O segmento de óleos essenciais no Amazonas pode fechar crescimento no volume de produção entre 5% a 8% neste semestre. O percentual anunciado pela Acaf (Associação Comunitária Agrícola e de Extração de Produtos da Floresta) do município de Boa Vista do Ramos, que reúne perto de 150 pequenos produtores e concentra mais de 40% de toda a produção de óleo do Estado, uma vez concretizado, representa o embarque de 60 mil litros para o eixo Sul-Sudeste e um retorno financeiro que supera os US$ 180 mil às famílias ribeirinhas.
O aquecimento do mercado, de acordo com a presidente da Acaf, Darci de Souza Gonzaga, está diretamente relacionado ao crescimento mundial do setor de aromas e fragrâncias, que vem avançando em média, na faixa de 5% a 6% ao ano. “O Amazonas tem condições de expandir sua participação nesse mercado, como fornecedor de óleos essenciais, mas ainda precisamos receber garantias de subsídios do governo que nos possibilite preços competitivos”, afirmou.
Óleos de andiroba, buriti e castanha-do-brasil, além da manteiga de cupuaçu, foram apontados pela dirigente como os principais produtos enviados para as indústrias de cosméticos. Outros destaques na pauta de internação no mercado de óleos essenciais, de acordo com Darci, são os óleos de eucalipto, pau-rosa, palma-rosa e citronela. “No pau-rosa, já avançamos bastante com o manejo sustentado, na Região Amazônica, para evitar a extinção da planta. Por isso, é um dos nossos produtos mais valorizados no mercado internacional”, disse.
Na opinião do diretor-técnico do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), José Ramonilson Gomes, o fator determinante para o avanço do nascente polo de cosméticos amazônico é que todas as grandes indústrias multinacionais do setor de aromas e fragrâncias estão no país. “Elas trabalham em parceria com as instituições, apoiando pesquisas, em busca de novos óleos a partir da biodiversidade do país. Há também as empresas nacionais que já utilizam óleos essenciais e óleos de resinas de plantas nativas brasileiras, como piprioca, andiroba e copaíba”, revelou.
Fatores alavancam
De fato, os cuidados com a beleza aparecem cada vez mais entre os fatores que alavancam o crescimento do setor. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) mostram que enquanto o Produto Interno Bruto do país e das indústrias gerais em 2008 cresceram 5,1% e 4,3%, respectivamente, o do setor das indústrias de cosméticos bateu 7,1%.
Uso de ingredientes naturais ganha destaque
Também segundo a Abihpec, alguns fatores como maior participação feminina no mercado de trabalho, lançamentos constantes de produtos e utilização de tecnologia de ponta nas indústrias de higiene pessoal, perfumaria e cosmética, que faz com que haja aumento da produção e consequente vendas de produtos com preços mais competitivos podem explicar o bom resultado do setor, refletido na produção e maior demanda da matéria-prima amazônica. Esse crescimento manteve o Brasil como o terceiro mercado de cosméticos mundial, perdendo apenas para Japão e Estados Unidos.
Na opinião do diretor de marketing da Beraca, Cassiano Braccialli, o uso de ingredientes naturais e orgânicos para as indústrias farmacêuticas, cosméticas e de fragrâncias nacionais e internacionais vem ganhando cada vez mais destaque, o que põe o Amazonas na rota dos principais fornecedores do país. Um levantamento feito pela companhia, segundo o executivo, mostra que esse segmento apresentou um crescimento de 28%, o que representa uma importante participação no faturamento anual de R$ 84 milhões da empresa. “No nosso caso, a divisão HPC (Health & Personal Care ) tem foco em inovação. Por isso, buscamos alternativas vegetais naturais, que substituam ingredientes sintéticos presentes na maioria dos produtos de beleza e higiene oferecidos aos consumidores”, asseverou.
Biodiversidade aproveitada
Segundo Braccialli, a Beraca é a única companhia brasileira de matérias-primas, centrada em produtos da biodiversidade da Amazônia, que conta com fábrica própria na região, inaugurada em 2008. A pesquisa e o desenvolvimento de produtos também são feitos em parceria com universidades locais. Esse empreendimento, disse o executivo, foi projetado para aumentar em quatro vezes a produção da empresa e garantir um fornecimento contínuo de seus produtos, mesmo fora de temporada de alguns insumos.
“Até hoje, US$ 11 milhões de dólares foram investidos, dos quais quase 50% apenas em novas tecnologias. Seguindo a tendência do mercado de cosmético de se internacionalizar, a Beraca, por meio de distribuidoras, tem seus ativos comercializados em mais de 47 países e, em 2008, inaugurou uma filial em Paris –considerada o berço da sofisticação quando o assunto é beleza”, finalizou.







