Cesta básica no AM é a segunda mais cara

Em: 1 de julho de 2009
O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma família (dois adultos e duas crianças) no Amazonas manteve a tendência de alta registrada desde a segunda metade do primeiro quadrimestre deste ano
O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma família (dois adultos e duas crianças) no Amazonas manteve a tendência de alta registrada desde a segunda metade do primeiro quadrimestre deste ano

O custo da cesta básica para o consumo mensal de uma família (dois adultos e duas crianças) no Amazonas manteve a tendência de alta registrada desde a segunda metade do primeiro quadrimestre deste ano, fechando maio em R$ 292,11 ante os R$ 279,24 observados em abril. O avanço efetivo de 4,60% no preço final dos 35 itens alimentares tornou a cesta básica do Estado a segunda mais cara do país.
A informação divulgada pelo presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda, aponta ainda que o Estado acompanhou a tendência de queda nas vendas observada em nível nacional e fechou com retração de 3,26% sobre o avanço de 14,21% decorrente do aquecimento cíclico de Páscoa, durante o mês de abril.
A confirmação da redução no ritmo das exportações que aumentou a oferta de leguminosas e cereais no mercado interno foi ressaltada por Honda como um dos fatores responsáveis pela queda efetiva no preço de alguns dos itens, embora tenha evitado comentários sobre o aumento dos preços da cesta básica pelo terceiro mês consecutivo ter sido resultado da aceleração dos índices de inflação dos alimentos. “A queda nas vendas de maio, em comparação a abril, já era esperada, por conta do efeito do calendário. Afinal, a Páscoa, segunda melhor data para os supermercadistas, caiu em abril”, disse.
Essa tendência de alta no preço da cesta básica vai de encontro à retração observada nos itens básicos do comércio supermercadista local detectada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Amazonas) no início de junho. Em abril, segundo o órgão, onze dos doze produtos da cesta básica manauense apresentaram redução, dos quais o feijão foi o item com maior variação no preço (-12,50%), seguido do óleo de soja (-4,58%), manteiga (-3,13%), carne bovina (-2,51%) e banana (-2,24%).

Valor serve de cotação para comércio

Segundo a economista e supervisora-técnica do escritório regional do Dieese, Alessandra Cadamuro, o valor da cesta serve de base na cotação praticada no comércio supermercadista local, já que o cálculo da evolução dos preços de um conjunto de alimentos é fundamental na hora da disputa de espaço junto à concorrência. “O preço dos alimentos não sofre aumento ou desaceleração por conta apenas dessa pressão interna de mercado. Na prática, o varejo local é influenciado principalmente pelo custo do frete que pesa muito no valor final, ou seja, aos poucos comprar em supermercado tem se tornado uma prática de luxo”, acentuou.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, Honda explicou ainda que, em comparação ao mesmo período de 2008, é possível observar que, a despeito da redução nos negócios, ainda está mantido um nível razoável de crescimento nas vendas do setor supermercadista até o momento. “O acumulado de janeiro a maio desse ano continua acima de 5% na maioria das capitais brasileiras, o que sinaliza que os consumidores em geral não diminuíram suas compras nos supermercados”, asseverou.

Vendas sobem

Em nível nacional, as vendas reais do setor supermercadista em maio subiram 4,01%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas na comparação a abril deste ano, o setor registrou queda de 4,12%. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, comparativamente a igual período de 2008, a alta nas vendas chegou a 5,36%. Esses índices já foram deflacionados pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) medido pelo IBGE.
Os produtos com as maiores altas na maioria dos Estados, incluindo o Amazonas, foram batata (21,04%), leite longa vida (14,31%) e queijo mussarela (9,04%). Já entre os produtos com as maiores quedas, aparecem o feijão (6,12%) e a surpresa do mês, farinha de trigo, com 3,28%.

Pesquisa norteia

“Nos últimos três meses, o AbrasMercado vinha crescendo menos do que o IPCA, em um processo natural de redução dos preços após a alta registrada no preço dos alimentos no início de 2008. Em maio, o AbrasMercado mostrou um aumento de 2,24%, bem acima do IPCA, que ficou em 0,47%. É importante ficar de olho. Nossas últimas pesquisas mostraram claramente que caem as vendas de produtos cujos preços sobem demais”, alertou Sussumu Honda.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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