Carlos Silva
Acordei hoje de mau humor, ou com dois pés esquerdos ou com um mau espírito incorporado. Ou é apenas coisa de velho. Mas, de qualquer maneira, levantei disposto a mudar o mundo, e iniciei arrumando a cama, que é missão minha e não da patroa, e fiz o café da manhã, dela e somente dela. Eu tomo meia xícara e o dia começa, de verdade. Então, no contexto de um ócio fecundo, abri o livro As 48 Leis do Poder e me deparei com a Lei 45: “Pregue a necessidade de mudança, mas não mude muita coisa ao mesmo tempo. Teoricamente, todos sabem que é preciso mudar, mas na prática as pessoas são criaturas de hábitos. Muita inovação é traumático, e conduz à rebeldia. Se você é novo numa posição de poder, ou alguém de fora tentando construir a sua base de poder, mostre explicitamente que respeita a maneira antiga de fazer as coisas. Se a mudança é necessária, faça-a parecer uma suave melhoria do passado”. Muita calma nessa hora, pois a Lei em comento se refere àqueles que passam a vida tentando alcançar o poder, de qualquer forma. E isso não se aplica a mim, por vários motivos e que, como são meus motivos, vou me reservar ao direito de mantê-los guardados. Mas, o capítulo do livro em tela, relativo à Lei 45, nos mostra casos históricos fantásticos e impressionantes, que demonstram como a inteligência humana, para o bem e para o mal, é de uma grandeza incalculável. Os casos históricos de Mao Tsé-tung e seus meios para convencer a conservadora cultura popular chinesa, mostram o valor de um líder, independentemente do objetivo e da ideologia política. Tem um texto de Maquiavel que reforça a tese da Lei em questão: “Considere-se que não há nada mais difícil, nem de sucesso mais duvidoso, nem mais arriscado, do que iniciar uma nova ordem de coisas.” Atualmente se diz que é mais difícil retirar ideias velhas da cabeça de um idoso, do que colocar ideias novas. Bem, eu concordo com isso e se vivi já 66 anos, é porque deu certo tudo que fiz, pois, afinal, tempo é tudo. O caso de Napoleão Bonaparte, tratado no aludido capítulo, também reforça a tese da Lei em questão: “Quando Napoleão assumiu o poder, todos ainda tinham fresca na memória a lembrança da Revolução Francesa. Se a corte que ele estabeleceu tivesse alguma semelhança com o luxo da corte de Luís XVI e Maria Antonieta, seus cortesãos passariam o tempo preocupando-se com os próprios pescoços. Em vez disso, a corte de Napoleão foi notável por sua sobriedade e falta de ostentação. Era a corte de um homem que valorizava o trabalho e as virtudes militares. Esta nova forma parecia apropriada e tranquila.” Enfim ! Muitos políticos, ao longo da História, agiram, agem e agirão dessa forma. E muitos diretores, supervisores, gestores e chefes também. Faz parte da vida. E a vida segue! Com cervejas ! Geladas!






