Estiagem desafia mão de obra do turismo regional e derruba atividades

Em: 20 de outubro de 2023

Cancelamentos de reservas, baixa demanda, suspensão de atividades, fechamento de estabelecimentos por tempo indeterminado, estão entre os impactos que o turismo no Amazonas vem sofrendo com a pior estiagem registrada em anos. Os efeitos preocupam também o Sindechrsam (Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares do Amazonas).

O presidente do Sindechrsam, Gerson Almeida, comenta que a crise climática deste ano fez as atividades turísticas despencarem, forçando as empresas que atuam no ecoturismo, como os hotéis de selva a suspenderem a mão de obra. “Isso não deixa de impactar as empresas negativamente em todos os aspectos, tanto em faturamento, em  operacionalidade como também na questão salarial dos trabalhadores. Por enquanto, a situação afeta os trabalhadores em empresas que atuam nesses empreendimentos, porque muitos tiveram que suspender suas atividades temporariamente e deixando a mão de obra também suspensa”.

Quanto à questão de férias coletivas, o presidente informou que o sindicato não foi procurado por nenhuma das empresas do setor sobre a decisão de promover férias coletivas, considerando que para tal decisão, é necessário anuência obrigatória do sindicato profissional para a devida regularização de acordo com a norma coletiva de trabalho, no caso das empresas optarem por férias coletivas.

“Nesse sentido, não tivemos nenhuma empresa que veio nos procurar para tratar sobre essa situação, por isso que a gente considera que é um movimento apenas de suspensão temporária do funcionamento da operacionalidade da empresa e obviamente da mão de obra”. Segundo ele, até o momento, não há impacto nesse sentido. 

A expectativa para o líder da entidade representativa é que o cenário logo volte a melhorar. “Agora com a chegada das chuvas neste mês, podemos vislumbrar o retorno à normalidade, principalmente para os hotéis de selva, que são os mais afetados”. 

No mês de setembro, estabelecimentos que atuam no ramo de ecoturismo, já anunciavam a suspensão dos serviços em virtude da estiagem, agravada pelas altas temperaturas do efeito El Niño.

É o caso da pousada Refúgio Sumaúma, que fica na comunidade do Livramento, na zona ribeirinha de Manaus. A principal dificuldade é o transporte de pessoas pelo rio por meio de voadeira. Conforme informações, só é possível chegar ao local desta forma. A  travessia leva cerca de 20 minutos saindo da Marina do Davi, na Ponta Negra, até o local.

“Infelizmente devido à seca do rio Negro mais forte que pegamos desde que abrimos, fecharemos o refúgio até o rio voltar a subir para manter a qualidade do serviço”, comunicou a pousada nas redes sociais.

A Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas) informa que acompanha a questão da estiagem e os impactos que o fenômeno natural pode gerar nas atividades turísticas do Estado. A Amazonastur também já trabalha no planejamento de medidas para apoiar os operadores do turismo, caso a estiagem se estenda além do previsto. 

Repercussão 

Em matéria publicada no Jornal do Commercio, líderes empresariais do setor informaram que a extrema vazante deste ano, que ultrapassou a cota histórica do Estado, tem ameaçado o turismo receptivo. O mercado tem sentido os impactos das altas temperaturas registradas no período conhecido como verão amazônico, além das queimadas registradas nas últimas semanas. 

O que seria alta temporada para quem quer aproveitar o turismo regional, há um impacto nas atrações locais. Com o nível dos rios abaixo do esperado dificultando a navegação,  os passeios de barco por exemplo estão comprometidos.

As casas flutuantes na região que atraem turistas dão espaço a bancos de areia. Os arredores que concentram restaurantes e hotéis flutuantes foram fechados por conta da estiagem severa. 

Passear pelas águas fluviais da cidade e ofertar  passeios naturais pela exuberância da região é bem procurado pelos visitantes e muito vendido pelas agências de turismo. “Infelizmente parte desses passeios foram cancelados. Muitos turistas deixaram de visitar a região este ano em razão dos períodos de seca e da onda de calor extremo. As pessoas daqui também têm menos motivação para visitar os pontos turísticos da região. A queda na demanda chega a 60%”, relatou um dos empresários ouvidos pela reportagem. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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