Desenrola tira ao menos 1,2 milhão de brasileiros da lista de nome sujo

Em: 23 de julho de 2023

Mais de 1,2 milhão de brasileiros tiveram o nome limpo pelos bancos desde o começo do programa Desenrola Brasil, segundo levantamento feito pela Folha junto a 15 instituições financeiras.

Na manhã de sexta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou que 2 milhões de brasileiros deixaram a lista suja, mas a ANBC (Associação Nacional de Birôs de Crédito), responsável pela divulgação do dado ao Ministério da Fazenda, informou que o valor não representa o número de brasileiros que tiveram o nome limpo, mas o total de pedidos feitos para desnegativar.

Trata-se de uma contagem diferente, visto que uma mesma pessoa pode ter o nome em vários birôs de crédito. A associação diz não ter este controle individual.

De acordo com o levantamento da reportagem com 15 bancos, o total de brasileiros que deixou a lista suja chega a 1,2 milhão. O Bradesco limpou o nome de 580 mil brasileiros até a última quinta-feira (20). Já o C6 retirou 456 mil CPFs da relação, enquanto a Caixa desnegativou 225 mil clientes desde o início do programa, na segunda-feira (17).

Itaú, Santander, Inter, Banrisul, Nubank, PagBank e Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil) informaram que ainda não têm um balanço. O BMG afirmou que não vai responder, e os bancos Daycoval e Pan não responderam até a publicação da reportagem.

O Banco do Brasil disse já ter operado a desnegativação de 100% do público aderente aos normativos do Desenrola, mas que não divulga números absolutos por sigilo concorrencial.

A limpeza dos nomes de quem devia até R$ 100 em 31 de dezembro de 2022, tendo entrado na lista a partir de 2019, foi uma contrapartida exigida pelo governo para os bancos aderirem à fase 2 do Desenrola Brasil. A etapa negocia dívidas entre instituições financeiras e clientes que recebem entre dois salários mínimos (R$ 2.640) e R$ 20 mil por mês.

Procurada, a associação disse que o número divulgado por Lula não representa o total de brasileiros que tiveram o nome limpo, mas os pedidos que foram feitos para baixa de apontamentos de negativação nas instituições que a ANBC representa.

“Uma dívida pode ter mais de um apontamento, pois o credor pode inscrever a mesma dívida em birôs diferentes, por exemplo. Da mesma forma, um consumidor pode ter mais de um apontamento referente à mesma dívida”, informou a ANBC.

“Entre os dias 17 e 19 de julho os birôs de crédito representados pela ANBC que participam do programa registraram baixa de 2.064.700 de apontamentos de negativação de até R$ 100. Esse número não corresponde necessariamente ao número de consumidores desnegativados ou ao número de dívidas que deixaram o cadastro negativo”, completou a associação.

Negociações

Dos bancos que divulgaram balanços desde segunda-feira, o Bradesco informou que realizou a baixa de 621 mil dívidas de até R$ 100, o que resultou na limpeza de 580 mil nomes que estavam sujos.

O Itaú fechou mais de 228 mil acordos de renegociação nesta semana, um aumento de 65% em relação aos últimos três meses. Porém, a instituição não divulgou o número de pessoas que tiveram o nome limpo.

Já o Inter disse que teve uma alta de 20% nas renegociações de dívidas na comparação com os meses anteriores.

Nesta fase do programa federal, a renegociação é permitida apenas para quem entrou na lista de negativados a partir de 1º de janeiro de 2019 e permaneceu nela até 31 de dezembro de 2022. A pessoa terá prazo mínimo de 12 meses para pagar a dívida, que pode ser parcelada e ter taxa de juros a ser definida por cada banco.

O acordo é restrito a dívidas bancárias, não sendo permitido a negociação de débitos de outras origens como água, luz e outros serviços.

Clique aqui para ver quais os canais de negociação e as condições dos principais bancos do país.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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