Está de volta a feijoada em honra do ‘santo casamenteiro’

Em: 19 de maio de 2023
A basílica é uma das três, no mundo, a guardar uma relíquia de Santo Antônio

Depois de três anos sem ser realizada presencialmente, devido à pandemia, a feijoada em honra de Santo Antônio, organizada pelo empresário Alcy Hagge, está de volta no próximo domingo (28), a partir de meio-dia até às 18h, no seu sítio no Tarumã, com uma belíssima vista do rio Tarumã.

“Esta é a 23ª edição da feijoada, 20 vezes presenciais e as últimas três realizadas através de lives. O principal objetivo da feijoada é arrecadar fundos para ajudar a manter o santuário/basílica de Santo Antônio de Borba, naquela cidade. Diversas são as pessoas que, desde o começo, fazem doações. Essas doações muito ajudam na existência do maior santuário do Amazonas”, falou.

“O outro objetivo é divulgar os festejos que acontecem em Borba, de 1º a 13 de junho, em honra de seu santo padroeiro. Trata-se do maior evento religioso do Amazonas”, destacou.

Borba está situada a menos de 200 km de Manaus, às margens do rio Madeira. Foi a primeira vila criada em território amazonense, em 1728, a partir de uma aldeia dos índios mura. A população do município, até 2020, segundo dados do IBGE, era de quase 42 mil pessoas.

“A cidade de Borba não é uma cidade rica, é típica do interior do Amazonas, então imagine a dificuldade para manter um templo da magnitude do santuário que, desde 1980, quando o papa João Paulo II esteve em Manaus, adquiriu o status de basílica”, lembrou.

Um santuário é um lugar onde os fiéis reavivam a sua fé, e recebe peregrinos, enquanto a basílica é um templo onde são guardadas relíquias religiosas e é digno de receber um papa. Somente um papa pode aprovar o status de basílica para um templo.

Santo casamenteiro

A basílica de Borba é uma das três, no mundo, a guardar uma relíquia de Santo Antônio: um pedaço da pele do santo. As outras basílicas estão situadas nos Estados Unidos e no México.    

A veneração a Santo Antônio teria surgido logo nos primeiros anos de criação da vila de Borba, pois o seu fundador, o padre jesuíta João Sampaio, era devoto do santo e já havia fundado a aldeia de Santo Antônio das Cachoeiras, no rio Jamari, um dos afluentes do Madeira. A igreja foi construída pelo padre Bento José de Souza que, com certeza, não deve ter imaginado a dimensão que sua obra atingiria no decorrer dos anos e dos séculos.

“As festividades em honra do santo se transformaram num importante fator de difusão do turismo religioso que movimenta a economia da cidade e do município durante essas duas semanas e ajuda a suprir as necessidades financeiras da basílica”, afirmou Alcy.   

E, se Santo Antônio é o ‘santo casamenteiro’, foi do relacionamento amoroso entre Alcy e sua esposa Ednea, que a devoção dele pelo português Fernando Antônio de Bulhões (o nome de nascença de Santo Antônio), teve início.

“Minha esposa é filha de Borba, então eu passei a amar, além dela, aquela cidade, pequena, aconchegante e bonita, e a cultuar e respeitar o seu padroeiro”, disse.

“A história da feijoada começou há 24 anos numa conversa com o então bispo emérito de Borba, dom José Afonso Ribeiro, falecido em 2014. A forma que encontramos para angariar fundos para a basílica foi realizando uma feijoada beneficente, e tem sido assim desde então. Criamos, inclusive, a Fundação Borba, para coordenar o evento”, recordou.

Capela e missa campal

A primeira feijoada promovida por Alcy reuniu 500 pessoas e o sítio do empresário já chegou a receber mais de 2.000 pessoas, mas agora ele controla o número de camisas vendidas em 1.500 unidades (já esgotadas).

“Para que não fique muita gente e vire uma confusão achei melhor estabelecer esse número limite”, explicou.

Um dos destaques do local é a capelinha em honra do santo.

“Ela tem mais de 30 anos. Inicialmente era de madeira, depois a fiz toda em alvenaria. É na capela que acontece a missa campal, às 10h, dando início à feijoada. Serão dispostas cadeiras, numa área coberta por tendas, e os mais idosos ficarão na frente para terem melhor acesso à pregação do bispo Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva”, avisou.

Em 18 de novembro de 2022, o papa Francisco elevou a prelazia de Borba à condição de diocese, e Dom Zenildo tornou-se seu primeiro bispo.

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A basílica de Borba é o maior santuário do Amazonas

“Todo o evento é muito bonito de se ver. Quem vem em embarcações, atraca aqui na frente e as rabetas ficam ao largo, num belo espetáculo de fé e religiosidade. Os Fuzileiros Navais se farão presentes, bem como um helicóptero da Marinha trará médicos e dentistas para realizar uma ação social junto aos moradores das redondezas”, adiantou.

Quem for a Borba não deve deixar de visitar a estátua do santo, a mais alta estátua religiosa do Amazonas, com 13 metros de altura, à frente da basílica. No dia 13 de junho ela completará 26 anos. Mandada construir pelo então prefeito Jones Karrer, a estátua, olhando para o rio Madeira, foi projetada e construída pelo artista plástico Marius Bell.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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