Faz pouco que o Amazonas se surpreendeu com declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em relação à possibilidade de extinção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) durante encontro com industriais paulistas. A isenção do tributo é preponderante para a manutenção de investimentos e atração de novos negócios ao Estado, alimentando a máquina estatal, a geração de empregos e renda.
E a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevista para acontecer em março, será oportuna para tratar a questão diretamente com ele, segundo avaliam políticos e lideranças empresariais com negócios na ZFM (Zona Franca de Manaus).
De acordo com o senador Omar Aziz, Lula deverá visitar Manaus após uma viagem internacional à Argentina, daqui a dois meses. O parlamentar é coordenador da bancada amazonense no Congresso Nacional, em Brasília.
Ontem, ele detalhou a próxima viagem de Lula. “O presidente quer vir fazer uma agenda aqui. Ele até pediu: ‘Omar vê uma agenda aí para mim’. Falei com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ele vai ver e conforme for, Lula com certeza se fará presente em Parintins para inaugurar o Linhão”, afirmou Aziz.
O novo sistema elétrico interliga o município amazonense, terra dos bumbás Garantido e Caprichoso, a duas cidades do interior do Pará – Juriti e Oriximiná, corroborando para aumentar a disponibilidade de energia naquela região.
Omar Aziz disse que conversou com o governador Wilson Lima (UB) e sugeriu criar um grupo de trabalho na Sefaz (Secretaria de Fazenda) para que o governo estadual possa elaborar uma proposta sobre a questão da reforma tributária, principalmente em torno do IPI.
“Para a gente não ficar correndo atrás depois e sim a gente chegar com uma proposta. Porque a reforma tributária trata de vários assuntos e um desses assuntos com certeza é a questão do IPI. Então, temos que ver quais seriam as alternativas para a gente manter essa competitividade”, acrescentou o parlamentar.
Durante a campanha presidencial, o então candidato Lula esteve uma vez no Amazonas. Caso se confirme a viagem, esta será a primeira vinda já como presidente da República, o seu terceiro mandato no comando do Planalto. “Ninguém vai mexer na Zona Franca e nenhum amazonense ficará desamparado”, prometeu o presidente, ainda como candidato, para uma multidão de pelo menos 50 mil pessoas que estiveram no palanque onde discursou.
Na agenda de Lula no Amazonas, está prevista ainda a discussão sobre a escolha do novo superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Três políticos estão cotados para assumir o cargo – os deputados federais José Ricardo (PT), Bosco Saraiva (Cidadania) e o deputado estadual Serafim Corrêa. Os três não se reelegeram nas últimas eleições.
Porém a escolha recai mais para José Ricardo que, supostamente, seria o preferido da classe empresarial que atua na Zona Franca. Por ser petista, o deputado tem mais trânsito e afinidade com o governo Lula, na opinião de algumas lideranças industriais da região.
Promessas
Em agosto do ano passado, Lula visitou fábricas do Distrito Industrial, entre elas a Moto Honda da Amazônia, ocasião em que falou dos projetos de seu novo governo, prometendo resgatar conquistas trabalhistas extintas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na ocasião, Lula se comprometeu em manter as vantagens comparativas da ZFM e ainda chegou a atacar Bolsonaro pelos ataques ao modelo, em especial sobre a redução do IPI.
Agora, Geraldo Alckmin, que acumula o cargo de ministro da Indústria, afirmou que uma das metas da reforma tributária do novo governo é acabar com o IPI, o coração da Zona Franca de Manaus.
Omar ainda minimizou o fato de a capital do Pará, Belém, ter sido escolhida por Lula como sede da COP 30 de 2025, caso o Brasil seja confirmado o País sede do encontro global que discute mudanças climáticas.
“Não que (Manaus) saiu preterida na questão da COP. Isso não foi discutido com ninguém aqui. E até agora é uma proposta, mas tem que ver também que Manaus tem uma carência muito grande de hotel. Tem que se ver a infraestrutura que precisa. É só uma proposta para fazer na Amazônia, tanto é que a ECO92 não foi feita na Amazônia, foi feita no Rio de Janeiro”, disse Aziz.
Na quarta-feira (11), ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), Lula decidiu lançar Belém como candidata brasileira para sediar a COP de 2025.
Outra agravante é que Wilson Lima fez campanha para Bolsonaro, não reeleito em outubro. No entanto, há disposição do governador de abrir pontes com o novo governo federal. Em 2009, Manaus levou a melhor e desbancou Belém do Pará e foi escolhida sede da Amazônia para jogos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
E, naquela época, o Amazonas tinha relacionamento estreito com o governo Lula que estava no seu penúltimo ano.







