Autonomia e conforto com as roupas

Em: 3 de maio de 2023

Silvana Louro é estilista formada pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e idealizadora da Equal Moda Inclusiva. A marca confecciona roupas em duas versões: com e sem adaptação. Silvana criou e produziu o primeiro uniforme paralímpico adaptado do mundo, em 2015. É parceira da Reserva na Linha Adapt& + Equal. Sua etiquetagem em Braille é certificada pelo Instituto Benjamin Constant. Em 2022, conquistou os primeiros lugares nos prêmios Visão Consciente, da Fecomércio; e Sebrae Mulher de Negócios nacional e estadual. Em 2023 a Equal completa dez anos de excelência e inovação contribuindo com o protagonismo das pessoas com deficiência na moda e na beleza, conforme a estilista falou nessa entrevista ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio: Fale sobre o livro ‘Um olhar diferente sobre a moda’.

Silvana Louro: O projeto do livro em Braille surgiu inspirado na experiência pioneira, na Região Sul, do Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva, projeto social e cultural realizado, anualmente, em Santa Catarina, desde 2013, pelo ISNB (Instituto Social Nação Brasil), e que já qualificou centenas de estudantes de escolas técnicas e universidades, para criação e produção de peças adaptadas para pessoas com deficiência. O livro é direcionado para qualquer pessoa que se interesse por moda, estudantes de escolas técnicas e universidades e profissionais de moda, ativistas sociais e dirigentes de entidades e organizações sociais que atuam com pessoas com deficiência física (hoje 25% da população brasileira).

JC: Como é a atuação do ISNB?

SL: O ISNB possui reconhecida experiência na área de criação, produção e divulgação de projetos de inclusão social, com atuação junto a populações em situação de vulnerabilidade social, em locais de difícil acesso (centros sociais de comunidades carentes, instituições de atendimentos a menores em conflito com a lei, penitenciárias, escolas públicas e projetos sociais comunitários), em mais de 13 anos de criação e produção de projetos, em Santa Catarina.

Autonomia e conforto com as roupas - B1c

JC: Explique o que é o ‘reinventar’ de pessoas com deficiência através da moda inclusiva.

SL: Vejo o ‘reinventar’ de duas maneiras: a primeira quando elas descobrem a autonomia e o conforto com o uso de roupas adaptadas para suas especificidades. A segunda quando através do desenvolvimento de peças ou através da sua arte, acontece a geração de renda, proporcionando às PcDs se firmarem como designers de moda.

JC: O que é a moda inclusiva?

SL: A moda inclusiva pensa nas possibilidades de se vestir sem dor e passar o dia sem ter desconfortos. Uma PcD leva em média três vezes mais tempo para se vestir e isso desanima muitas vezes a socialização. Um exemplo básico para cadeirantes seriam os bolsos traseiros em uma calça comprida. Eles não se levantam e esses bolsos são totalmente inúteis. E pior, machucam por terem um volume exatamente onde o peso do corpo está concentrado. Aberturas estratégicas para o uso de sondas e que facilitem o vestir, aberturas nas camisas com imãs ou velcro, modelagens que minimizem as zonas de pressão no caso de cadeirantes, etiquetas em Braille, aberturas para colocar a prótese no coto, no caso de amputação ou má formação inferior, dentre outros.

Autonomia e conforto com as roupas - B1a

JC: Como foi a experiência de criar o uniforme de uma seleção paralímpica?

SL: Meu primeiro trabalho foi desenvolver esses uniformes para diferentes especificidades de cada tipo de deficiência e com etiquetas em Braille. Em 2009 comecei as pesquisas porque identifiquei os problemas que as pessoas com deficiência têm para se vestirem. Foram dois anos de pesquisas com fisioterapeutas, cuidadores e principalmente ouvindo e interagindo com pessoas com deficiência em diferentes instituições. Depois mais dois anos para convencer alguém a modelar os pilotos das peças e vender a ideia para a produção acontecer, o que se deu em 2014, vestindo a delegação fluminense de paratletas nas Paralímpiadas Escolares de 2015, em Natal.

JC: Os cursos do ISNB só são oferecidos de forma presencial, ou também online?

SL: As ações de cultura e atividades de formação e capacitação, através de cursos, oficinas, palestras, fóruns, seminários e encontros desenvolvidas pelo ISNB, na sua imensa maioria, são presenciais. O ISNB já realizou centenas de projetos sociais e culturais, beneficiando um público estimado em mais de 50 mil jovens, promovendo um intercâmbio cultural com organizações do centro do país, e ainda proporcionou a presença de centenas de personalidades nacionais e profissionais, que vieram ao estado para participar de oficinas, palestras e debates, sobre temas relacionados ao cotidiano da juventude brasileira. Em função disto, o projeto se tornou modelo e referência nacional, no uso da arte, como ferramenta de inclusão social, formando e informando uma geração de jovens de comunidades periféricas da região.

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Como adquirir o livro

‘Um olhar diferente sobre moda’, pode ser adquirido em formato físico, enviando mensagem pelo e-mail. [email protected], ou digital, através do site do projeto, no endereço www.modainclusiva.com.br, onde pode ser baixado.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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