O segmento de cervejas artesanais não para de crescer no Brasil. Ano passado foram lançadas 7.090 novas marcas. Ao todo o país possui 54.727 marcas comerciais diferentes.
Qual a diferença de uma cerveja artesanal para uma industrial? A artesanal é feita com técnicas tradicionais de fabricação e ingredientes como cevada, lúpulo, fermento e água, respeitando-se o tempo de maturação desses ingredientes. Já na cerveja industrial usa-se uma combinação de diferentes tipos de maltes e grãos, além de uma variedade de aditivos, como xarope de milho ou xarope de arroz, e o processo de maturação é acelerado, através de formas não naturais, para atender à demanda dos clientes.
Num planeta com pessoas cada vez mais interessadas em fugir de alimentos e bebidas industrializados, as cervejas artesanais surgem como uma ‘tábua de salvação’ para quem não consegue enfrentar o escaldante calor amazônico sem uma refrescante cerveja.
E você sabia que qualquer pessoa pode ter sua própria cerveja, com o nome e o sabor que desejar? São as cervejas ciganas, aquelas mandadas fabricar numa grande fábrica por quem não tem condição de ter uma grande fábrica. A denominação cigana tem a ver com o povo cigano cuja principal característica é serem nômades, ou seja, não têm um local próprio para morar.
Há poucos anos o segmento de ciganas teve início, em Manaus, principalmente com a consolidação da Cervejaria Rio Negro, especializada na produção de cervejas artesanais e aberta a quem quiser ter a sua própria marca. Há oito anos em Manaus, a Rio Negro produz atualmente nove estilos e cinco marcas de ciganas, uma destas marcas é a Bordoni, que já possui dois estilos em seu portfólio, a Maceta e a Bubuia.
Vários estilos
“Há sete anos estou no mercado cervejeiro, desde que me tornei mestre cervejeira. Há três anos sou sommelier, além de técnica em produção. Sempre gostei de cervejas então, pensei, por que não ter minha própria marca já que possuo o conhecimento para criar estilos e hoje, em Manaus, está fácil você produzir ciganas? Surgiu, assim, a marca Bordoni e os estilos Maceta e Bubuia”, falou Juliana Bordoni, proprietária da marca.
Durante anos, no Brasil, nos acostumamos a ver nas propagandas da TV as grandes fabricantes de cerveja divulgando o estilo Pilsen, tanto que se criou o estereótipo de ‘loura gelada’ para as cervejas numa alusão à bela cor amarela dessa bebida. O que muita gente não sabe é que Pilsen é apenas um dos mais de 150 estilos de cervejas artesanais fabricados no mundo inteiro.
“Essa propaganda em torno da Pilsen foi tão maciça que até hoje existem pessoas que estranham quando conhecem outros sabores de cerveja. Mas isso está mudando, tanto que, apesar de nosso estilo Pilsen ser o que mais vende, os demais de nosso portfólio também tem boa saída, tanto que ainda este ano lançaremos um novo estilo”, adiantou José Pereira Lima, mestre cervejeiro e CEO da Rio Negro.
Sem se preocupar com a popularidade da Pilsen, mas mirando na regionalização de seu produto, Juliana escolheu não só dois nomes bem amazônicos como incluiu ingredientes nossos na composição das bebidas: tapioca e mel de abelhas amazônicas. Na Amazônia, maceta significa algo, ou alguém, grande e com bastante força. Origina-se de um tipo de martelo, por isso exprime robustez. Já bubuia é uma palavra totalmente amazônica, dos ribeirinhos que bóiam nas águas de nossos rios se deixando levar pelos banzeiros provocados pelo vento ou pelas ondas de alguma embarcação.
Mel e tapioca
“A Maceta é uma Session Ipa feita com malte de cevada, água, lúpulo, levedura e mel de abelhas da região. É ideal para acompanhar carnes grelhadas, queijos fortes e embutidos. Já a Bubuia é uma Cream Ale feita com tapioca, malte de cevada, lúpulo, aveia, levedura e água. Acompanha bem um belo tambaqui assado e macaxeira frita”, ensinou Juliana.
Juliana desenvolveu os dois estilos há dois anos, na própria residência.
“É nessa hora que entra o seu conhecimento de sommelier e mestre cervejeira. Você vai testando e provando, testando e provando, até chegar ao ponto certo. Depois é chamar os amigos para degustar e aprovar, ou não, o resultado final. Como foram aprovados, fechamos essa parceria com a Cervejaria Rio Negro e desde então nossas cervejas estão sendo produzidas e vendidas, em Manaus. Já estou testando novos estilos para serem lançados em breve”, avisou.
“A principal característica de uma cerveja artesanal é ela ser o mais natural possível. O processo de fabricação das cervejas Bordoni leva quase um mês para ser concluído, por isso agradam ao paladar de quem foge das cervejas industrializadas”, informou.
Atualmente, Maceta e Bubuia podem ser encontradas no Hon Café, em Adrianópolis, em barris, que podem ser encomendados para eventos. As garrafas são vendidas nas feiras de orgânicos, realizadas na cidade. Pedidos e informações no Instagram: @cervejariabordoni.
“Queremos que os manauaras apreciem e valorizem cada vez mais o que é nosso. Por isso as cervejas Bordoni sempre terão a cara do Amazonas e da Amazônia”, concluiu.
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