Cheias com menor impacto na capital do Amazonas

Em: 22 de junho de 2023

Diferente de anos anteriores que registrava neste mesmo período cheias severas no Estado, a intensidade de subida do nível do rio Negro está dentro da normalidade e apresentando ritimo mais lento.  A régua do Porto de Manaus, que marca a enchente, atingiu  28,30, até a quinta-feira (15). Uma cheia em grandes proporções está praticamente descartada para este ano. O comportamento das águas confirmam as previsões do 3º Alerta de Cheias do Amazonas divulgado em maio pelo SGB-CPRM (Serviço Geológico do Brasil), mostrando as previsões para as cotas máximas dos rios Negro, Solimões e Amazonas. 

Conforme a pesquisadora em geociências do Serviço Geológico do Brasil, Jussara Cury que, em Manaus, responde pelo SAH (Sistema de Alerta Hidrológico) do Amazonas, há duas semanas o rio Negro apresenta recessão  com descidas médias diárias de 5 centímetros o que indica que o pico da cheia nessa região já passou. “Há uma tendência de continuar esse processo ao longo da calha como é o caso do município de Fonte Boa que permanece com descidas médias diárias. Para Manaus, tem pouca probabilidade de chegar na cota de inundação severa que é de 29 metros. Pela intensidade da subida na maioria das estações há uma tendência de que nas próximas semanas cheguemos ao pico”, informou. 

A previsão é que, em Manaus, o rio Negro chegue a aproximadamente 28,43 metros (com intervalo provável entre 28,12 m e 28,77 m). A probabilidade de atingir a cota de inundação severa (29,00 m) é de 2%. 

“Estamos com a cota 28,30 em Manaus e a média da nossa previsão chega em 28,43m. Antes de entrar na vazante há um período de estabilidade, quando o rio para, sobe, para, descer um pouco.  Entramos na vazante só em julho”, destacou Jussara. 

Alívio

A boa notícia traz alívio para os comerciantes do Centro de Manaus, especialmente para quem atua na área em torno da rua Barés, localizada próximo a região da feira da Manaus Moderna, um dos primeiros  locais que sentem o reflexo da subida das águas no período do inverno. O empresário Aluízio Mato Grosso  lembra que há oito anos os comerciantes da região central sofrem os impactos causados pela cheia. Tanto que elevou o piso de madeira da loja, a conhecida maromba para evitar perdas de mercadorias como ocorre todos os anos. “Com as chuvas e as cheias, alaga tudo. Eu antecipei a construção do piso para evitar o sofrimento de todos os anos. Mas graças a Deus o nível da água não tem avançado. É um alivio”, comemorou. 

Ele lembra que as cheias representam perdas de 30%, pois quando atinge o nível de transbordamento impacta o fluxo de clientes, além da atividade de carga e descarga de mercadorias que também são afetadas porque não tem condições de estacionar para abastecer.

O empresário do varejo e também presidente da Assembleia Geral da Aca, Ataliba Filho, comenta que este ano, os comerciantes e feirantes não precisam se preocupar em se resguardar da enchente. A subida das águas, além de ser um custo para os comerciantes e feirantes o movimento diminui de maneira significativa.Os negócios da orla são prejudicados”.

Quando as intensas chuvas comprometem o comércio em razão da subida do rio, o setor contabiliza perdas entre 50% a 100%, ano passado, muitos empresários suspenderam as atividades em função da cheia.  

Previsões municípios

Já em Manacapuru, o rio Solimões deve alcançar aproximadamente 19,31 m (com intervalo de 19,03 m a 19,59 m). A cota de inundação é de 18,20 m. Para a cota de inundação severa (19,60 m), essa probabilidade é de 9%. Segundo o modelo utilizado, não há nenhuma chance de os rios Negro e Solimões atingirem as cotas máximas registradas em 2021, quando, em Manaus, o rio chegou a 30,02 m e, em Manacapuru, a 20,86 m.

Em Itacoatiara, o rio Amazonas deve atingir aproximadamente 13,91 m (com intervalo entre 13,76 m e 14,06 m). A cota de inundação é de 14 m, e a probabilidade de alcançá-la é de 19,71%. Para a cota de inundação severa (14,20 m), essa probabilidade é de 0,33%.

Em Parintins, cidade que entrou neste ano no Alerta de Cheias, a previsão é que o rio Amazonas chegue a aproximadamente 8,35 m (com intervalo provável entre 8,28 m e 8,44 m). A probabilidade de atingir a cota de inundação (de 8,43 m) é de 11,3%. Para a cota de inundação severa (9,30 m), essa probabilidade é de 0%. Também não há nenhuma chance de o rio Amazonas atingir as cotas máximas registradas em 2021, em Itacoatiara (15,20 m) e em Parintins (9,47 m).

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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