado um ano de estabilidade, ainda conta com um “horizonte promissor” para os próximos anos. “Sobretudo pela valorização do café, e pelo referencial tecnológico dado pela Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], com resultados concretos e alvissareiros em experimentos de variedades robustas amazônicas”, justificou.
De acordo com Muni Lourenço, o desempenho positivo da cultura em Silves tem despertado o interesse de produtores rurais de municípios vizinhos, e também de outras regiões do Amazonas, sinalizando potencial de ampliação da atividade no Estado. O presidente da Faea diz ainda que, embora o plantio cafeeiro ainda seja predominantemente de agricultura familiar, o fato de “o grupo líder nacional em processamento de café” manter uma planta industrial em Manaus e garantir a compra da safra induz é determinante para melhores resultados.
“Por todos esses motivos, acreditamos que o ano de 2023 deve ser de crescimento para a safra amazonense de café. Os produtores rurais estão investindo em secadores de café e outros equipamentos. Participam também de missões técnicas e empresariais em visita a outros Estados que se destacam na produção de café, a exemplo de Rondônia e Minas Gerais”, afiançou.
Zoneamento e licenciamento
Em seu blog, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, comemorou a expansão de “quase 1.000%” na cultura cafeeira amazonense “em apenas quatro anos”, embora não mencione a estabilidade anual. Sem entrar em detalhes sobre aspectos de mercado, o especialista reforça que o único entrave à evolução da atividade ainda é o burocrático.
“Quando tivermos o ZEE [Zoneamento Ecológico Econômico] e a agilidade no licenciamento ambiental para acessarmos o crédito rural ninguém segura o Amazonas sustentável, pois vamos seguir todas as orientações técnicas da Embrapa, Idam [Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas], Senar [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural], Ifam [Instituto Federal do Amazonas] e academia, mantendo a floresta intacta, tarefa que outros países não fizeram e querem nos ensinar”, encerrou.
Boxe ou coordenada: IBGE confirma estabilidade na produção
O desempenho da produção cafeeira do Amazonas é confirmado pelo LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), do IBGE. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Estado somou 4.515 toneladas de produção neste ano, em desempenho idêntico ao do ano passado. Em torno de 59,33% da safra é de café conilon (2.679 toneladas) e as 40,67% restantes, de café arábica (1.836 toneladas). A área colhida também repetiu a performance do ano passado e totalizou 127.873 hectares, correspondendo a um aproveitamento de 87,89% da área plantada (145.496 hectares).







