Silves, erguida numa ilha e cercada por lagos, é opção de turismo

Em: 8 de novembro de 2023

A cidade de Silves está localizada numa das regiões mais paradisíacas e turísticas do Amazonas, mas a maioria dos manauaras não a conhece, mesmo com a facilidade de se chegar até lá de automóvel. Detalhe: a cidade foi erguida numa ilha antes habitada pelos povos das etnias indígenas guanavena, caboquena e bararuru.

O caminho até Silves é pela AM 010 (Manaus/Itacoatiara). Como a viagem é longa, o ideal é fazer paradas estratégicas ao longo da estrada, primeiro em Rio Preto da Eva (80 km de Manaus), depois em Vila de Lindóia (183 km de Manaus). A entrada para a estrada de Silves (AM 330) surge à esquerda, no km 220.

Impressiona a quantidade de toras imensas de árvores dispostas no terreno da madeireira Mil Madeiras Preciosas, filial do grupo suíço Precious Woods, que explora florestas nativas pelo mundo. De acordo com o site da empresa: ‘os selos de certificação florestal atestam que o manejo é ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. Os resíduos provenientes de sua serraria fornecem 40% da energia limpa gerada a partir de uma termelétrica que abastece o município de Itacoatiara com cerca de 100 mil habitantes’.

Seguindo viagem pela AM 330 serão mais 107 km praticamente sem locais para paradas estratégicas a não ser pequenos comércios que surgem de vez em quando. Ao longo da estrada pode-se ver vestígios de queimadas pequenas e de grandes proporções, que ajudaram na produção da nuvem de fumaça que encobre Manaus desde outubro, ainda assim resta uma bela paisagem de floresta e igarapés, além da ponte sobre o majestoso rio Urubu, de histórias trágicas naquela região, mas essas histórias ficam para uma próxima vez.

Mais antiga colonização

A maior parte das duas AM está em excelente estado, inclusive com obras de reasfaltamento em toda a AM 010. Já a AM 030 apresenta alguns poucos trechos com buracos.

Vencidas as duas vias, chega-se à cidade de Silves mas, como informado acima, ela fica numa ilha. A travessia até lá é realizada numa balsa. Os valores para motos, carros, ônibus e caminhões são diferenciados e se paga a ida e a volta logo na viagem de ida.

A ilha de Silves é cercada pelos lagos Saracá e Canaçari. O primeiro, banha Silves pela frente; o segundo, por trás, formando um único lago que dá acesso aos rios Urubu, Sanabani, Itapani, Anebá, Tatuacá, e Taiaçú, entre outros. Antigamente Silves também era conhecida como ilha de Saracá e o time de futebol da cidade tem esse nome, bem como a sede social. Saracá é uma espécie de formiga existente naquela região. Sua mordida arde bastante, mas não ataca as pessoas que não interferem em seu habitat. Canaçari é uma espécie de tucano.

Antes de o colonizador português fincar os pés na futura Manaus, em 1669, já havia feito isso em Silves, em 1660, com o início do povoamento da ilha pelo frei Raimundo, da ordem das Mercês, que denominou o local de Missão do Saracá. O nome Silves surgiria depois, no período em que o Marquês de Pombal foi secretário de Estado de Portugal entre 1750 e 1777. Através de suas Reformas Pombalinas mudou o nome indígena de várias cidades na Amazônia substituindo-os pelos de cidades portuguesas. A Silves de Portugal fica de frente para o Atlântico e é uma das cidades mais antigas daquele país, assim como a Silves brasileira é uma das mais antigas do Amazonas.

Passeio pela orla

Existem dois tipos de turismo que podem ser feitos na ilha de Silves: o histórico e o de passeio. No histórico a dica é uma visita à igreja de N. Sra. da Conceição, a mais antiga do município. No seu interior está enterrado o padre Daniel Marques d’Oliveira, professor, deputado e vigário de Silves, de 1854 a 1881. Quanto ao turismo de passeio, vale uma ida ao Cristo Redentor, como o do Rio de Janeiro, um pouco menor, com certeza, mas igualmente recebendo os visitantes de braços abertos. Se não tem Corcovado, serve a parte alta da ilha. Uma escadaria de 111 degraus está à frente do Cristo silvense.

Um passeio pela orla é o suficiente para acalmar a vista e a mente com a praia de areias brancas ao redor da ilha e as águas do lago Saracá ao fundo. Uma caminhada por toda a orla leva à praia do Terceiro, o melhor lugar para se tomar um gostoso banho de rio. Apenas é preciso cuidado para se evitar arraias e piranhas. Com um pedaço de pau, mexer a areia de onde se estiver, afasta as arraias; quanto às piranhas, se a pessoa não tiver nenhum ferimento no corpo, elas nem chegam perto.

A cidade possui uma pequena estrutura com hotéis, pousadas, bares e restaurantes. Um café da manhã regional é servido diariamente na feira. Como é comum nas cidades do interior do Amazonas, os restaurantes não apresentam variedade de pratos com peixes nos seus cardápios.

Uma terceira opção turística em Silves é o turismo ecológico, ou de aventura, nos rios da região, mas esse é assunto para uma próxima matéria.

Onde ficar:

Hotel Shalon: 9 9517-7777

Pousada Caboquena, fone: 9 9449-8418

Onde comer (na orla):

Pizzaria da Felícia       

Chalé do Suco

Restaurante Casa Blanca

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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