Cresce a poluição sem o transporte por fretamento

Em: 29 de junho de 2009
O serviço de fretamento é coletivo, de interesse público e altamente regulamentado pela União, Estados e municípios, inclusive o próprio município de São Paulo
O serviço de fretamento é coletivo, de interesse público e altamente regulamentado pela União, Estados e municípios, inclusive o próprio município de São Paulo

O serviço de fretamento é coletivo, de interesse público e altamente regulamentado pela União, Estados e municípios, inclusive o próprio município de São Paulo. Como tal deve ser incentivado e não aprisionado em bolsões, impedido de chegar a seu destino final.
A intenção de restringir a circulação do fretamento, como previsto nos artigos 6 e 47 do projeto de lei 530/08, fere não só o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, onde há determinação expressa para incentivar o transporte coletivo, em detrimento ao transporte individual, como também o próprio projeto de lei, que visa a diminuição da poluição na cidade.
O serviço de fretamento não é contra a política do clima que São Paulo pretende adotar. O que causa a indignação da categoria, dos usuários e dos contratantes do serviço é o fato de um serviço primordial para cidade ter sido tratado de forma tão contundente e no contexto errado, ou seja, dentro de um projeto de lei que trata do clima.
Seria o fretamento o único vilão da poluição de São Paulo? Em meio aos milhares de veículos e motos em circulação. E assim restringir o serviço nessas bases causará indesejáveis desdobramentos para a vida de todos os cidadãos da região metropolitana e trará consequências econômicas municipais e até nacionais. Aumentaria também a poluição, pois a maioria dos 600 mil passageiros voltariam para dentro dos seus carros.
Estima-se que ingressam diariamente em São Paulo cerca de 400 ônibus com turistas para realizar compras no Brás, na rua 25 de Março e Bom Retiro. No segundo semestre do ano, esse número sobe para 600 ­veículos. Certamente as pessoas que vem às compras não irão aprovar a ideia de terem que fazer baldiações no percurso, carregando suas pesadas ­sacolas. Muito menos os lojistas gostarão de ter sua freguesia afugentada por esse tipo de medida.
O problema será em cadeia, dessa forma a indústria e o setor de serviços também serão afetados. Estima-se que mais de 40% das empresas de médio e grande porte utilizam o serviço de fretamento para transportar seus funcionários. Como e a que custo eles chegarão aos seus postos de trabalho? E as empresas que trabalham 24 horas por dia, como será a logística desse transporte, já que durante a madrugada não há transporte público disponível?
Como ficará o transporte dos funcionários de estatais como o Palácio dos Bandeirantes, da Prodesp e da Petrobras? Ou ainda, quem realizará o transporte para os alunos das redes de ensino estadual e nunicipal, garantidos por licitações? Como ficará o Projeto Guri, que houve dias em que necessitou de 100 veículos; e também o Projeto Cata-Vento, da prefeitura, que usa de 30 a 40 carros diariamente, sem falar ainda no Programa Vai e Volta, que utiliza as vans diariamente?
Sem falar dos eventos que a SPTuris, com tanto profissionalismo e competência, busca atrair para São Paulo e que ­serão rapidamente afugentados pela absoluta falta de transporte coletivo adequado para o atendimento da demanda. Como ficará o transporte dos visitantes dos 80 mil eventos realizados anualmente, dentre eles encontros e congressos médicos?
Quanto à Copa do Mundo de 2014, qual será o meio de transporte utilizado para o transporte entre os hotéis e os locais dos jogos dos atletas, dos visitantes e da imprensa? Todos utilizarão carros de passeio para agravar o trânsito e a poluição?
Se os aspectos econômicos, ainda que de interesse coletivo, possam ser tidos como irrelevantes por nossas autoridades, a saúde pública certamente não é. Pode-se dizer que a maioria dos grandes hospitais localizados na capital contratam o serviço de fretamento para transportar seus funcionários diariamente, 24 horas por dia.
O que será deles se não tiverem esse tipo de transporte à disposição? Quantas horas passarão para chegar ao seu posto de trabalho e depois dessa jornada com qual espírito de ânimo estarão para enfrentar o plantão? Atrasos e faltas certamente comprometerão toda a dinâmica dos atendimentos médicos.
Os bolsões para estacionamento são benvindos desde de que não sejam utilizados como meio de impedir ou inviabilizar o acesso dos usuários do serviço de fretamento a seu destino final.
O transporte coletivo por fretamento é uma atividade profissional, com mais de 50 anos de existência e que não requer nenhum investimento público, ao contrário de outros modais públicos que demandam enormes investimentos e tempo, duas coisas que os contribuintes esperam não ver desperdiçadas.
Portanto, uma excelente oportunidade de melhorar o trânsito em São Paulo, buscando medidas que incentivem o uso do transporte coletivo em detrimento ao individual deve ser incentivada e não restrita, especialmente se esse tipo de transporte não custará nada aos cofres públicos.
Se há problemas pontuais de trânsito todos devemos nos empenhar em buscar soluções que não inviabilizem o atendimento aos usuários do serviço, contratantes e a população em geral. A categoria está sempre aberta ao diálogo para busca soluções pontuais de trânsito e também para o estudo de uma nova legislação mais adequada às reais necessidades de uma metrópole como São Paulo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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